Academia promove debate no dia Internacional da Mulher

dia internacional da mulher na Academia Ubajarense de Letras e Artes

O Hotel Fazenda Engenho Velho foi palco de um encontro promovido pela Academia Ubajarense de Letras e Artes no domingo, dia 8 de Março. Dessa vez, com a presença também de grandes personalidades de diversos segmentos da sociedade. O evento foi organizado por Nicollas Pereira, presidente; Ronildo Nascimento, secretário; Teresinha Moura, tesoureira. Após a declamação de poesias, a programação seguiu com a abordagem de um tema sério, conduzindo o público a uma importante reflexão. Afinal, o Dia Internacional da Mulher é uma data política. A alusão ao 8 de Março existe em memória das 146 mulheres que morreram queimadas, sufocadas ou ao pularem do nono andar de uma fábrica que pegou fogo. As portas estavam trancadas para evitar que as funcionárias saíssem antes do fim do expediente ou fizessem pausas. A partir desse episódio, cresceram as mobilizações por melhores condições de trabalho, segurança nas fábricas e direitos para as trabalhadoras. É impossível não relacionar o passado com o presente. Por mais que tenhamos conquistado mais espaço no mercado de trabalho, é difícil conviver com o medo de ser mulher. Todos os dias, mulheres são abusadas, mortas ou violentadas. Detalhe importante: se o seu pai sempre foi um homem bom, que ótimo. Isso não é sobre você. Se o seu marido é exemplar, maravilha. Isso também não é sobre você. Estamos falando de um sistema machista que se transformou em máquina de matar mulheres. Se todo mundo conhece pelo menos uma vítima de abuso, então por que os abusadores parecem sempre invisíveis? É impossível ser indiferente ao noticiário. Freira é estuprada dentro do convento; menina é violentada por quatro homens, mulher é arrastada no chão até ficar com as pernas amputadas e morrer logo depois; marido mata os filhos e depois tira a própria vida. De onde vêm tanto ódio às mulheres? Há uma crise na masculinidade? Questionei os homens. Sei que é desconfortável. Homens também morrem todos os dias – mas há uma enorme diferença aqui. Qual a diferença entre assassinato e feminicídio? Assassinato é o termo geral para a morte intencional de uma pessoa. Pode acontecer por vários motivos: disputa, vingança, crime organizado, brigas, assaltos, conflitos pessoais ou outras circunstâncias. Nesse caso, a vítima não é morta por causa do gênero, mas por razões variadas que poderiam envolver qualquer pessoa. Já o Feminicídio é um tipo específico de homicídio em que a mulher é morta por ser mulher. Ou seja, o crime está ligado a fatores como misoginia, controle, sentimento de posse, violência doméstica, ciúme, rejeição ou desprezo pela autonomia feminina. Muitas vezes acontece dentro de relações íntimas — por parceiros ou ex-parceiros. No Brasil, o feminicídio foi reconhecido juridicamente pela Lei do Feminicídio, que alterou o Código Penal Brasileiro para tratar esse crime como uma forma qualificada de homicídio, justamente para destacar que existe uma violência dirigida especificamente contra mulheres por razões de gênero. Essa distinção não significa que a morte de homens seja menos grave — toda vida perdida é uma tragédia. A diferença é que o conceito de feminicídio busca dar visibilidade a um padrão específico de violência que atinge mulheres justamente por causa de estruturas sociais de poder, desigualdade e desprezo pelo feminino. Entender essa diferença ajuda a discutir o problema com mais precisão, criar políticas de prevenção e reconhecer quando uma violência não é apenas um crime individual, mas parte de um fenômeno social mais amplo. Educação sexual não é ensinar a praticar sexo Quando crianças e adolescentes recebem informação adequada à idade, aprendem coisas básicas e fundamentais: que o corpo tem limites, que existem partes íntimas, que ninguém pode tocar nelas sem consentimento, e que qualquer situação estranha deve ser contada a um adulto de confiança. Esse tipo de educação não incentiva atividade sexual. Pelo contrário: ajuda a prevenir abusos. Muitas vítimas de violência sexual demoram ou nem conseguem denunciar porque não entendem que o que aconteceu foi errado ou porque foram ensinadas a sentir vergonha de falar sobre o próprio corpo. Falar de educação sexual é, antes de tudo, falar de proteção da infância. É dar às crianças palavras, informação e segurança para reconhecer situações perigosas e pedir ajuda.