O novo Clube do Livro da Academia Ubajarense de Letras e Artes traz para você leituras organizadas em um cronograma leve, pensado para cerca de três páginas por dia.
Um convite perfeito para quem busca constância, incentivo à leitura e a troca com uma comunidade de leitores interessados em ampliar a visão de mundo por meio de grandes obras.
Um livro por mês, um encontro por mês.
Confira a lista dos livros de 2026.
Leitura de Janeiro 2026
O Conto da Ilha Desconhecida, por José Saramago
44 páginas
Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas. Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Antes, entretanto, ela é submetida a uma série de embates com o status quo, com o estado consolidado das coisas, como se dá resistência às adversidades viesse o mérito e do mérito nascesse o direito à concretização. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a ideia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou.
Leitura de Fevereiro 2026
INTRODUÇÃO À TRILOGIA OBSCENA DE HILDA
A obscena senhora D, por Hilda Hist
80 páginas
A obscena senhora D é uma novela sobre o luto com fartas doses de dramaturgia, filosofia e poesia. Aos sessenta anos, após a morte do marido, Hillé ― a senhora D ― percebe que está absolutamente sozinha. Em seu luto, a protagonista decide viver no vão da escada de casa e experimentar o mais profundo isolamento. Num intenso fluxo de consciência, ela se vê às voltas com lembranças do passado ao mesmo tempo que se pergunta sobre o verdadeiro sentido da vida.
Leitura de Março 2026
A Hora da Estrela, por Clarice Lispector
88 pág
Pouco antes de morrer, em 1977, Clarice Lispector decide se afastar da inflexão intimista que caracteriza sua escrita para desafiar a realidade. O resultado desse salto na extroversão é A hora da estrela, o livro mais surpreendente que escreveu. Se desde Perto do coração selvagem, seu romance de estreia, Clarice estava de corpo inteiro, todo o tempo, no centro de seus relatos, agora a cena é ocupada por personagens que em nada se parecem com ela.
A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.
Leitura de Abril 2026
Carne de Mãe, por Mell Renault
92 Páginas
Toda mulher nasceu para ser mãe? Em uma explosão de sinceridade, a personagem desenvolve uma linguagem coloquial que torna a narrativa fluida. Uma emocionante súplica pelo amor materno.
Os bastidores de uma relação que sempre foi romantizada, em uma história forte e contemporânea. Os traumas que uma filha pode desenvolver devido a uma mãe tóxica, abusiva e desprovida de afeto materno.
Leitura de Maio 2026
A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, por Jorge Amado
95 páginas
Escrita em 1959, essa pequena obra-prima de concisão narrativa e poética é tida por muitos como uma das mais extraordinárias novelas da nossa língua. Numa prosa inebriante, que tangencia o fantástico sem perder o olhar aguçado para as particularidades da sociedade baiana, Jorge Amado narra a história das várias mortes de Joaquim Soares da Cunha, vulgo Quincas Berro Dágua, cidadão exemplar que a certa altura da vida decide abandonar a família e a reputação ilibada para juntar-se à malandragem da cidade. Algum tempo depois, Quincas é encontrado sem vida em seu quarto imundo. Sua envergonhada família tenta restituir-lhe a compostura, vesti-lo e enterrá-lo com decência; mas, no velório, os amigos de copo e farra dão-lhe cachaça, despem-no dos trajes formais e fazem-no voltar a ser o bom e velho Quincas Berro Dágua. Levado ao Pelourinho, o finado Quincas joga capoeira, abraça meretrizes, canta, ri e segue a farra em direção à sua segunda e agora apoteótica morte.
Leitura de Junho 2026
12321 – O Amor é um Palíndromo, por Marina Kon
92 páginas
A autora Marina Kon explora o ciclo vicioso de agressões diversas, infidelidade, adestramento e triangulação praticadas por um homem que busca impor suas vontades. 12321 – O amor é um palíndromo é um romance de narrativa ordinária no mundo machista em que vivemos, mas Marina faz da trágica história uma literatura intensa, cruel e intrigante.
Leitura de Julho 2026
Flor de Gume, por Monique Malcher
136 páginas
Literatura como mergulhar as pernas nos rios do Pará e ouvir palavras que contam meninas presas em infâncias machucadas, mães e mulheres que crescem como plantas de verde profundo, apesar da realidade de violência, e avós que nutrem raízes, que aplicam ervas restauradoras no corpo ferido.
Uma obra mística, que chama entidades e ancestralidades. Contos desenhados em cartas de tarô, estética literária que roda junto com as saias. Uma riqueza de referências. Experiência necessária para a literatura brasileira, que é presenteada com Flor de Gume, o intenso encontro com o Norte do país e o chamamento feito por Monique Malcher, que nos ajuda a furar a ignorância do mercado editorial e, com ela, direciona nossa atenção para além do sudeste.
Leitura de Agosto 2026
Olhos Dágua, por Conceição Evaristo
109 pág
O livro Olhos D’água é uma daquelas obras que nos cortam na carne, como uma navalha afiada, e com intencionalidade. Uma narrativa que tenciona a empatia, colocar o leitor no lugar do outro, de entender o mundo pela perspectiva daquele que narra, de suas personagens e suas tramas. Nenhum leitor passa ileso aos torpedos de realidade lançados por Conceição Evaristo, mas com toda a sensibilidade e riqueza de prosa típicas de uma grande escritora.
Sua escrita se destaca pela “escrevivência”, uma prosa que expressa suas experiências de vida e vivências sociais, propiciando uma multiplicidade de tipos de personagens que vocalizam suas visões de mundo numa perspectiva dos de baixo, dos excluídos, dos que vivem à margem da sociedade, sujeitos ativos que, mesmo vivenciando condições precárias de trabalho e de sociabilidade, lutam pelo protagonismo de suas próprias vidas e histórias.
Leitura de Setembro 2026
Tem Que Fazer Uma Cruz Pra Ela, por Ana Baldo
128 páginas
Em 1931, no Ceará, a seca já começava a dar sinais de sua permanência e a expectativa pela chegada do inverno e das chuvas foi mais longa do que os sertanejos imaginavam. Josué, um dos tantos retirantes em fuga, revela através de seus passos a realidade vivida pelo povo sertanejo na luta pela sobrevivência. Durante a seca de 1932, foram construídos no estado cearense sete campos de concentração para aprisionar retirantes do semiárido e impedir que chegassem a Fortaleza, já abarrotada de flagelados. Inspirado nesse cruel episódio da nossa história e nos depoimentos de sobreviventes, Tem que fazer uma cruz pra ela é uma homenagem à memória das vítimas.
Leitura de Outubro 2026
Gótico |Nordestino, por Cristhiano Aguiar
145 páginas
Em nove contos, Cristhiano Aguiar mergulha nos elementos góticos e folclóricos — buscando referências nas séries televisivas, no cinema e nos quadrinhos — para criar narrativas vibrantes e inesperadas, que fogem da prosa literária tradicional. As histórias vão desde os tempos do cangaço, passando pela ditadura militar e chegando até os ecos sombrios de um futuro próximo.
Leitura de Novembro 2026
Em Agosto nos Vemos, por Gabriel Garcia Marques
132 pág.
Um romance extraordinário que só Gabriel García Márquez poderia escrever, Em agosto nos vemos, livro inédito e póstumo do autor, é um hino à vida, ao desejo feminino e à resistência do prazer apesar da passagem do tempo. Um presente inesperado do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura para o mundo.
Todo mês de agosto, Ana Magdalena Bach pega uma barca para uma ilha caribenha a fim de colocar um ramo de gladíolos no túmulo de sua mãe. Todos os anos, ela se hospeda em um hotel e, antes de dormir, desce para comer algo no bar. Para não ter erro, ela pede sempre o mesmo sanduíche de presunto e queijo e depois sobe para seus aposentos. Até que, certa vez, um homem a convida para uma bebida. E, depois do primeiro gole de seu gim com gelo e soda, sentindo-se atrevida, alegre, capaz de tudo — inclusive de se despir de suas amarras conjugais, esquecendo momentaneamente marido e filhos —, ela cede aos avanços do desconhecido e o leva para seu quarto.
Leitura de Dezembro 2026
Mrs. Dalloway, por Virginia Woolf
240 páginas
Obra mais famosa de Virginia Woolf, Mrs. Dalloway narra um único dia da vida da famosa protagonista Clarissa Dalloway, que percorre as ruas de Londres dos anos 1920 cuidando dos preparativos para a festa que realizará no mesmo dia à noite. Pioneiro na exploração do inconsciente humano por meio do fluxo de consciência, Mrs. Dalloway se consagrou tanto pelo experimentalismo linguístico quanto pelo retrato preciso das transformações da Inglaterra do período entre guerras. Misto de romance psicológico com ensaio filosófico, este livro resiste a classificações simplistas e inaugura um gênero por si só. Precursor de algumas das maiores obras literárias do século XX, este romance é uma leitura incontornável que todo mundo deve fazer ao menos uma vez na vida.









