Perfeição

Por Melissa Vasconcelos

Não gosto de me transformar em nada que eu não seja. Não gosto de me transformar em coisa nenhuma, pois nunca me mantenho em mim mesma.

Sempre nos transformamos em nada do que pensamos, e tudo o que pensamos sobre nós, tripudia-nos como Judas tripudiou Jesus Cristo.

Somos os Judas das nossas vidas, criando máscaras e filtros de definição, quando, na verdade, não sabemos quem somos. Os conceitos que já julguei sobre mim e outros foram trabalhos vãos, mudando como a água que nas cachoeiras.

Em cada gole, descobrimos nuances inesperadas e desconhecidas das nossas profundidades ou superficialidades, não sendo bicho, nem fera: sendo humano.

Significa assim dizer que não somos completos de modo algum, e que ainda que criemos conceitos ou fórmulas, a qualquer hora, nos auto decepcionaremos: somos frágeis, falhos e falsos.

Frágeis por não haver consistência em nossos princípios, de modo que todos estão sujeitos ao erro. Falhos, porque, ainda que a casa esteja bem forjada e preparada, os erros são o constante ofício daquele que se arrisca a viver.

Falsos, porque exigimos dos outros a perfeição e a fidelidade de ser que nem em nós mesmos se há a confiança de cumpri-lo.

Assim, somos todos estúpidos: julgando uns aos outros até os dias das mortes e apontando dedos nos narizes alheios, sem enxergar os poros inflamados do nosso próprio nariz.

O nunca só existe a quem não vive, e o sempre é a mentira daqueles que negam a morte. O mundo apodrece na própria carne. A carne morre na própria pena.

Siga o canal da Academia no WhatsApp e ative as notificações para receber novidades no seu celular.

Leia também:

ACEMES Celebra a Literatura e Anuncia Novos Encontros

ACEMES celebra a literatura e anuncia novos encontros

Por Clara Lêda A noite do dia 17 de setembro do ano em curso foi de comemoração. A Academia Cearense de Médicos Escritores reuniu-se no Ideal Clube, no espaço nomeado José Teles, in memoriam, primeiro presidente da arcádia, fundada em 13 de maio de 2015. Acadêmicos e convidados foram recebidos

Ronildo, Marcelo e convidadas da cerimônia de posse 2026

Três anos de imortalidade: legado, memória e gratidão

Por Marcelo Miranda Hoje, trago em minha fala não apenas minha gratidão por esta honra, mas também a memória de duas figuras que marcaram indelevelmente a história de nossa cidade e que, de formas muito pessoais, inspiram minha trajetória nesta Academia: Monsenhor Francisco Tarcísio de Melo e meu bisavô, o

casa do engenho velho

A casa do Engenho Velho

Por Marilene Eufrásio É um casarão de sítio, recheado de histórias do passado. Um lugar de muitos trabalhadores com muito o que se fazer e, para mim, uma criança curiosa, era um lugar cheio de encantos e ótimo para brincadeiras e estripulias. Hoje, já adulta, o casarão já não é

Fale com a gente

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *