Encontro Marcado

Melissa Vasconcelos tece comentários acerca do filme Encontro Marcado

Por Melissa Vasconcelos

“Encontro Marcado” é um filme de 1998 que narra a história de como a morte se apaixonou pela vida. Similarmente às paixões humanas, a paixão que a morte sentiu pela vida começou pela vontade de conhecer.

Então, com seu poder espiritual de levar as pessoas ao outro plano em sua devida hora, a morte tomou-se do corpo de um jovem adulto que morreu após conhecer o amor da sua vida, e resolveu experimentar a sensação de estar viva.

Logicamente, o interesse da morte não era só por experimentar a vida, mas de continuar seu trabalho de subtrair outras vidas, cada uma em sua hora exata. Uma das vidas que chegas a sua hora de partida era o pai da mulher pelo qual a morte, no corpo do homem apaixonado, também se apaixonaria.

Nesse sentido, o filme se envereda por caminhos tragicômicos, onde, ao mesmo tempo que a morte, pouco a pouco, se apaixona, em corpo de homem, por uma mulher, e desfruta dos prazeres do corpo, sejam sexuais ou os que despertam os sentidos, a exemplo do paladar, que é acendido na cena em que a morte experimenta, pela primeira vez, o gosto da pasta de amendoim estadunidense, também está no plano terrestre para cumprir a continuidade de seu trabalho: bater o último ponto da vida.

Durante o filme, que tem duração de três deliciosas horas, a morte quase desiste de ser morte e se rende ao prazer da vida. A morte aprende a amar. A morte aprende sobre o cinismo de esconder as obscuridades do globo social, o que podemos ver nos instantes em que a morte oculta a verdadeira identidade de sua amada.

A morte aprende a satisfação de experimentar dos cinco sentidos humanos. A morte aprende a ter compaixão, em suas visitas ao hospital para visitar a vida da médica que lhe encantou e ao enxergar o leito de vida de suas próximas vítimas.

A propósito, uma das vítimas da morte a reconhece no primeiro instante, por sua ligação com religiões de matrizes africanas. “Egum, é você?” Questiona a paciente enferma ao ver a morte em corpo de homem, caído aos encantos da médica, mas ainda sendo quem ele é, a morte.

E quando digo que a morte quase desiste de ser a morte, é porque, além da paixão, aprendeu a amar. Inclusive, amou o senhor a qual veio destinada a finalizar a jornada de vida terrestre, o pai da médica. Senhor esse que o ensinou muitas lições sobre a vida e sobre o que há de mais importante, sobre o principal sentido que motiva os dias, que é o amor, o amar e ser amado.

O quase falecido viveu dias e dias com a morte debaixo de seu teto, por pouco, destruindo seu status profissional de empresário e presidente da empresa, sendo, a princípio, sarcástico e frívolo para com a vida do idoso, e, como se não bastasse agir como sangue-suga de toda a sua vida, estava “sarrando a sua filha”. O destino é irônico!

Todo o cenário se revirou contra a morte, que de sarrando a filha do espírito que iria levar, evoluiu para amando a filha, amando o pai que iria matar, mando os sabores e libidos do corpo humano. Ao fim, a morte já não queria mais matar o pai da mulher por quem se apaixonou, arrependeu-se de ter levado a vida do homem a quem pertencia o corpo que se apossou, e, para alimentar seu espírito padronizado de egoísmo, pelo amor que sentia pela médica, convenceu-se de que o melhor a se fazer seria matá-la e transformá-la em espírito que pudesse viver a infinitude ao seu lado. Tolice! A médica tinha pai, por quem era muito amada.

E esse pai não deixou que a morte assim o fizesse. O pai reconheceu que a morte, em sua oportunidade de vida, havia se tornado um bom homem, mas que estava confundindo os limites entre a paixão e o amor: a paixão sufoca, prende, e por essa razão, é fugaz e perde o jogo. O amor vem depois, mais amadurecido. Não prende, não sufoca e deixa ir, na certeza de que nada se tem, além do amor. Sentimentos e pessoas não são compráveis, não são coisas que se pode portar e levar no bolso. Assim, o pai da morte a fez refletir sobre o amor.

E a morte, percebendo o quão boa era a vida e o tanto de tempo que sua amada ainda teria para ser feliz, abriu mão de amá-la sem vida, e devolveu a vida do rapaz que tinha subtraído ao outro plano precocemente. Um gesto de amor! Devolver a vida do amor da sua vida – apesar de não ter aberto mão de não levar o outro grande amor da vida da médica, que seria seu pai.

Só que o pai da médica, diferentemente do seu companheiro, já tinha um encontro marcado com a morte, como todos nós temos os nossos e não sabemos quando será. Enquanto não soubermos o dia, e nem tivermos a visita da morte anunciando o nosso fim terreno, que cuidemos de construir, amar e não perdermos tempo. Até a morte quis sentir o gosto da vida. Não percamos tempo. Não percamos o tempo de amar. Não deixemos que o amor nos escape. Cuidemos das nossas.

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A ubajarense Lucivanda Fernandes lançou o livro Crescendo entre as Rosas. Cobertura de Monique Gomes para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes.

Ubajara celebra o lançamento do livro “Crescendo Entre as Rosas”

Por Monique Gomes Na última sexta-feira, 3 de outubro de 2025, o município de Ubajara, conhecido como um dos grandes berços culturais da Serra da Ibiapaba, foi palco de mais um marco literário: o lançamento do livro “Crescendo Entre as Rosas”, escrito pela empresária Lucivanda Fernandes. O evento reuniu familiares, amigos e admiradores da autora em uma tarde de celebração, emoção e inspiração. A cerimônia aconteceu no Espaço Aromas e Flores, empreendimento idealizado pela própria Lucivanda, localizado no bairro Monte Castelo. O local, que oferece experiências multissensoriais por meio de serviços de spa, massagem, perfumaria e cafeteria, foi o cenário perfeito para um encontro que uniu arte, empreendedorismo e sensibilidade. Lucivanda, que é CEO da Fazenda Santo Expedito e diretora da Rota Turística Mirantes da Ibiapaba, apresentou sua obra em formato intimista, cercada por mulheres que fazem parte de sua trajetória. O livro narra em primeira pessoa as vivências de uma mulher que transformou desafios em aprendizados e construiu um legado de fé, coragem e liderança no agronegócio, no turismo de experiência e na perfumaria artesanal. Em entrevista à Camile Mendes, a autora emocionou o público ao falar sobre o significado da obra: “Aqui tem relatos e histórias de quem cresceu estudando, teve muitas experiências, recomeços e espero que inspirem mulheres a recomeçar com o que já têm”, declarou Lucivanda. Com uma narrativa envolvente e inspiradora, “Crescendo Entre as Rosas” convida o leitor a refletir sobre o poder do propósito, a força dos recomeços e o florescer de cada mulher diante dos desafios da vida. “Foi uma noite marcada por emoção, cercada de mulheres incríveis que, em algum momento, cruzaram o meu caminho e deixaram sua marca. Muitas delas me inspiram até hoje… e é para elas e para todas as mulheres que escrevi estas páginas”, completou a autora. Ubajara, terra de grandes escritores e artistas, reafirma assim sua vocação cultural ao celebrar o talento e a sensibilidade de mais uma filha ilustre da cidade. Lucivanda Fernandes, com sua obra de estreia, faz um tributo à força feminina e ao espírito empreendedor da mulher ibiapabana.

Acadêmicos tomam posse na Academia Ubajarense de Letras e Artes

Academia Ubajarense de Letras e Artes realiza cerimônia de posse

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