Sobrinho de Padre Tarcísio emociona Academia Ubajarense em encontro sobre Literatura e Medicina

Por Monique Gomes A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) realizou, no último dia 1º de agosto, mais uma reunião marcada por reencontros e reflexões sobre o papel da arte na vida das pessoas. O encontro aconteceu no Hotel Fazenda Engenho Velho e teve como convidados especiais o médico oncologista e escritor Dr. Fernando Melo e Dra. Inês Melo. Membro da Academia Cearense de Medicina e da Academia Brasileira de Médicos Escritores (ACMES), Dr. Fernando conduziu uma palestra sobre a estreita relação entre a medicina e a literatura. Logo no início de sua fala, fez uma declaração que chamou a atenção dos presentes: segundo ele, dedicar-se exclusivamente à medicina seria “enlouquecedor”, e foi na literatura que encontrou um espaço de equilíbrio, sensibilidade e sobrevivência emocional. Durante a palestra, o convidado apresentou exemplos de médicos que também marcaram a história da literatura brasileira, como: João Guimarães Rosa, Moacyr Scliar e outros. Para ele, ciência e arte caminham lado a lado, pois ambas exigem sensibilidade para compreender o ser humano em toda a sua complexidade. A presença de Dr. Fernando Melo teve ainda um significado especial para a Academia Ubajarense. Ele é sobrinho de Monsenhor Francisco Tarcísio Melo, patrono da instituição e um dos grandes incentivadores da criação da Academia em Ubajara. Partiu do próprio padre a ideia de fundar uma academia literária no município. Por isso, receber um membro da família em um momento tão simbólico trouxe ainda mais emoção. Fundada em 12 de maio de 1978, a Academia Cearense de Medicina, da qual Dr. Fernando faz parte, é uma associação ético-científica e cultural, sem fins lucrativos, sediada em Fortaleza. Além da atuação médica, a instituição incentiva a produção intelectual e literária dos integrantes, reforçando a integração entre ciência e cultura. A palestra despertou identificação entre diversos participantes. A acadêmica Melissa Vasconcelos compartilhou que seu pai chegou a estudar Medicina, mas não conseguiu concluir o curso. Ela própria se tornou advogada e escritora, e afirmou ter se reconhecido na trajetória apresentada pelo palestrante, que conciliou a carreira médica com a produção literária. Outra intervenção marcante foi a da acadêmica Graciema Fernandes. Enfermeira durante muitos anos e reconhecida como uma das grandes poetisas de Ubajara, ela relembrou passagens da infância e acontecimentos vividos antes da implantação do Polonordeste, programa criado na década de 1970 para promover o desenvolvimento rural integrado da região Nordeste e fortalecer a permanência das famílias no campo. A satisfação também tomou conta de Joaquim Aristides. Ele comemorou o crescimento da Academia e recordou que o próprio Hotel Fazenda Engenho Velho foi berço da instituição. Afinal, foi debaixo daquele mesmo telhado que um grupo de amigos realizou o sonho de criar uma academia dedicada às letras e artes em Ubajara conforme padre Tarcísio sonhava. A reunião contou ainda com a presença dos futuros imortais que tomarão posse ainda neste mês: Marilene Eufrásio, Teresinha Cavalcante e Gustavo Beviláqua, que participou de forma remota. Sensibilizada, Teresinha Cavalcante revelou que ocupará justamente a cadeira pertencente ao seu pai, o saudoso Coronel Cavalcante. Escritora com cinco livros publicados, ela afirmou que assumir esse legado representa uma das maiores honras de sua vida. O encontro também foi oportuno para discussão de pautas importantes, como: Concurso de Poesia 2026, cerimônia de posse dos novos membros e a ideia da coletânea trazida por Clara Leda – reforçada por Dr. Fernando Melo.