Por Melissa Vasconcelos Gomes

O provérbio do bambu chinês é uma sabedoria e um desafio. No período de inverno, a árvore se curva, porque se permanecesse ereta em meio às tempestades, quebraria. É comparável ao barco que rema contra a maré: a bússola perde a rota, o barco afunda, e nós nos ferimos ou morremos. E se o cotidiano for uma tempestade?
Se, todos os dias, tiver de enfrentar a doença, a desordem, a solidão, a falta de cuidado, de amor? Nem todos os pássaros nasceram em ninhos prontos. O filhote de Cuco nasce empurrado para fora do ninho, sem depender de apoio e proteção parental. O Kiwi, sem asas, já nasce se locomovendo sozinho.
O Beija-flor recebe comida no bico, sendo protegido em um ninho de ouro, com o completo apoio dos pais. O Cuco não tem casa, o Kiwi não tem asas. O Beija-flor, tendo tudo, não possui a força e a independência dos outros dois. Para vencer certas guerras, o combatente deve escolher suas batalhas.
Aqueles que não morrem em campo, sobrevivem em corpo e paralisam por dentro, se não se envergam. Curvar é diferente de deitar. Quem se curva, resiste. Quem se deita, desiste. O bambu atravessa cinco anos sem apresentar resultados aparentes, cresce internamente.
Porém, quando desponta e enraíza profundamente, levanta-se forte e aprende a lidar com o peso do gelo e as temperaturas baixas. Todo inverno anuncia a chegada de um grande verão. Ao chegar, o bambu se ergue, verde em uma tonalidade vibrante. O Kiwi não voa, e o Cuco não tem proteção familiar. Não desistem diante da falta de apoio e afeto, tornam-se as espécies mais fortes. Para sermos resistentes, devemos aceitar a beleza de nossos vazios, dificuldades e imperfeições.

