De imortal para imortal
Por Augusto Eufrásio “As palavras faladas voam, as escritas permanecem” verba volant, scripta manent. Relembrando nesta data o imortal Monsenhor Tarcísio, busquei rever em meus arquivos os vínculos entre dois dos imortais patronos da Academia Ubajarense de Letras: …quinta-feira 12 de dezembro de 2013, ao rogar pela bênção ao reverendo e receber aquele afetuoso “tapinha”. Identifiquei-me como Augusto, neto do ex-vereador “Chico Augusto” e como esquecer do seu conselho, “escreva sobre a história da sua família, pois há muito o que se contar”, após isso convidou-me para ir a sua residência para me presentear com um livro do imortal de nossa Academia: Raimundo Eufrásio (figura 01). No entanto, ao chegar em casa e folhear o então livro, ao ler a dedicatória do livro a maior homenagem naquele dia era para o próprio Monsenhor Tarcísio, que assim recebeu do escritor Raimundo Eufrásio: “Ofereço com muito prazer este modesto livrinho de minha autoria ao nobre e virtuoso Monsenhor Tarcísio de Melo, digno e operoso Vigário de Ubajara, minha amada terra natal, encravada nos cimos da Ibiapaba, onde o céu é mais perto e a alma humana é mais pura, pelos exemplos de grandeza Cristã do autêntico apóstolo de Cristo que tanto tem honrado à Igreja e a Deus para a felicidade de todos os Ibiapabanos e suas piedosas famílias.” Fortaleza, 16 de fevereiro de 1993.- Raimundo Eufrásio de Oliveira
Academia Ubajarense participa do desfile de 7 de Setembro
Por Monique Gomes Dias após a cerimônia de posse dos novos membros, realizada em 27 de agosto na Câmara de Vereadores, a Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) marcou presença no tradicional desfile cívico de 7 de Setembro, em Ubajara. O evento reuniu instituições, escolas e representantes da sociedade civil em uma manhã marcada por cores, emoção e sentimento de patriotismo. A participação da AULA reforçou o papel da cultura, da literatura e das artes como pilares fundamentais da identidade nacional e do desenvolvimento social. “Essa batida da marcha traz memórias felizes da adolescência”, disse Monique Gomes. O Dia da Independência do Brasil, celebrado em todo o país, é uma data que convida à reflexão sobre a soberania, a democracia e os valores que unem a população brasileira. Para os acadêmicos ubajarenses, estar presente no desfile foi também uma forma de reafirmar o compromisso da instituição com a preservação da memória cultural e com o fortalecimento dos laços comunitários.
Academia Ubajarense abre vagas para novos acadêmicos
Por Monique Gomes A Academia Ubajarense de Letras e Artes convida a todos os interessados a concorrerem a uma vaga para ocupar uma das cadeiras da instituição. Se você é apaixonado pelas letras, artes e cultura, essa é a oportunidade para integrar um seleto grupo que tem como missão promover e disseminar o conhecimento e a criatividade na sociedade ubajarense. Leia os requisitos básicos para concorrer a uma vaga e clique na imagem abaixo para se inscrever até o dia 15 de julho de 2025. LER ESTATUTO REQUISITOS PARA CONCORRER A VAGA Para concorrer ao preenchimento de cadeira vaga na Academia de Letras e Artes de Ubajara – AULA o candidato deverá preencher, simultaneamente, os seguintes requisitos: I – ter obra original, publicada ou não, ou ter participado de publicações com trabalhos de significativo valor literário, cultural, científico ou religioso; II – ter reputação ilibada; III – manter residência habitual ou vínculo reconhecido com o município de Ubajara. DIREITOS E DEVERES DOS ASSOCIADOS Art. 9º do Regimento Interno da Academia Ubajarense de Letras e Artes – São DIREITOS do associado fundador e do associado efetivo: I – votar e ser votado, nas eleições da Diretoria; II – votar nas eleições para preenchimento de cadeira vaga nos quadros da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA; III – participar das assembleias gerais, das sessões solenes e das reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais poderá se manifestar, formular propostas e tomar parte nas discussões e decisões; IV – publicar, em veículos de comunicação da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA, trabalhos de sua Autoria, de cunho literário, artístico, gramatical, científico, religioso ou cultural; V – exigir da Diretoria e dos demais membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA obediência ao Estatuto e ao Regimento Interno. Parágrafo 1° – Os associados honorários e os associados correspondentes têm direito de participar das assembleias gerais, sessões solenes, reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais poderão externar suas opiniões, mas sem direito de tomar parte nas votações e decisões. Parágrafo 2° – os benefícios de que trata o inciso IV deste artigo são extensivos aos associados correspondentes, observada a disponibilidade de recursos, segundo critérios definidos pela diretoria. Art. 10 – Extinguem-se os direitos do associado: I – pela renúncia expressa à sua condição de associados; II – pelo falecimento; III – pela sua exclusão do quadro de associados, nos casos previstos neste Estatuto. Art. 11 – São DEVERES dos associados fundadores e efetivos: I – comparecer às assembleias gerais, sessões solenes, reuniões ordinárias e extraordinárias; II – cumprir e fazer cumprir o Estatuto, o Regimento Interno e demais resoluções aprovadas pela Assembleia Geral e pela Diretoria; III – participar ativamente das atividades literárias, culturais e artísticas programadas e realizadas pela Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA; IV – desempenhar cargo na Diretoria, quando eleito para exercê-lo; V – representar a Academia em eventos culturais e literários, quando designado pelo Presidente ou pela Diretoria; VI – pagar, quando do ingresso na Academia, joia correspondente ao valor de um mês da contribuição social que houver sido estabelecida pela Assembleia Geral; VII – pagar, mensalmente, a contribuição estipulada anualmente pela Assembleia Geral (Observação: a taxa mensal é de 30,00 (trinta reais).
Encontro Marcado
Por Melissa Vasconcelos “Encontro Marcado” é um filme de 1998 que narra a história de como a morte se apaixonou pela vida. Similarmente às paixões humanas, a paixão que a morte sentiu pela vida começou pela vontade de conhecer. Então, com seu poder espiritual de levar as pessoas ao outro plano em sua devida hora, a morte tomou-se do corpo de um jovem adulto que morreu após conhecer o amor da sua vida, e resolveu experimentar a sensação de estar viva. Logicamente, o interesse da morte não era só por experimentar a vida, mas de continuar seu trabalho de subtrair outras vidas, cada uma em sua hora exata. Uma das vidas que chegas a sua hora de partida era o pai da mulher pelo qual a morte, no corpo do homem apaixonado, também se apaixonaria. Nesse sentido, o filme se envereda por caminhos tragicômicos, onde, ao mesmo tempo que a morte, pouco a pouco, se apaixona, em corpo de homem, por uma mulher, e desfruta dos prazeres do corpo, sejam sexuais ou os que despertam os sentidos, a exemplo do paladar, que é acendido na cena em que a morte experimenta, pela primeira vez, o gosto da pasta de amendoim estadunidense, também está no plano terrestre para cumprir a continuidade de seu trabalho: bater o último ponto da vida. Durante o filme, que tem duração de três deliciosas horas, a morte quase desiste de ser morte e se rende ao prazer da vida. A morte aprende a amar. A morte aprende sobre o cinismo de esconder as obscuridades do globo social, o que podemos ver nos instantes em que a morte oculta a verdadeira identidade de sua amada. A morte aprende a satisfação de experimentar dos cinco sentidos humanos. A morte aprende a ter compaixão, em suas visitas ao hospital para visitar a vida da médica que lhe encantou e ao enxergar o leito de vida de suas próximas vítimas. A propósito, uma das vítimas da morte a reconhece no primeiro instante, por sua ligação com religiões de matrizes africanas. “Egum, é você?” Questiona a paciente enferma ao ver a morte em corpo de homem, caído aos encantos da médica, mas ainda sendo quem ele é, a morte. E quando digo que a morte quase desiste de ser a morte, é porque, além da paixão, aprendeu a amar. Inclusive, amou o senhor a qual veio destinada a finalizar a jornada de vida terrestre, o pai da médica. Senhor esse que o ensinou muitas lições sobre a vida e sobre o que há de mais importante, sobre o principal sentido que motiva os dias, que é o amor, o amar e ser amado. O quase falecido viveu dias e dias com a morte debaixo de seu teto, por pouco, destruindo seu status profissional de empresário e presidente da empresa, sendo, a princípio, sarcástico e frívolo para com a vida do idoso, e, como se não bastasse agir como sangue-suga de toda a sua vida, estava “sarrando a sua filha”. O destino é irônico! Todo o cenário se revirou contra a morte, que de sarrando a filha do espírito que iria levar, evoluiu para amando a filha, amando o pai que iria matar, mando os sabores e libidos do corpo humano. Ao fim, a morte já não queria mais matar o pai da mulher por quem se apaixonou, arrependeu-se de ter levado a vida do homem a quem pertencia o corpo que se apossou, e, para alimentar seu espírito padronizado de egoísmo, pelo amor que sentia pela médica, convenceu-se de que o melhor a se fazer seria matá-la e transformá-la em espírito que pudesse viver a infinitude ao seu lado. Tolice! A médica tinha pai, por quem era muito amada. E esse pai não deixou que a morte assim o fizesse. O pai reconheceu que a morte, em sua oportunidade de vida, havia se tornado um bom homem, mas que estava confundindo os limites entre a paixão e o amor: a paixão sufoca, prende, e por essa razão, é fugaz e perde o jogo. O amor vem depois, mais amadurecido. Não prende, não sufoca e deixa ir, na certeza de que nada se tem, além do amor. Sentimentos e pessoas não são compráveis, não são coisas que se pode portar e levar no bolso. Assim, o pai da morte a fez refletir sobre o amor. E a morte, percebendo o quão boa era a vida e o tanto de tempo que sua amada ainda teria para ser feliz, abriu mão de amá-la sem vida, e devolveu a vida do rapaz que tinha subtraído ao outro plano precocemente. Um gesto de amor! Devolver a vida do amor da sua vida – apesar de não ter aberto mão de não levar o outro grande amor da vida da médica, que seria seu pai. Só que o pai da médica, diferentemente do seu companheiro, já tinha um encontro marcado com a morte, como todos nós temos os nossos e não sabemos quando será. Enquanto não soubermos o dia, e nem tivermos a visita da morte anunciando o nosso fim terreno, que cuidemos de construir, amar e não perdermos tempo. Até a morte quis sentir o gosto da vida. Não percamos tempo. Não percamos o tempo de amar. Não deixemos que o amor nos escape. Cuidemos das nossas.
Precisamos de mais padeiros espirituais
Por Monique Gomes No fim do século XIX, o mundo estava passando por grandes transformações. Van Gogh pintava “A Noite Estrelada”, o cinema no Brasil dava os primeiros passos e vivíamos os impactos da recente proclamação da República. Enquanto isso, um grupo de jovens inquietos de Fortaleza, Ceará, decidiu fazer sua própria revolução, só que no campo das artes e da literatura. Assim nasceu a Padaria Espiritual, uma agremiação cultural que marcou a história do Ceará e do Brasil. Tudo começou em 1892, no Caffé Java, localizado na histórica Praça do Ferreira. Ali, escritores, desenhistas, pintores e músicos se reuniam para trocar ideias, compartilhar críticas e, acima de tudo, fomentar o gosto pela literatura. Era um tempo em que a capital cearense vivia um certo marasmo cultural, e os jovens membros da Padaria queriam agitar essa realidade com ideias inovadoras. Entre os fundadores estavam nomes como Antônio Sales, que teve papel fundamental na estruturação do grupo. A proposta da Padaria Espiritual era, antes de tudo, bem-humorada. Os membros adotaram uma identidade inspirada no universo das padarias: o presidente era o “Padeiro-mor”, os secretários eram os “forneiros” e os sócios eram “amassadores”. As reuniões eram chamadas de “fornadas”, e a sede do grupo ficou conhecida como “forno”. Mas, por trás dessa leveza, havia um forte compromisso com a arte e a literatura. O que os padeiros faziam além de “pão”? Os membros da Padaria Espiritual tinham uma postura provocativa e irreverente. Eles criticavam tanto a burguesia, que vivia alheia às artes, quanto os intelectuais que viam o progresso apenas como industrialização e modernização econômica. Para os padeiros, o avanço de uma sociedade passava também pelo florescimento da cultura. No começo, os encontros eram marcados por debates regados a bebida, fumo e muita conversa engraçada. Mas, com o tempo, a agremiação tomou um rumo mais sério, passando a produzir conteúdo literário e a incentivar a publicação de livros. O movimento também se tornou um espaço de experimentação artística, onde os participantes podiam exercitar a criatividade sem as amarras das convenções tradicionais. Isso fez da Padaria Espiritual um marco na história cultural do Ceará, influenciando gerações futuras de escritores e artistas. “O Pão”: a voz da Padaria Espiritual Para levar as ideias ao público, os padeiros criaram um jornal chamado “O Pão”. Com esse nome sugestivo, o impresso buscava “alimentar” o povo com literatura e arte. O periódico era publicado aos domingos e se tornou um sucesso em Fortaleza. O jornal trazia seções diversas e publicava poesias, contos e crônicas. Ao todo, foram lançadas 36 edições, que circularam até mesmo em outras partes do Brasil e em Portugal. Cada membro da Padaria tinha a responsabilidade de enviar exemplares para diferentes capitais brasileiras. O legado da Padaria Espiritual Embora tenha durado apenas alguns anos, a Padaria Espiritual deixou uma marca indiscutível na história cultural do Ceará. Seu modelo de associação literária inspirou outros grupos e influenciou o modo como a literatura e as artes passaram a ser vistas na região. Hoje, a história da Padaria Espiritual segue viva, com sua memória preservada em arquivos históricos e pesquisas acadêmicas. Seu espírito irreverente e sua paixão pela arte continuam a inspirar novos escritores e artistas cearenses.
Grande Sertão Veredas vira filme
Por Monique Gomes Sabe quando você lê um livro tão bom que, depois de passar um marca-texto nas frases mais importantes, percebe que está pintando praticamente a folha toda de amarelo? Ou, no livro digital, fica selecionando quase o texto completo, de tão bom que ele é? O filme brasileiro Grande Sertão (2024), disponível no catálogo da GloboPlay, causa essa mesma sensação, embora a gente saiba que é inútil passar um marca-texto na tela da TV. Tudo porque a obra é uma adaptação de Guimarães Rosa. A história traz a complexidade da narrativa de 1956, transpondo a violência do sertão para a realidade de uma favela urbana. Essa releitura, ao mesmo tempo moderna e fiel ao espírito de Guimarães Rosa, torna o clássico acessível a novos públicos. Riobaldo (Caio Blat) é um professor de escola pública que está no meio de um conflito violento entre facções e a polícia. A guerra não é apenas física, mas também filosófica, pessoal e emocional, uma vez que ele se apaixona perdidamente por quem ele acredita que é um homem. O relacionamento entre Riobaldo e Diadorim (Luisa Arraes) é marcado por sentimentos contraditórios e uma lealdade inquebrantável que revela as complexidades das relações humanas, a busca pela identidade e a dificuldade de aceitar as próprias emoções. Diadorim, que se disfarça de homem para poder participar da guerra, representa o desafio da luta pela autenticidade em um mundo de imposições. O filme explora a tensão e o conflito psicológico entre os dois, trazendo questões existenciais que permeiam a obra de Rosa. Além disso, o filme também apresenta personagens como Joca Ramiro (Rodrigo Lombardi), líder de uma facção, e Zé Bebelo (Luís Miranda), que refletem diferentes aspectos da luta pelo poder. Hermogénes (Eduardo Sterblitch), por outro lado, personifica as forças malignas da história, oferecendo uma representação simbólica das trevas que rondam a vida no sertão e na periferia. É uma experiência cinematográfica única, que não só homenageia a obra de Guimarães Rosa, mas também a recontextualiza, fazendo-a falar sobre questões ainda muito presentes na sociedade brasileira. Se você busca um filme que desafie suas concepções sobre amor, lealdade e identidade, assista a Grande Sertão na GloboPlay.