Ubajara, símbolo da Ibiapaba

Ibiapaba: poema de Henrique Moreira para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Henrique Moreira Ubajara, símbolo da Ibiapaba Gleba abençoada de beleza rara Fora outrora da intrépida nação Tabajara Urbe de remotas épocas Onde os índios faziam ocas. Torrão de selvagens belicosos Íncolas de atos majestosos Pois cuidavam bem da natureza E com fascínio exaltavam sua beleza. À flor d’alma com magnanimidade Ao berço de nossa nacionalidade És um solene botão dadivado Pelo sublime canto agraciado. À Pátria indígena onde as paixões Verte-se tão épica nos corações Dos seus primeiros filhos insignes Os fortes e briosos aborígenes. Egrégios morubixabas Senhores das tabas Temidos por sua denodez plana Dominavam a serra ibiapabana. Jurupariguaçu, o feroz diabo grande Chefe, cujo brio expande Mel Redondo, o indômito Irapuã Todos só temiam a Tupã. Os autóctones por suas tradições São perenes inspirações Há de frisar-se entre as tais As pinturas corporais. Os guerreiros com seus acangatares Feitos das plumas e pomares Eram reverenciados por varão Pois os adornos simbolizavam sua nação. A pocema que era grito de guerra Que pelos abruptos talhados da Serra Ecoava além dos vales e montanhas Resplandecia às lutas heroicas de sanhas. Foi na bela Gruta mil vezes já decantada Por sua esplêndida beleza abençoada Que vivera o indígena – Ubajara Filho da bélica nação Tabajara. Libérrimo ele vogava com galhardia Á flor d’água e à luz do dia Pelos rios de águas cristalinas e puras Onde a vida da natureza fulgura. Fora este cacique que amava sua terra Que dera origem à urbe da Serra Berço de paz e beleza rara Salve, oh belíssima cidade de Ubajara.

Versos dedicados a Maria Lira

Homenagem a Maria Lira para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Ilma Oliveira Queria falar tão somente da graça que tive no tempo Em que convivi com uma amiga com tanto entendimento Explicava para mim o que era ser, em fim, um verdadeiro cristão Tudo tinha, então, sentido, porque eu a escutava com mente e coração. Não ensinava só com palavras, mas com exemplo também Dizia sempre que a vida era vida quando se fazia o bem Por isso ficava contente sempre que ia falar Suas palavras eram suaves e prazerosa de escutar. Abençoada a hora que conheci minha amiga Maria De fundamental importância foi a sua companhia Falar da minha amiga, estou sempre à vontade Nosso convívio sempre positivo pela grande qualidade. Na diferença da idade e conhecimentos adquiridos Era cheia de saberes todos por ela já vividos Complementavam-se os saberes pala diferença de idade Ela tinha a experiência, eu tinha a boa vontade. Com toda serenidade de uma vida bem-vivida Ela soube ser capaz de aceitar a sua lida Habilidade bastante pra lidar qual fosse a situação E sabia conduzir todas com uma sábia solução. Ela sempre me dizia: tudo na vida é passagem Para resolver seja o que for tenha sempre serenidade O melhor da nossa vida será sempre a tranquilidade A vida é tão rápida e parece uma miragem. Também deixou para todos o legado da alegria Característica de quem sempre está no coração de Maria Dedicada a igreja de corpo, alma e mente Era no servir a Deus que a fazia contente. Dizia-me com convicção: nosso dever é amar A Deus do céu de coração, sem Ele não podemos estar Em toda e qualquer idade Dele, só dele é a bondade Que o amor Dele nunca falta, é só fazer caridade. Quando quiser ser bom cristão, ame ao Senhor Jesus Na hora do seu tormento, que Ele sempre conduz Seguir a Ele é obrigação de todo e qualquer cristão Basta entender que sem Ele não haverá salvação. A salvação é difícil pra quem não acredita no amor Ele sabia o quanto seria da Nossa Mãe tanta dor Também do filho eterno que por nós morreu na cruz Há de vir do coração fé, amor, compaixão e luz. Grande conhecedora da verdadeira palavra de Deus Por isso viveu em harmonia e simplicidade com os seus Foi uma vida vivida dedicada a igreja e aos irmãos Queria servir ao Pai por servir e nunca dizer um não. Assim deixou para todos nós a riqueza de seu amor e fé Entendendo que o Senhor Deus não foi, não será, Ele é. Amar a Deus é o que importa tendo humildade de mente O que o faz ficar feliz o Pai é ver o filho contente. Resta a nós seguir em frente com zelo e esperança E procurar crescer na humildade como se fosse criança Que não sabe o que é maldade desse mundo de cruéis Absolvidos em bens da terra não sabem a Deus ser fieis. A plantação que fizermos da palavra do senhor Será de grande sabedoria regar com cuidado e amor O que iremos colher no futuro é o resultado da semente Daqueles que sabem guardar os bons conselhos na mente. Descanse em paz, minha amiga, que nós ainda aqui vivemos Nesse pedaço de chão apenas com a oração é que a Deus chegaremos Pedindo sempre ao Senhor para nos livrar da dor e a salvação buscar Obediente na oração e também na eucaristia para salvação ganhar.

Muralha de Aço

Poema de Clara Leda para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Clara Leda Ibiapaba, Serra Grande, majestosa Lendo e conhecendo tua história Em idos dias e outroras Sinto um orgulho danado de ti. És uma muralha forte, Suporte em aço Sem início e sem fim A sustentar o horizonte. És um mar de terras férteis Que deslizam por tuas encostas, Espraiam-se aos teus pés, Manjedoura da fartura. Encravada na tua rocha Em cenário de garoa, Desabrochou, feito flor Minha Ubajara querida. Do alvorecer ao anoitecer A natureza toda canta. Canta no assobio do vento Na boca d’água dos rios Na chuva de prata do luar. Canta a cigarra, canta o sabiá, Canta o povo, louvores, Benditos de sua fé E crê: as bonanças da nossa terra São chuvas de bênçãos divinas. A euforia, em mim, transborda E um orgulho de teu tamanho Toma conta de mim. Celebro! meu grito é eco, Ressoa, revela: Sou ubajarense! Sou Ibiapabana! Por ti faço versos, Cidade amada, terra querida Meu orgulho, minha paixão.

Declaração de amor a Ubajara

Oscar Magalhães, patrono na Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Oscar Magalhães Por ti nasci poeta e para ti será, Ubajara, o meu canto melhor: canto de glória e canto de esperança pelo que és e pelo que hás de ser. Porque vivo dentro de ti, vives dentro de mim, tu me inspiras, eu canto e o meu canto é um clarim em que farei vibrar, num clangor todo novo, a beleza da terra, e do céu, e do povo… E a rega de suor de meu rosto cansado há de fazer florir tua mata e teu prado. Cantarei tuas águas, tuas filhas, teus verdes bosques umbrosos; o que há de mais puro, e mais belo e mais forte… As tuas águas são claras como o zizi da cigarra… Viajor, as vossas mágoas vinde lavar nessas águas… Ó líquidos cristais em que a sede mitigo, águas claras e mansas, vós que não conheceis a perfídia do lago, a malícia do rio, perto do céu, longe do mar, águas crianças, fonte de minha fé, berço de meu lirismo, vós me falais de Deus num contínuo cicio de afago, e eu vos bendigo águas de meu batismo! A beleza de tuas filhas semelha o vôo da andorinha… Se não conheceis o amor, vinde vê-las, viajor! Alvorada de carne, etérea floração de amor e de pureza, herdastes de Iracema um dom imenso: essa graça morena, essa quase tristeza, essa fascinação, que falam da palmeira e da açucena e das manhãs radiantes de verão… em que farei vibrar, num clangor todo novo, a beleza da terra, e do céu, e do povo… E a rega de suor de meu rosto cansado há de fazer florir tua mata e teu prado. Cantarei tuas águas, tuas filhas, teus verdes bosques umbrosos; o que há de mais puro, e mais belo e mais forte… As tuas águas são claras como o zizi da cigarra… Viajor, as vossas mágoas vinde lavar nessas águas… Ó líquidos cristais em que a sede mitigo, águas claras e mansas, vós que não conheceis a perfídia do lago, a malícia do rio, perto do céu, longe do mar, águas crianças, fonte de minha fé, berço de meu lirismo, vós me falais de Deus num contínuo cicio de afago, e eu vos bendigo águas de meu batismo! A beleza de tuas filhas semelha o vôo da andorinha… Se não conheceis o amor, vinde vê-las, viajor! Alvorada de carne, etérea floração de amor e de pureza, herdastes de Iracema um dom imenso: essa graça morena, essa quase tristeza, essa fascinação, que falam da palmeira e da açucena e das manhãs radiantes de verão… Que para vós meu verso seja incenso e turíbulo ardente o coração. Galga o azul teu grande bosque na fronte do piroá. Nessa sombra, ó viajor, adormecei vossa dor! Bosques de minha terra onde não mais estrugem estrupidos de luta, alto soar de inúbia, reside em vós a força e a paz nesta hora dúbia!… Velhos carros de boi, nos desvios, rechinam sobre flores de ipê… Ao longe turturinam rolas pasdas, azuis, cor de ferrugem… Vossa beleza encanta e vossa força aterra! Numa eclosão de sons, num tumulto de cores, num perfume sutil de frutos em sazão, dais alimento e sombra aos lenhadores, e abrigo ao cafezal verde que além se alonga pejado de rubis, louro e farto de orvalho, glorificando a força, a harmonia, o trabalho, no forte martelar sonoro da araponga. Oh, benditos sejais, bosques de minha terra, vós que me dais o céu, dando a meditação!… *** Eu cantarei assim. E esse canto será, na morna paz do campo, o farto pão da espiga e a luz do pirilampo. Que eu seja, para ti, ó colmeia encantada, a beleza e o labor de uma abelha dourada! Ubajara, Ubajara! é tão grande por ti meu amor que, homem, chego a esquecer o meu tormento para cantar teus dias de esplendor! Eu te amo, eu te amo, e à força de te amar, vivo ─ serei por ti essa abelha dourada, morto ─ ressurgirei numa rosa encarnada para te coroar!