Francisco das Chagas Fernandes Siqueira, conhecido como Mestre Frank Castro, nasceu no dia 19 de outubro de 1955 no município de Ubajara. A arte está no sangue. Sr João Castro, pai de Frank, também era artesão em madeira, era sapateiro e músico, mas o seu forte mesmo era fazer sapatos modelo tamanco de madeira para sustentar a família.
Frank Castro só foi a primeira vez estudar em uma escola aos 12 anos, mas aos 5 anos começou a desenhar só em observar o pai trabalhando. Mas já sentia a obrigação de seguir os passos do pai, trabalhar mexendo com madeira, fazendo tamancos, para
também sustentar financeiramente a sua família.
Aos nove anos de idade já trabalhava junto com o pai talhando madeira e sola para fazer tamancos para ajudar o sustento da família. Mas nos intervalos de descanso do trabalho, Frank pegava escondido sobras de madeira e ia brincar talhando dando formas criativas. Aos poucos, foi fazendo pequenas artes com a sobra da madeira da
sapataria de tamancos dando forma pequenas de pés, braços, cabeça… até que a história foi se espalhando na cidade e as pessoas começaram a fazer encomendas de esculturas de pés, mãos, cabeça, bustos e dentre outros. Frank sem saber para que
servia, continuou fazendo as encomendas e recebeu o apelido de Menino Milagreiro.
Na inocência de menino, depois de algum tempo, entendeu que estava fazendo peças de ex-votos para as pessoas pagarem promessas em Canindé, mas não deixou de sentir orgulhoso e útil para seu pai. Mas Sr. João, muito rígido na educação, disse ao filho que ser artista não era certo e levava para outros caminhos que não eram do bem. Mas o menino Frank não deixou talhar seus sonhos e seguiu sua intuição, sem deixar de trabalhar para sustentar a casa.
Por muitos anos a única ferramenta que tinha era um canivete que era para fazer
sapatos e aproveitava para fazer pequenas esculturas e posteriormente vende-las e
ajudar nas despesas. Aos dez anos teve acesso a primeira vez a uma revista onde tinham muitas esculturas gregas e dali em diante o sonho e a intuição começaram a ser mais fortes do que o medo de desobedecer a seu pai.
O gerente da fábrica de tamanco sempre lhe incentivava a fazer artes em madeira e escondido, lhe deu um tamanco para fazer um Santo Antônio. E fez! Mas por azar, o dono da empresa viu e foi reclamar ao seu pai, no qual colocou-lhe de castigo para trabalhar sozinho em uma banca de sapatos infantil, assim, não teria tempo vago para
fazer malinação nas madeiras dos tamancos. Mas o dono da fábrica viu que aquele menino estaria perdendo seu tempo e talento fazendo sapato. Deu-lhe outros serviços
mais leves e ao mesmo tempo fez que fosse a escola.
Sr João queria que o filho fosse sapateiro, mas Frank começou a estudar e disse ao pai que não queria essa vida. Começou a ser guia turismo nas horas vagas de estudo, mas sempre mexendo com o artesanato. Nos passeios, enquanto os turistas ficavam apreciando as cachoeiras de Ubajara, Frank pegava o material na mata e ia trabalhar.
Fazia peças e vendia. Fazia desenhos e vendia. Entre as crianças, Frank ensinava os
coleguinhas a desenharem ou esculpirem a madeira, nada profissional, apenas
brincadeira de meninos. Tudo contragosto de seu pai.
Um artista muito conhecido nos anos 1970, Ivan Pereira, procurou Frank pela fama de menino milagreiro e chamou para trabalhar para ele. Mas o desejo do menino Frank
era conhecer novas ferramentas e técnicas que para o mesmo eram desconhecidas.
Trabalharam juntos por algum tempo. Nesse mesmo período, com 15 anos, Frank fez sua primeira exposição de desenhos e esculturas no qual vendeu sua arte mais cara do
que o Artista principal e com esse dinheiro conseguiu comprar sua roupa de formatura do terceiro ano. E nesse mesmo período começou a usar o nome artístico Frank
Castro. O nome Frank pra diminuir o Francisco das Chagas e o Castro era sobrenome de seu pai. Mas só emplacou muitos anos depois.
No período que trabalhava fazendo esculturas e desenhos também ensinava aos amigos e as pessoas que tinha a curiosidade da arte de esculpir madeira.
Quando terminou o colegial foi pra Sobral para estudar, mas não tinha onde ficar e em troca de moradia e alimentação, ensinou três irmãos a fazerem arte em madeira. Que são: Arcélio Alves, Etevaldo e Eliezer que vivem até hoje da arte.
Seguiu para Fortaleza, acabou indo morar também de favor na casa de um lojista da Emcetur em troca de peças artesanais para continuar os estudos e a conhecer o mundo. Tentou vestibular para arquitetura, não deu certo, mas não desistiu da busca dos estudos e conhecimentos.
Continuou com o desejo de ir mais longe. Daí em diante começou a participar de Feiras e Exposições na região e em outros Estados. Em 1978, 1979 e 1982, foi selecionado a participar do Salão Abril Fortaleza com suas escultas.
No Governo da primeira-Dama Luíza Távora, participou de muitas exposições e feiras representando o Artesanato do Ceará pela CEART em 1979. Como virou destaques nas
Feiras, foi convidado a participar do Salão de Artes Abril e outras exposições de grande porte.
Umas dessas viagens, decidiu cair no mundo por São Paulo e outras cidades do Sul, onde também tentou todas as formas de estudo e sobrevivência. Nas pelejas da vida, preferiu voltar para o Ceará. Já com 20 poucos anos, refez seus caminhos. Com mais experiencia, com mais aprendizado que a escola da vida ensinou.
Mas nunca deixou de fazer suas artes para vender como forma de sobrevivência.
Voltando pra Fortaleza lembrou da primeira exposição que fez aos 15 anos em Ubajara
e ao mesmo tempo fez relembrar a sua história de quando era criança quando fazia sua arte escondido do pai. Nessa mesma lembrança, bateu a vontade de voltar a cidade natal para ensinar as crianças ou quem quisesse aprender a arte de esculpir madeira.
Frank volta pra Ubajara depois de alguns anos entre Sobral, Fortaleza, São Paulo e outras cidades do Sul do Brasil.
Na sua volta para Ubajara, precisava um local para trabalhar e o único espaço que tinha era na rodoviária e lá se instalou. Mas sempre com a intenção de fazer uma escolinha de artes para crianças e adultos. As crianças iam brincar na rodoviária e
acabavam envolvidos com a arte e os adultos se aproximavam pela curiosidade e acabavam mexendo na madeira. Alguns jovens praticamente já iam todos os dias
depois da escola para aprender esculpir.
A escolinha começou a ser formada de forma natural, apenas com a vontade de
aprender dos alunos e Frank com o desejo de ensinar. Dando aula no espaço aberto e único que tinha, a calçada da rodoviária de Ubajara.
Em 1990, montou a escolinha de artes com o próprio dinheiro no qual chamava-se Escola das Artes Louis Wyckhuyse ou simplesmente Escolinha Ateliê Frank Castro,
ensinou muitas crianças e adultos. Os adultos começaram a desenvolver seus próprios trabalhos que viraram meio de sobrevivência. Muitas crianças, hoje adultos,
continuam fazendo artesanato.
Em 2010, Frank Castro foi contemplado com o Projeto – Microprojetos Mais Cultura do Governo Federal para desenvolver a cursos de escultura na escolinha da Artes e Cultura. No qual está registrado no Livro História, Diversidade, Cidadania, Identidade –
Microprojetos Mais Cultura – Semiárido – … a Cultura nas Mãos – MinC – Funarte –
Brasília, DF – 2010.
O Microprojeto Mais Cultura beneficiou 40 pessoas divididos em dois grupos: adultos e adolescentes.
Em 2011, com recursos próprios continuou a escolinha no qual realizou uma exposição
“Arte em Madeira” com peças dos alunos no qual teve uma visita especial do Italiano
Cesare Dalmolin, de Verona, que comprou diversas peças.
No município, Frank Castro conquistou lugares para exposições permanentes de suas
peças e de seus alunos, que hoje são profissionais na escultura em madeira.
Desde 2016, Frank Castro ocupa e divide o Espaço Centro dos Visitantes e Artesanato
do Parque Nacional de Ubajara junto com seus familiares, alunos e admiradores.
Os trabalhos sociais no qual Frank Castro participa é sempre como voluntário para
ensinar a arte na madeira. Muitas vezes aparecem pessoas no ateliê pra aprender o
ofício da arte em esculpir e Frank tem o prazer de ensinar.
Participado Projeto Herança Nativa que é realizado pelo Sesc/Fecomércio, transmitido
seu conhecimento dando aula junto com seu filho Israel que já recebeu o ofício de
artesão escultor.
A arte de Frank Castro já ultrapassou a fronteira Brasileira. Já fez trabalho por
encomenda pelo Diretor do Colégio Pia Marta de Fortaleza pra levar para o Papa João
Paulo II de presente.
Frank Castro é casado com D. Raimundinha que teve dois filhos: Israel Ben e Israela
Karen, ambos seguem os passos do Pai. Israel Bem, que também é advogado, segue
fazendo esculturas e Israela Karen, pedagoga, segue com artes visuais.
O Sonho dos estudos de Frank Castro se concretizou através de suas artes, aos 68
anos, graduado em Pedagogia e hoje, estudante de Psicologia. Mas sempre
continuando seu processo evolutivo, aperfeiçoando cada vez mais a sua arte e
mantendo aberto a escola de arte (Yeshua Artes) para crianças e adolescentes. Quem quiser aprender, é só chegar.
Reconhecimento Público de Frank Castro como Mestre de Ofício no Saber e Ensinar, ajudando sempre a Cultura, Turismo e Gerando Renda ao Município de Ubajara, pelos Órgãos:
1 -Câmara Municipal de Ubajara- CE;
2 -Secretaria de Turismo, Meio Ambiente, Cultura e Esporte do Município de Ubajara-
CE;
3 – Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima -Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade -ICMBio – Ubajara-CE;
4- COOPTUR – Cooperativa de Trabalho e Assistência ao Turismo e Prestação de
Serviços Gerais Ltda;
5- Câmara dos Dirigentes Lojistas de Ubajara CE
6 – Federação das Câmaras do Dirigentes Lojistas da Serra da Ibiapaba CE
7 – Associação dos Escultores de Ubajara- CE
8 – Associação da Turma do Bem de Ubajara CE
9 – Associação para o Entretedimento comunitário de Ubajara CE
10 – Associação de Desenvolvimento Econômico, Social e Cultural de Ubajara CE.
Francisco das Chagas Fernandes Siqueira, conhecido como Mestre Frank Castro, nascido em 1955 na Cidade de Ubajara. Recebeu o Ofício de Artesão (esculpir e desenhar) de seu pai João Castro. Casado com D. Raimundinha repassou o Ofício aos filhos Israel e Israela e para grande parte dos escultores que atualmente residem no município de Ubajara, também repassando os conhecimentos para todos aqueles que sempre estão dispostos a aprender.
Canal no youtube:
https://www.youtube.com/@esculpindocomfrankcastro2098