Crônica Jornalística ao Dia da Literatura

Toda mulher tem um vestido de festa longo guardado há mais de 200 anos nas entranhas do armário. Então, não me preocupei com o que usar na sessão solene em homenagem ao Dia da Literatura que aconteceu no dia 21 de novembro na Assembleia Legislativa, em Fortaleza.

Observe como o excesso de confiança feminina pode ser arriscado, caro leitor: deixei para experimentar o bendito na véspera do evento. O caimento do crepe de alfaiataria esvoaçante tocando meus tornozelos ficou simplesmente perfeito.

O problema é que fiquei entalada na roupa a ponto de chamar o corpo de bombeiros a vizinha pra me libertar. Passado o infortúnio, encontrei uma peça substituta cujo fecho éclair não chegava ao seu destino final, porém uma gambiarra logo foi improvisada.

Pois bem. Fui escolhida pela Academia Ubajarense de Letras para receber a honraria. É a segunda, sendo que a primeira foi entregue a Francisco Jácome Sobrinho, nosso presidente eleito, na cerimônia do dia 4 de Agosto.

Fiz uma viagem tranquila pela Expresso Guanabara, exceto por um pequeno inconveniente que quase me fez perder o ônibus. Senti falta daquela necessaire cujo interior serve para guardar dinheiro, cartões de crédito/débito e documentos.

O rapaz da agência consultou um GPS digital e me alertou: “O motorista chega, mais ou menos, em 10 minutos”. Voei pra casa de Mop Spray na velocidade da luz. Não sei se você já ficou sabendo, mas as bruxas modernas não usam mais vassouras.

Chegando ao Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé, avistei um rapaz moreno, alto, bonito e sensual. Ele me observava com uma atenção intrigante, enquanto eu imaginava se tratar de um serial killer. “Tô vendo muitos filmes”, pensei.

Mas o homem insistiu no “assédio”, até eu descobrir que ele era o motorista do Uber que eu tinha acionado pelo celular a menos de um minuto. Matuta é o cão mesmo. Aqui no interior, um táxi demora a chegar porque não temos a mesma logística na prestação do serviço.

A solenidade do Dia da Literatura na qual participei no Plenário 13 de Maio foi comemorada com homenagens a escritores e pessoas que contribuem para o mundo das letras no Ceará.

A data é celebrada oficialmente em 17 de novembro, dia do nascimento da escritora, romancista, cronista Rachel de Queiroz (1910-2003). O evento foi proposto pelo deputado Heitor Férrer e viabilizado pelo deputado Evandro Leitão.

Férrer discursou sobre a importância das tradições orais que atravessam o tempo, como as histórias contadas pelos nossos avós que se transformam em registros e relembram os antepassados. “Essa noite memorável permanecerá indelével não apenas nos anais desta casa, mas no meu coração”, concluiu o parlamentar.

Enquanto Lúcio Alcântara pulverizava palavras eloquentes à plateia, eu me emocionava com o fato daquele senhor se dirigir aos adversários com respeito, admiração e, sobretudo, reconhecendo em público a importância da oposição para o campo das ideias e o debate democrático.

Por fim, quero deixar registradas aqui as palavras da empresária Terezinha Mourão, membro efetiva da Academia Ubajarense de Letras:

“Agradeço ao deputado Heitor Férrer por ter nomeado para a homenagem do Dia da Literatura Cearense nossa amiga e acadêmica MONIQUE GOMES, autora do livro ‘A História Surpreendente de Uba e Jara’. É de suma importância que nossa academia, mesmo que embrionária, já esteja sendo palco de duas homenagens importantes da Assembleia Legislativa do nosso estado. Vamos manter a garra, a perseverança e a unidade da nossa academia para que possamos prosperar e carimbar cada vez mais a AULA na história Ubajarense”.

Você sabia que o Ceará é pioneiro em desenvolver uma literatura irreverente, relativamente informal e sincrética? Tudo começou com a formação da Padaria Espiritual (século 19), um grupo formado por escritores, pintores e músicos que se dedicavam a editar um jornal intitulado O Pão — publicação repleta de humor, sagacidade e senso crítico.

Por essas e outras, resolvi narrar este acontecimento com o gênero crônica.

HOMENAGEADOS PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO CEARÁ
SESSÃO SOLENE DIA DA LITERATURA CEARENSE
21 de novembro de 2022

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Francisco Mendes da Rocha, filho de Raimundo Mendes da Rocha e Maria Iria da Conceição, nasceu em 25/05/1925 no Sítio Amazonas, em Ubajara. Ainda criança, foi se criar no Sítio Murici — também conhecido popularmente como "Top" —, onde viveu boa parte de sua infância ao lado da família. Desde muito novo dedicou-se ao trabalho rural, ajudando o pai até os 24 anos de idade e contribuindo também para a criação dos irmãos.Naquele sítio, Francisco foi companheiro do pai nas obrigações da casa e da lavoura. Assumiu, desde menino, responsabilidades próprias de um adulto — um garoto de zona rural que já carregava nos ombros o cuidado com os irmãos mais novos. Esse compromisso precoce chamava a atenção de todos ao seu redor e revelava, ainda na infância, o homem dedicado que ele seria: o mesmo zelo que dedicou aos irmãos, mais tarde dedicaria também à formação e à educação dos próprios filhos. Casou-se com Alfríza Tomaz de Oliveira, com quem constituiu uma família de 11 filhos: José Tomás da Rocha, Raimundo Tomaz da Rocha, Cosme Jucelino Tomaz da Rocha, Damião Jucelio Tomás da Rocha, Margarida Tomaz da Rocha, Mairla Mendes Tomaz, Manuel Mendes Tomaz, Ricardo Tomaz da Rocha, Marleide Tomas da Rocha, Humberto Tomaz da Rocha e Alexandre Tomaz da Rocha. Após o casamento, foi morar no Sítio Boa Vista, propriedade que era sua, onde constituiu e criou sua família. Foi um homem dedicado à criação dos filhos e ao trabalho árduo na agricultura, transmitindo a eles o mesmo empenho que marcou sua própria trajetória. Tornou-se precursor de inovações no cultivo da cana-de-açúcar, preservando e aprimorando a variedade conhecida como cana-roxa, muito apreciada pelos agricultores da época, pois a cana tradicional não apresentava o mesmo rendimento e teor de açúcar que a roxa. Tinha também grande habilidade no trato com os animais: amansava bois para puxar o engenho e transportar a cana, mantendo sempre viva a atividade canavieira de sua propriedade. Em sua casa de engenho eram produzidos diversos derivados da cana-de-açúcar — rapadura, batida e cachaça. Produzia ainda o famoso tijolo de mamão, comercializado por muito tempo nas feiras locais, e experimentou também o tijolo de jaca, aproveitando a fartura da fruta na serra. A propriedade contava ainda com uma casa de farinha, equipada com os instrumentos necessários à produção da época. Fazia de tudo um pouco na agricultura. Foi um dos primeiros da região a plantar tomate, além de se destacar no cultivo de mamão e outras frutas. Na pecuária, criava vacas leiteiras, garantindo o sustento da família e contribuindo para o abastecimento da comunidade. Francisco Mendes da Rocha — o Chico Mendes — representou todo aquele povo trabalhador e agricultor ubajarense que, geração após geração, encontrou nesta terra fértil seu sustento e sua alegria. Sua história foi a de todo trabalhador que enfrentava a lavoura cedo, inovava quando faltava o caminho pronto e se dedicava, acima de tudo, a dar aos filhos a chance de oportunidades. Tinha como meta de vida a dedicação à cultura da cana-de-açúcar, à qual se manteve fiel até o fim de seus dias, numa época em que a atividade canavieira, aos poucos, foi se afastando da região, dando lugar à migração para outras culturas. Ao inaugurarmos este Engenho, homenageamos não só sua memória, mas essa abnegação e esse amor pela cana-de-açúcar — e, com eles, todo o povo de Ubajara que, com o mesmo suor e a mesma fé, lutaram para criar seus filhos e manter viva a força desta cultura canavieira. Depois de uma vida inteira dedicada à terra, ao trabalho e à família, Francisco Mendes da Rocha partiu para a morada do Pai em 01/04/2002, deixando atrás de si um legado de esforço, inovação e amor que permanece vivo em cada filho, em cada neto e em toda esta serra que ele tanto cultivou. Autores: Mairla Mendes e Alexandre Tomaz Organização da Biografia: Rosemberg Tomás

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Por Mairla Mendes, Alexandre Tomaz e Rosemberg Tomás Francisco Mendes da Rocha, filho de Raimundo Mendes da Rocha e Maria Iria da Conceição, nasceu em 25/05/1925 no Sítio Amazonas, em Ubajara. Ainda criança, morou no Sítio Murici — também conhecido popularmente como “Top” —, onde viveu boa parte da infância

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