Literatura como ferramenta de prevenção à violência

Por Monique Gomes

Dom Casmurro Capitu
Dom Casmurro

Durante décadas, perguntamos se Capitu traiu. Dissecamos seus olhos de ressaca. Julgamos seus silêncios. Transformamos uma suspeita masculina em quase sentença. Por trás da moral, há a construção lenta de uma acusação baseada em insegurança, imaginação e sentimento de posse.

Bentinho não arrastou Capitu por mais de um quilômetro depois de atropelá-la, mas matou a reputação dela. Há algo perversamente atual em Dom Casmurro: o narrador é confiável apenas para si mesmo. Ele organiza os fatos para caberem na sua dor. Ele escolhe o que contar. Constrói a culpa da mulher que não tem voz.

Hoje, os jornais estampam números que doem. Quatro feminicídios por dia. Mulheres assassinadas por companheiros, ex-companheiros, homens que dizem amar. Casos de violência vicária — quando o agressor atinge os filhos para ferir a mãe. Denúncias de abuso, pedofilia, silêncios forçados dentro de casa.

Há uma verdadeira guerra de gêneros acontecendo agora – mas é só um lado que ataca. O termo ‘violência doméstica’ é curioso. O agressor é a casa ou o homem? Vamos corrigir: VIOLÊNCIA MASCULINA. Quem sobrevive não se cura. É uma ferida que se abre novamente sempre que acontece com outras mulheres.

Quando lemos sobre vítimas de abuso dentro da própria casa, percebemos que o problema não é novo. Sempre houve um pacto de silêncio. Sempre houve alguém dizendo que era exagero. Em 1992, o cineasta Woody Allen foi acusado de abuso sexual pela filha adotiva, Dylan. Ninguém acreditava.

O caso foi investigado, a criança concedeu nove entrevistas para relatar o ocorrido. Nove. Ela reviveu o abuso várias e várias vezes. Além de negar, Allen jogou a culpa em Mia Farrow, a mãe. Sua parceira na vida e no cinema há décadas. Ele a acusou de induzir a menina a mentir.

Uma série documental foi produzida pela HBO Max em 2021, Allen Contra Farrow. Veja bem. Ele também abusou de outra filha adotiva mas, como ela se tornou adolescente, o vencedor de 4 Oscars construiu uma narrativa de que estava apaixonado e se casou com a garota para sustentar a farsa.

Ocupe o lugar de Mia Farrow por alguns segundos. Ela descobre que o grande amor da vida dela é um pedófilo que se aproveita da inocência das próprias filhas. Mia perdeu o marido, ou a ilusão do marido ideal, ficou dilacerada pelas filhas e ainda teve que convencer as pessoas que o vilão era ele, não ela.

Ocupe o lugar de Gisele Pelicot por alguns segundos. Imagine descobrir que o homem com quem você está casada há 50 anos não apenas traiu sua confiança — mas organizou, silenciosamente, sua violação? Não uma vez. Não por impulso.Mas de forma planejada: havia outros homens. Muitos.

A violência contra a mulher não é apenas um desvio individual. É um fenômeno cultural. E o que isso tem a ver com LITERATURA? Quando identificamos um narrador manipulador, reconhecemos discursos que distorcem fatos. Quando debatemos consentimento em um romance, ensinamos limites na vida real.

A literatura não impede a violência, mas forma pessoas mais conscientes.

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Francisco Mendes da Rocha, filho de Raimundo Mendes da Rocha e Maria Iria da Conceição, nasceu em 25/05/1925 no Sítio Amazonas, em Ubajara. Ainda criança, foi se criar no Sítio Murici — também conhecido popularmente como "Top" —, onde viveu boa parte de sua infância ao lado da família. Desde muito novo dedicou-se ao trabalho rural, ajudando o pai até os 24 anos de idade e contribuindo também para a criação dos irmãos.Naquele sítio, Francisco foi companheiro do pai nas obrigações da casa e da lavoura. Assumiu, desde menino, responsabilidades próprias de um adulto — um garoto de zona rural que já carregava nos ombros o cuidado com os irmãos mais novos. Esse compromisso precoce chamava a atenção de todos ao seu redor e revelava, ainda na infância, o homem dedicado que ele seria: o mesmo zelo que dedicou aos irmãos, mais tarde dedicaria também à formação e à educação dos próprios filhos. Casou-se com Alfríza Tomaz de Oliveira, com quem constituiu uma família de 11 filhos: José Tomás da Rocha, Raimundo Tomaz da Rocha, Cosme Jucelino Tomaz da Rocha, Damião Jucelio Tomás da Rocha, Margarida Tomaz da Rocha, Mairla Mendes Tomaz, Manuel Mendes Tomaz, Ricardo Tomaz da Rocha, Marleide Tomas da Rocha, Humberto Tomaz da Rocha e Alexandre Tomaz da Rocha. Após o casamento, foi morar no Sítio Boa Vista, propriedade que era sua, onde constituiu e criou sua família. Foi um homem dedicado à criação dos filhos e ao trabalho árduo na agricultura, transmitindo a eles o mesmo empenho que marcou sua própria trajetória. Tornou-se precursor de inovações no cultivo da cana-de-açúcar, preservando e aprimorando a variedade conhecida como cana-roxa, muito apreciada pelos agricultores da época, pois a cana tradicional não apresentava o mesmo rendimento e teor de açúcar que a roxa. Tinha também grande habilidade no trato com os animais: amansava bois para puxar o engenho e transportar a cana, mantendo sempre viva a atividade canavieira de sua propriedade. Em sua casa de engenho eram produzidos diversos derivados da cana-de-açúcar — rapadura, batida e cachaça. Produzia ainda o famoso tijolo de mamão, comercializado por muito tempo nas feiras locais, e experimentou também o tijolo de jaca, aproveitando a fartura da fruta na serra. A propriedade contava ainda com uma casa de farinha, equipada com os instrumentos necessários à produção da época. Fazia de tudo um pouco na agricultura. Foi um dos primeiros da região a plantar tomate, além de se destacar no cultivo de mamão e outras frutas. Na pecuária, criava vacas leiteiras, garantindo o sustento da família e contribuindo para o abastecimento da comunidade. Francisco Mendes da Rocha — o Chico Mendes — representou todo aquele povo trabalhador e agricultor ubajarense que, geração após geração, encontrou nesta terra fértil seu sustento e sua alegria. Sua história foi a de todo trabalhador que enfrentava a lavoura cedo, inovava quando faltava o caminho pronto e se dedicava, acima de tudo, a dar aos filhos a chance de oportunidades. Tinha como meta de vida a dedicação à cultura da cana-de-açúcar, à qual se manteve fiel até o fim de seus dias, numa época em que a atividade canavieira, aos poucos, foi se afastando da região, dando lugar à migração para outras culturas. Ao inaugurarmos este Engenho, homenageamos não só sua memória, mas essa abnegação e esse amor pela cana-de-açúcar — e, com eles, todo o povo de Ubajara que, com o mesmo suor e a mesma fé, lutaram para criar seus filhos e manter viva a força desta cultura canavieira. Depois de uma vida inteira dedicada à terra, ao trabalho e à família, Francisco Mendes da Rocha partiu para a morada do Pai em 01/04/2002, deixando atrás de si um legado de esforço, inovação e amor que permanece vivo em cada filho, em cada neto e em toda esta serra que ele tanto cultivou. Autores: Mairla Mendes e Alexandre Tomaz Organização da Biografia: Rosemberg Tomás

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