Academia Ubajarense de Letras e Artes realiza cerimônia de posse

Acadêmicos tomam posse na Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes Na noite de 27 de agosto de 2025, a Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) promoveu a cerimônia de posse de novos membros. O evento, realizado na Câmara de Vereadores de Ubajara, foi marcado pela presença de autoridades, homenagens e forte emoção entre os participantes e a plateia. A solenidade foi aberta pelo presidente da instituição, Nicollas Aguiar, e contou com a entrada dos postulantes, execução do Hino Nacional e leitura do histórico da Academia. Estiveram presentes personalidades como o Promotor de Justiça Dr. Marcos Vinicius, a Dra. Maiza Araújo, representando a magistratura, o senhor Humberto Ribeiro, a Dra. Priscila, representante da OAB, entre outras. Durante a cerimônia, cada acadêmico foi oficialmente empossado com a leitura da biografia de seus respectivos patronos, seguida da apresentação da própria trajetória e finalizada com a entrega do diploma. O momento foi marcado por discursos emocionados. Foram empossados: Em discurso comovente, Marcelo Miranda destacou: “Assumir a cadeira de número 3 da AULA é aceitar um legado. O patrono desta cadeira, Manoel Ferreira de Miranda, não foi apenas um homem de letras de Ubajara, foi também meu bisavô, a quem chamo de Pai Vô.” Após o juramento dos novos acadêmicos, a noite seguiu com o pré-lançamento do livro da acadêmica Ilma de Oliveira, a homenagem ao autor do Hino de Ubajara, José Maria Fernandes, e a execução do hino municipal com a participação de Marcelino Fernandes. A cerimônia foi marcada não apenas pela formalidade e solenidade, mas também pelo sentimento de pertencimento, orgulho e emoção que tomou conta da plateia e dos acadêmicos. Foi um verdadeiro marco cultural para Ubajara, fortalecendo ainda mais a missão da Academia em preservar e valorizar a literatura e as artes da região.

Quem foi João Benício de Sousa?

João Benício, personalidade que viveu em Ubajara, músico talentoso

Por Magna Rodrigues, filha de João Benício. João Benício de Sousa nasceu em Viçosa do Ceará em 2 de Setembro de 1933, cidade onde residiu até um pouco mais de 2 anos e somente aos 3 anos seus pais Antônio Valentim de Sousa e Hermínia de Almeida Braga resolveram morar em Ubajara – até seus últimos dias de vida, passando assim a maior parte de sua infância. Sua família se totalizou em oito irmãos, ele sendo o quarto a nascer. Chegou a estudar em escola particular, no Centro Educandário, com os professores Antônio Canilinha e o tão conhecido professor Assis. Fez o curso de admissão, como era chamado na época, curso que hoje conhecemos como ensino médio. A sua tendência musical foi surgindo com o tempo e logo procurou se aproximar de seu primeiro maestro e professor de música, o Tenente Naninho, onde com muita dificuldade financeira prestava serviço em troca do seu aprendizado. Mas como todo jovem curioso e ainda não satisfeito, resolveu ir embora para São Paulo com 19 anos, em 1948. Assim seguiu para a grande Capital por intermédio de um amigo que lá morava em uma pensão situada na Rua Tapajós, no Bairro Ponte Pequena, próxima a Estação da Luz, com poucos dias de sua chegada a essa pensão, também chegou um outro conterrâneo de nome Agenor Soares, se tornando seu companheiro de quarto e seu primeiro aluno, em seguida passaram a estudar no mesmo conservatório chamado de Conservatório de Música Vila Lobos onde sua mensalidade era patrocinada pela família Cavalcante, de Ubajara, na pessoa do Sr. Zé Cavalcante. João Benício chegou a formar sua própria orquestra, que se chamava Orquestra Benício. O grupo tocava em vários clubes, como: O MARCONDES, ITARIRI e VINTE E OITO. Chegou a se apresentar no Rio de Janeiro, fez diversos programas na TV RECORD, sendo assim bastante requisitado. Ele também formou um quinteto onde fazia os programas na Rádio Nacional somente aos domingos no horário das seis às oito da manhã com sucesso em audiência, tornado-se o mais conhecido e respeitado na área musical. Os ritmos mais executados da época era Rumba, Mambo, tcha-tcha-tcha, Tango,Bolero e Samba canção. Em 1955 arrumou seu primeiro emprego de carteira assinada em 7 de janeiro na Empresa VITRUM S.A. e saiu em 30 de maio de 1957. Em seguida, trabalhou na Indústria de Ampolas Esperança LTDA em 1 de junho de 1957 e saiu em 20 de Agosto de 1958, onde trabalhava de Auxiliar de Maquinista. Seguiu para a Companhia Paulista de Aniagens em 14 de maio de 1959 até 31 de julho de 1959. E assim passaram-se onze anos. Foi quando recebeu o seu tão sonhado Diploma de músico profissional, habilitado pela sua extraordinária capacidade de ler e escrever partituras. Mesmo sendo apto à tocar todo e qualquer tipo de instrumento musical, o Maestro João Benício tinha uma preferência particular e paixão pelos instrumentos de sopro saxofone e clarinete. E logo após a sua diplomação, no final do referido ano, regressou à cidade natal Ubajara, com 26 anos de idade. Agora finalmente titulado maestro, chega a casa de seus pais, onde a noticia logo se espalhou e causou grande rebuliço na cidade: onde todos queriam ver e ouvir João Benício tocar o som de seu instrumento que suava alto aos ouvidos de quem passava por perto. Nos meados de 1960 começa o namoro com Francisca Rodrigues de Sousa (Nenca) e exatamente 10 anos depois se casam e dessa união geram um casal de filhos Magnus Benicio e Magna Rodrigues. No ano de 1972 recebe um convite do Comandante da Polícia Militar do Piauí, Coronel Canuto, para fazer parte da Banda de Música e responsável em transcrever partituras para os demais instrumentos, com o cargo de Cabo assemelhado, levando a família para morar em Teresina. Somente com a morte de seu filho, e tendo recebido transferência para a cidade de Picos (não só para trabalhar como músico, mais também para exercer a profissão de policial), resolveu desertar e regressar novamente para Ubajara. Ao chegar, participou de várias bandas e orquestras: Benício e seu conjunto, Orquestra Santa Cecília (padroeira dos músicos), Orquestra Ritmos Internacionais e o cantor Wanderley. Bem como outras na cidade de Sobral, como: Orquestra do Dr. Amauri Barbosa e Banda, Os Panteras Bossa que pertencia ao presidente do Pálace Clube da cidade e dono de uma fábrica de chapéu, e em Fortaleza, trabalhou com Ivanildo e seu Conjunto. Ainda em Ubajara, ele passou pela Banda Ases do Planalto, na direção do Sr. Zequinha e quando saiu formou sua própria banda BQ Som em sociedade com o advogado Queiroz Pessoa, onde o mesmo, por motivos pessoais, resolve com passar do tempo, sair da sociedade e entregar sua parte ao maestro João Benício, que por sua vez muda novamente o nome da banda para Banda Tropical. Ao longo do tempo, a Prefeitura Municipal de Ubajara, na gestão do prefeito Salustiano Lima de Aguiar, convida o maestro para formar uma Banda Municipal com jovens, onde ele passou a ensinar aos interessados em uma sala perto da prefeitura e muitas vezes em sua própria residência.Sua maior preocupação era deixar esses jovens tocando e lendo partituras e somente quando almejou seu objetivo foi que se fixou como maestro assinando sua carteira em 01 de Dezembro de 1979 tendo a duração de 5 anos e 4 meses no dia 30 de Abril de 1985. Já na gestão do Prefeito Eudes Soares Cunha pede sua demissão pelo motivo de ter sido convidado para trabalhar em outra prefeitura, dessa vez na cidade de Coreaú como maestro regente e formando músicos, ficando por lá cerca de dois anos. Em 1988, em um festejo na cidade de Ubauna,tocando e maestrando a Banda Municipal de Coreaú, o mesmo começou a sentir fortes dores de cabeça durante o evento que o fez voltar a Ubajara e deixar de trabalhar devido sua enfermidade. Exatamente na data de 18 de Novembro do mesmo ano, em Fortaleza, foi detectado através de uma tomografia computadorizada a causa

Academia Ubajarense abre vagas para novos acadêmicos

Vagas abertas para a Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes A Academia Ubajarense de Letras e Artes convida a todos os interessados a concorrerem a uma vaga para ocupar uma das cadeiras da instituição. Se você é apaixonado pelas letras, artes e cultura, essa é a oportunidade para integrar um seleto grupo que tem como missão promover e disseminar o conhecimento e a criatividade na sociedade ubajarense. Leia os requisitos básicos para concorrer a uma vaga e clique na imagem abaixo para se inscrever até o dia 15 de julho de 2025. LER ESTATUTO REQUISITOS PARA CONCORRER A VAGA Para concorrer ao preenchimento de cadeira vaga na Academia de Letras e Artes de Ubajara – AULA o candidato deverá preencher, simultaneamente, os seguintes requisitos: I – ter obra original, publicada ou não, ou ter participado de publicações com trabalhos de significativo valor literário, cultural, científico ou religioso; II – ter reputação ilibada; III – manter residência habitual ou vínculo reconhecido com o município de Ubajara. DIREITOS E DEVERES DOS ASSOCIADOS Art. 9º do Regimento Interno da Academia Ubajarense de Letras e Artes – São DIREITOS do associado fundador e do associado efetivo: I – votar e ser votado, nas eleições da Diretoria; II – votar nas eleições para preenchimento de cadeira vaga nos quadros da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA; III – participar das assembleias gerais, das sessões solenes e das reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais poderá se manifestar, formular propostas e tomar parte nas discussões e decisões; IV – publicar, em veículos de comunicação da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA, trabalhos de sua Autoria, de cunho literário, artístico, gramatical, científico, religioso ou cultural; V – exigir da Diretoria e dos demais membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA obediência ao Estatuto e ao Regimento Interno. Parágrafo 1° – Os associados honorários e os associados correspondentes têm direito de participar das assembleias gerais, sessões solenes, reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais poderão externar suas opiniões, mas sem direito de tomar parte nas votações e decisões. Parágrafo 2° – os benefícios de que trata o inciso IV deste artigo são extensivos aos associados correspondentes, observada a disponibilidade de recursos, segundo critérios definidos pela diretoria. Art. 10 – Extinguem-se os direitos do associado: I – pela renúncia expressa à sua condição de associados; II – pelo falecimento; III – pela sua exclusão do quadro de associados, nos casos previstos neste Estatuto. Art. 11 – São DEVERES dos associados fundadores e efetivos: I – comparecer às assembleias gerais, sessões solenes, reuniões ordinárias e extraordinárias; II – cumprir e fazer cumprir o Estatuto, o Regimento Interno e demais resoluções aprovadas pela Assembleia Geral e pela Diretoria; III – participar ativamente das atividades literárias, culturais e artísticas programadas e realizadas pela Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA; IV – desempenhar cargo na Diretoria, quando eleito para exercê-lo; V – representar a Academia em eventos culturais e literários, quando designado pelo Presidente ou pela Diretoria; VI – pagar, quando do ingresso na Academia, joia correspondente ao valor de um mês da contribuição social que houver sido estabelecida pela Assembleia Geral; VII – pagar, mensalmente, a contribuição estipulada anualmente pela Assembleia Geral (Observação: a taxa mensal é de 30,00 (trinta reais).

Encontro Marcado

Melissa Vasconcelos tece comentários acerca do filme Encontro Marcado

Por Melissa Vasconcelos “Encontro Marcado” é um filme de 1998 que narra a história de como a morte se apaixonou pela vida. Similarmente às paixões humanas, a paixão que a morte sentiu pela vida começou pela vontade de conhecer. Então, com seu poder espiritual de levar as pessoas ao outro plano em sua devida hora, a morte tomou-se do corpo de um jovem adulto que morreu após conhecer o amor da sua vida, e resolveu experimentar a sensação de estar viva. Logicamente, o interesse da morte não era só por experimentar a vida, mas de continuar seu trabalho de subtrair outras vidas, cada uma em sua hora exata. Uma das vidas que chegas a sua hora de partida era o pai da mulher pelo qual a morte, no corpo do homem apaixonado, também se apaixonaria. Nesse sentido, o filme se envereda por caminhos tragicômicos, onde, ao mesmo tempo que a morte, pouco a pouco, se apaixona, em corpo de homem, por uma mulher, e desfruta dos prazeres do corpo, sejam sexuais ou os que despertam os sentidos, a exemplo do paladar, que é acendido na cena em que a morte experimenta, pela primeira vez, o gosto da pasta de amendoim estadunidense, também está no plano terrestre para cumprir a continuidade de seu trabalho: bater o último ponto da vida. Durante o filme, que tem duração de três deliciosas horas, a morte quase desiste de ser morte e se rende ao prazer da vida. A morte aprende a amar. A morte aprende sobre o cinismo de esconder as obscuridades do globo social, o que podemos ver nos instantes em que a morte oculta a verdadeira identidade de sua amada. A morte aprende a satisfação de experimentar dos cinco sentidos humanos. A morte aprende a ter compaixão, em suas visitas ao hospital para visitar a vida da médica que lhe encantou e ao enxergar o leito de vida de suas próximas vítimas. A propósito, uma das vítimas da morte a reconhece no primeiro instante, por sua ligação com religiões de matrizes africanas. “Egum, é você?” Questiona a paciente enferma ao ver a morte em corpo de homem, caído aos encantos da médica, mas ainda sendo quem ele é, a morte. E quando digo que a morte quase desiste de ser a morte, é porque, além da paixão, aprendeu a amar. Inclusive, amou o senhor a qual veio destinada a finalizar a jornada de vida terrestre, o pai da médica. Senhor esse que o ensinou muitas lições sobre a vida e sobre o que há de mais importante, sobre o principal sentido que motiva os dias, que é o amor, o amar e ser amado. O quase falecido viveu dias e dias com a morte debaixo de seu teto, por pouco, destruindo seu status profissional de empresário e presidente da empresa, sendo, a princípio, sarcástico e frívolo para com a vida do idoso, e, como se não bastasse agir como sangue-suga de toda a sua vida, estava “sarrando a sua filha”. O destino é irônico! Todo o cenário se revirou contra a morte, que de sarrando a filha do espírito que iria levar, evoluiu para amando a filha, amando o pai que iria matar, mando os sabores e libidos do corpo humano. Ao fim, a morte já não queria mais matar o pai da mulher por quem se apaixonou, arrependeu-se de ter levado a vida do homem a quem pertencia o corpo que se apossou, e, para alimentar seu espírito padronizado de egoísmo, pelo amor que sentia pela médica, convenceu-se de que o melhor a se fazer seria matá-la e transformá-la em espírito que pudesse viver a infinitude ao seu lado. Tolice! A médica tinha pai, por quem era muito amada. E esse pai não deixou que a morte assim o fizesse. O pai reconheceu que a morte, em sua oportunidade de vida, havia se tornado um bom homem, mas que estava confundindo os limites entre a paixão e o amor: a paixão sufoca, prende, e por essa razão, é fugaz e perde o jogo. O amor vem depois, mais amadurecido. Não prende, não sufoca e deixa ir, na certeza de que nada se tem, além do amor. Sentimentos e pessoas não são compráveis, não são coisas que se pode portar e levar no bolso. Assim, o pai da morte a fez refletir sobre o amor. E a morte, percebendo o quão boa era a vida e o tanto de tempo que sua amada ainda teria para ser feliz, abriu mão de amá-la sem vida, e devolveu a vida do rapaz que tinha subtraído ao outro plano precocemente. Um gesto de amor! Devolver a vida do amor da sua vida – apesar de não ter aberto mão de não levar o outro grande amor da vida da médica, que seria seu pai. Só que o pai da médica, diferentemente do seu companheiro, já tinha um encontro marcado com a morte, como todos nós temos os nossos e não sabemos quando será. Enquanto não soubermos o dia, e nem tivermos a visita da morte anunciando o nosso fim terreno, que cuidemos de construir, amar e não perdermos tempo. Até a morte quis sentir o gosto da vida. Não percamos tempo. Não percamos o tempo de amar. Não deixemos que o amor nos escape. Cuidemos das nossas.

Acadêmicas vão ao cinema para ver filme brasileiro

Acadêmicas vão ao cinema ver filme brasileiro

Por Monique Gomes As acadêmicas Teresinha Moura, Melissa Vasconcelos e Monique Gomes se reuniram no Cine Ibiapaba na noite de 26 de março para testemunhar mais um filme brasileiro de sucesso: Vitória, cuja protagonista é ninguém mais, ninguém menos, que Fernanda Montenegro. Com direção de Andrucha Waddington, Vitória conta a história de Dona Nina, personagem inspirada em Joana da Paz. Aos 95 anos, Fernanda Montenegro entrega uma atuação emocionante, dando vida à idosa que desafiou o crime organizado no Rio de Janeiro. O roteiro, assinado por Paula Fiúza, é baseado no livro Dona Vitória da Paz, de Fábio Gusmão, o mesmo jornalista que ajudou a tornar a história de Joana conhecida. O longa foi produzido pela Conspiração e teve suas filmagens iniciadas em 2022. O impacto da história de Joana foi tão grande que, em agosto de 2024, ela recebeu postumamente o Prêmio Construtor da Paz da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), um reconhecimento merecido por sua coragem e contribuição à sociedade. Quem é Joana da Paz, cujo pseudônimo é Vitória? Imagine uma senhora de 80 anos que mora sozinha em um apartamento no Rio de Janeiro, convivendo diariamente com a violência e o crime organizado acontecendo bem ali, diante de seus olhos. Mas, em vez de apenas observar e sentir medo, ela decide agir. Esse é o ponto de partida da história de Joana Zeferino da Paz, a mulher que inspirou o filme. Dona Joana morava na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, e, inconformada com o aumento da violência em sua comunidade, começou a registrar tudo com uma câmera caseira. Traficantes, policiais corruptos, trocas de tiros… tudo foi documentado por ela. Mas, ao levar as provas para a polícia, sua história foi inicialmente ignorada. Isso mudou quando o policial Aurílio Nascimento percebeu a importância do material e a conectou ao jornalista Fábio Gusmão, que levou a história ao grande público. Com suas gravações, Joana ajudou a desmascarar uma quadrilha de traficantes e policiais corruptos, resultando na prisão de cerca de 30 pessoas. Mas seu ato de coragem teve um preço: ela precisou entrar no Programa de Proteção à Testemunha e mudar de identidade, passando a ser chamada de “Vitória”. Durante anos, o verdadeiro nome de dona Joana permaneceu em segredo, sendo revelado apenas em 2023, após seu falecimento. Sua luta foi reconhecida nacional e internacionalmente, tornando-a um símbolo de resistência e coragem cidadã. Vitória é um filme que vai além do entretenimento; é um tributo a uma mulher que, com uma simples câmera, enfrentou um sistema corrupto e fez história.

Academia Ubajarense planeja calendário de eventos

Academia Ubajarense planeja calendário de eventos

Por Monique Gomes No dia 15 de março de 2025, às 14 horas, membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes reuniram-se no Hotel Fazenda Engenho Velho, em Ubajara, para discutir os rumos da instituição e celebrar conquistas recentes. Durante o encontro, os acadêmicos comemoraram o lançamento do livro Gruta do Ceará, um conto indígena assinado pelo acadêmico Henrique Moreira. A obra reforça o compromisso com a valorização da cultura e da literatura. Logo após, Ronildo Nascimento, secretário da Academia, procedeu com a leitura da última ata, permitindo que todos os presentes ficassem a par dos acontecimentos e decisões anteriores. Em seguida, a tesoureira Teresinha Moura apresentou uma proposta para o ajuste financeiro da Academia, que foi aprovada por unanimidade. Outro ponto de destaque foi a intervenção de Joaquim Aristides, doador do terreno onde será construída a sede da Academia. Ele ressaltou a importância de demarcar formalmente o imóvel, uma medida que, segundo ele, contribuirá para a consolidação e valorização do espaço destinado às atividades culturais. Além dessas pautas, o presidente da Academia, Nicolas Aguiar, apresentou o calendário de eventos para os próximos meses, reajustado conforme as demandas dos membros. Entre as iniciativas, estão: Por fim, o grupo também abordou estratégias para a aquisição de novos membros e o planejamento da nova cerimônia de posse, que acontecerá em agosto – mês de aniversário da cidade. Com esse movimento, a Academia incentiva a participação de novos talentos e o fortalecimento da cena cultural regional.

21 anos em um dia

Artigo de Melissa Vasconcelos para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Melissa Vasconcelos Na noite do dia 02 de março de 2025, a população brasileira abre o champanhe para receber o reconhecimento de milhares de degraus sobrepostos à construção da cultura brasileira. “Tem maçã, laranja e figo, banana, quem não comeu? Manga não, manga é o perigo, quem provou quase morreu”. Ora, Juca Chaves! Não haveria trilha sonora mais oportuna para discorrer acerca da premiação do Oscar da noite do domingo passado. Para assistir à premiação, preparei a receita do suflê de queijo do livro de receitas da Eunice Paiva, em meio ao clima chuvoso da serra e aos ânimos carnavalescos de Ubajara à flor da pele. Se bem que, na minha cútis, o espírito de bloco e avanços do carnaval não pulsou muito bem esse ano. Porém, para o dia do Oscar, fazendo sol ou chuva, estando eu doce ou agridoce, deleitei-me a me concentrar em meu bom humor, pois não é sempre que se vê uma múltipla premiação – Cinema, História, Literatura, Direito – em uma só estatueta para a Arte Brasileira. A receita do suflê de queijo foi retirada do próprio livro “Ainda Estou Aqui” , que originou o filme de igual nome. Logo pronto, servi-me com o suflê quentinho, para que não murchasse. A preparação do suflê foi um afago ao meu peito, como o restante do meu dia 02 de março assim esteve em suas horas anteriores – pela manhã, recebi uma bolsa que minha madrinha de batismo comprou de presente para meus trabalhos e estudos, e ganhei uma linda blusa verde de crochê de minha madrinha de crisma. Os presentes, sejam de coisas ou de pessoas, precisam ser postos à mesa ao saírem de seus fornos, tal qual ao suflê de queijo, para que não murche. Todo amor, se não servido quente, murcha. O amor é como um suflê de queijo, fogoso e saudoso, bem servido para um dia de chuva. A você que lê, quando ganhares um suflê de queijo, não se demore a degustá-lo, para que não perca a chance de sentir a maciez de uma deglutição sem atrasos, de um paladar sem jogos. Não oportunamente, a celebração do Oscar caiu no domingo de carnaval, o período do ano mais comemorado pelos brasileiros em suas diferentes facetas e formas de articulação. Dessa vez, estendeu-se às vantagens para festejar a Cultura Brasileira, a Literatura Brasileira, a formação política, a História, os Direitos do nosso torrão: Marcelo Rubens Paiva, filho da advogada de Direitos Humanos Eunice Paiva e do deputado federal Rubens Paiva, escreveu geniosamente a obra “Ainda Estou Aqui”, celebrada pelo prêmio Jabuti de Literatura em 2016, na âncora do mundo das Letras, e, agora, quase dez anos depois, adaptado para abrir luz aos olhos e música aos ouvidos – atentos e desatentos – da população brasileira e internacional, em sua adaptação cinematográfica dirigida por Walter Salles de mesmo nome “Ainda Estou Aqui”, com sua resplandecente premiação no Oscar. Entre os anos de 1964 a 1985, parava a sociedade brasileira e se amortecem os juízos e os letrados para o abate dos corpos, o derrame de sangue, as bocas silenciadas, as famílias destruídas e as vidas subtraídas em favor de um regime sanguessuga. Não se abatiam somente as vidas dos deputados federais, defensores, escritores, médicos, músicos: retiravam-se as vidas dos filhos, dos pais, dos irmãos, do alicerce de famílias inteiras. Quando Marcelo Rubens Paiva perdeu seu pai para a repressão ditatorial, tinha apenas 11 anos ao ver, em 1971, a vida de seu pai sendo reduzida como se subtrai de um número de uma conta de matemática, sem retorno de notícias, sem documentações; ao ver sua mãe em luta, tomando as rédeas de uma família de cinco filhos, perdendo o seu grande amor e companheiro em meio a enxurrada de sangue jorrado nos asfaltos da sociedade brasileira, à época. Com certeza, a raiz da veia literária de Marcelo Rubens Paiva nasce da sensibilidade em meio a brutalidade – a manifestação artística de Marcelo por meio da escrita assemelha-se à floração do Mandacaru, sobrevivendo às secas em virtude da capacidade de reter água. As palavras de Rubens Paiva nasceram de socos no estômago, como se resgata da literatura lispectoriana, e de tantos socos e ferros ornamentados ao percorrer da estrada, transborda-se a retenção de palavras em arte resistente, em livro. A sensibilidade provém das rudezas, e a brutalidade provém da ausência de sensibilidade. Por isso, toda a arte costuma desaguar das faltas, e toda a seca costuma advir dos excessos. A quem mais falta, mais nascem mais frutos, ainda que estes demorem a frutificar. Admiramos hoje punho de um escritor que denuncia, por meio de sua brutal sensibilidade e de sua sensibilidade brutal, o rasgo de inúmeras famílias destruídas, o grito sufocado de sua mãe, a dor de cinco filhos em desespero e desamparo. Celebramos a força do cinema e da autenticidade brasileira, e mais do que nunca, lembramos da nossa história como primeiro suplente do juízo. O Oscar de melhor filme internacional para “Ainda Estou Aqui” é de Marcelo Rubens, de Eunice Paiva, de Walter Salles, de Fernanda Montenegro, de Fernanda Torres, de Selton Mello, é Nosso; sobre as nossas lutas, os nossos Direitos, as nossas conquistas, a nossa história, o nosso jeito de escrever, o nosso jeito de atuar, a nossa cultura plural: é para nos lembrar que ainda estamos aqui – não aos prantos, mas sorrindo, como símbolo de força, embate e resistência. Fomos para a bancada de jurados do Oscar o que um suflê de queijo quentinho é para os cinco sentidos dos corpos e um amor sem jogos é para o coração.

Precisamos de mais padeiros espirituais

Padaria Espiritual, artigo de Monique Gomes para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes No fim do século XIX, o mundo estava passando por grandes transformações. Van Gogh pintava “A Noite Estrelada”, o cinema no Brasil dava os primeiros passos e vivíamos os impactos da recente proclamação da República. Enquanto isso, um grupo de jovens inquietos de Fortaleza, Ceará, decidiu fazer sua própria revolução, só que no campo das artes e da literatura. Assim nasceu a Padaria Espiritual, uma agremiação cultural que marcou a história do Ceará e do Brasil. Tudo começou em 1892, no Caffé Java, localizado na histórica Praça do Ferreira. Ali, escritores, desenhistas, pintores e músicos se reuniam para trocar ideias, compartilhar críticas e, acima de tudo, fomentar o gosto pela literatura. Era um tempo em que a capital cearense vivia um certo marasmo cultural, e os jovens membros da Padaria queriam agitar essa realidade com ideias inovadoras. Entre os fundadores estavam nomes como Antônio Sales, que teve papel fundamental na estruturação do grupo. A proposta da Padaria Espiritual era, antes de tudo, bem-humorada. Os membros adotaram uma identidade inspirada no universo das padarias: o presidente era o “Padeiro-mor”, os secretários eram os “forneiros” e os sócios eram “amassadores”. As reuniões eram chamadas de “fornadas”, e a sede do grupo ficou conhecida como “forno”. Mas, por trás dessa leveza, havia um forte compromisso com a arte e a literatura. O que os padeiros faziam além de “pão”? Os membros da Padaria Espiritual tinham uma postura provocativa e irreverente. Eles criticavam tanto a burguesia, que vivia alheia às artes, quanto os intelectuais que viam o progresso apenas como industrialização e modernização econômica. Para os padeiros, o avanço de uma sociedade passava também pelo florescimento da cultura. No começo, os encontros eram marcados por debates regados a bebida, fumo e muita conversa engraçada. Mas, com o tempo, a agremiação tomou um rumo mais sério, passando a produzir conteúdo literário e a incentivar a publicação de livros. O movimento também se tornou um espaço de experimentação artística, onde os participantes podiam exercitar a criatividade sem as amarras das convenções tradicionais. Isso fez da Padaria Espiritual um marco na história cultural do Ceará, influenciando gerações futuras de escritores e artistas. “O Pão”: a voz da Padaria Espiritual Para levar as ideias ao público, os padeiros criaram um jornal chamado “O Pão”. Com esse nome sugestivo, o impresso buscava “alimentar” o povo com literatura e arte. O periódico era publicado aos domingos e se tornou um sucesso em Fortaleza. O jornal trazia seções diversas e publicava poesias, contos e crônicas. Ao todo, foram lançadas 36 edições, que circularam até mesmo em outras partes do Brasil e em Portugal. Cada membro da Padaria tinha a responsabilidade de enviar exemplares para diferentes capitais brasileiras. O legado da Padaria Espiritual Embora tenha durado apenas alguns anos, a Padaria Espiritual deixou uma marca indiscutível na história cultural do Ceará. Seu modelo de associação literária inspirou outros grupos e influenciou o modo como a literatura e as artes passaram a ser vistas na região. Hoje, a história da Padaria Espiritual segue viva, com sua memória preservada em arquivos históricos e pesquisas acadêmicas. Seu espírito irreverente e sua paixão pela arte continuam a inspirar novos escritores e artistas cearenses.

Zé Preto, o dançarino do mercado público

Zé Preto, artigo de Edmundo Macedo

Por Edmundo Macedo (in memoriam) Quase todos os dias, Zé Preto dava presença nas bodegas (mercearia) do Mercado Municipal de Ubajara. Homem simples, descontraído, olhos ligeiramente castanhos no rosto negro davam-lhe um charme raro. Contava e ouvia histórias valentes em defesa dos oprimidos. Reclinado nos balcões das bodegas, conversava sobre o inverno, a seca e questionava os preços do café, feijão, milho, farinha, rapadura, gado leiteiro e para corte, plantio e colheita do CAROÁ (planta de fibras têxteis) lá pras bandas do Carrasco. Entre um trago e outro de cachaça cajueiro do sítio dos Pereira, o assunto de maior atração, era o momento político. José Preto foi um fervoroso e fiel amigo, do Major Pergentino Costa, chefe político de liderança comprovada em toda a serra da Ibiapaba. Este simpático homem vestia-se à capricho. Porte elegantérrimo, exibia feliz, camisas, calças, paletó e gravatas no mais alto estilo da época. Nos dias frientos, ostentava um capote preto (casaco comprido que fazia parte do uniforme militar), não esquecendo o chapéu-côco sobre os cabelos meio grisalhos. Quando aparecia à rua 31 de Dezembro, rumo ao comércio local, seu andar firme parecia um príncipe indo ao encontro de uma princesa Muzunga de raça nobre. Gostava de jogar baralho com o seu grande amigo e protetor Major Pergentino Costa, sem dúvida um dos filhos de Ubajara merecedor de uma estátua na Avenida principal da cidade. Seu amor a Ubajara faz parte da história. O carismático Zé Preto teve como vício e feitiço maior, a dança. Bailava todos os ritmos numa sintonia de passos e movimentos. Não perdia um SAMBA (nome dado às festas nos sítios àquela época). Em salões enfeitada com papel crepom, bandeirolas e laços de fita, a festa não tinha hora certa para terminar. As latadas e terreiros de chão com barro batido ficavam apinhados de dançarinos. Das 8 da noite até madrugada Gonçalo Galvão, o “sanfoneiro” mandava som no baião, samba, forró, chote que rolavam soltos pelas quebradas da serra. G. Galvão e seus dois companheiros (um no pandeiro e outro no ganzã) não dispensavam a quente e saborosa Cajueiro. Haja fôlego para acompanhar os dedos ágeis e precisos nos botões niquelados da sanfona alaranjada do G. Galvão. Cadê o tira-gosto? – gritavam panderista e ganzarista. De repente, surge o maior festeiso e dançarino daquelas paróquias, Zé Preto, todo sorridente, felicidade nos olhos, trazendo nas mãos uma bacia de ágata tamanho médio. Dentro dela, pedacinhos de avoantes chumbadas na véspera, bem torradinhas misturadas na farinha da Serra Grande. Peça um chote, Zé Preto! – pedia Carolina do Pitanga. Num abrir e fechar dos olhos, o chote com G Galvão. Ninguém ficou sentado e nem de pé, todos no salão. A poeria subia rápida com cheiro de terra molhada. Os casais discretamente abraçados no vai-e-vem do chote, exclamavam à meia-voz: “É hoje, Manoel! É hoje, Antônia! Tá bom demais”. Ao término da quintura do chote, uma pausa. Palmas e vivas, formas de agradecer daquela gente humilde e bonita, espalhada na região de clima mais saudável do nosso Ceará. Convivi com este homem honrado e estimado. Em certa ocasião, falou-me: Deixe que eu leia sua mão direita, meu jovem! Ao esticá-la na posição certa, vi que estava amarelada. Rápido pensei e concluí: foi a manga doce que comera na bodega da minha Tia Lúcia. De imediato, apresentei-lhe de novo as linhas da minha mão. Zé Preto, bem calmo, revelou: Meu jovem Edmundo, irás viver um bocado. Nunca lute contra os indefesos; a luta será desigual. Fiquei em silêncio, baixei a cabeça, olhei o chão verde e senti emoção de viver mais um pouco. Os anos caminharam rápido, Um dia em São Paulo, soube que o romântico e simpático Zé Preto havia nos deixado apra sempre. Tenho absoluta certeza que ele está junto aos magos-advinhos em céu todo especial. Zé Preto! Antes que termine este “recordar”, escute este recado: “As dançarinas Pitanguenses, Pavunenses, Olindenses, Gameleirenses, Amazonenses e Itaperacimenses nascidas no município de Ubajara enviam-lhe de coração, eternas saudades. Até hoje sentem falta dos teus passos mágicos e estonteantes ao bailar o samba, o baião, o forró, a valsa e nosso puríssimo chote. Zé Preto! Estou pertinho dos 70 e uns anos. Vivi um bocado; quero mais, adoro a vida. Tuas luzes.

Conheça a história do sítio Matriz

Conheça a história do sítio Matriz, em Ubajara-Ceará

Por Teresinha Araújo Moura O atual Município de Ubajara era habitado primitivamente pelos índios tabajaras. A primeira penetração foi feita por volta de 1604, por Pero Coelho de Souza, que tentou conquistar as terras férteis da serra de Ibiapaba. Auxiliado pelos jesuítas Francisco Pinto e Luís Figueira, promoveu a pacificação dos índios e o desenvolvimento das aldeias que começavam a proliferar às margens do arroio Árabê. A obra dos jesuítas foi interrompida, no entanto, com o trucidamento do padre Francisco Pinto, pelos índios tocarijus, durante uma cerimônia religiosa, no dia 11 de janeiro de 1608, no local onde hoje se ergue a cidade de Ubajara. Em 1877, acossadas pela seca e pela falta de viveres, as famílias de Bartolomeu Fernandes do Rego, Manuel Luis Pereira, Manuel Soares e Silva e Francisco Soares e Silva emigraram das zonas atingidas, instalando-se nos sítios Buriti, Pitanga e Pavuna. Quando a grande seca as atingiu, deslocaram-se para o lado sul de uma lagoa, denominada lagoa do jacaré, ali organizando um arruado que se chamou Jacaré, primitivo nome do Município. O núcleo foi se desenvolvendo, até que, em 1884, um incêndio o destruiu, obrigando os moradores a passarem para terras do lado oposto da lagoa. Em poucos meses reconstruíram o povoado. Em 1886 foi erguida a capela em honra de São José, em terras doadas pelos beneméritos cidadãos José Rufino Pereira, José Lopes Freire e Joaquim Mulato, em 26 de Janeiro de 1883. A capela de São José foi sagrada no ano seguinte pelo primeiro vigário, Padre Manoel Lima de Araújo, da freguesia de São Pedro de Ibiapina, a cuja jurisdição pertenceu durante muitos anos. O distrito de paz foi criado em 1890, com a denominação de Vila de Jacaré. Em 1915, por força da Lei 1.279, de 24 de Agosto, da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, conseguiu o Município autonomia administrativa, passando a denominar – se Ubajara. Hoje, com a população em torno de 35 mil habitantes foi agraciada com uma Casa de Show de alto nível – Castelo Clube – que oferece estrutura para a execução dos mais diversos tipos de eventos, desde Feiras, Congressos, Workshops, Shows Culturais e Festas Sociais (Casamentos, Bodas, Debutantes, Aniversários, etc.). Equipamento privado que veio enriquecer a infraestrutura de apoio ao desenvolvimento do turismo local e regional e ampliar e fortalecer o nosso calendário de eventos. Ubajara, que trabalha para consolidar os seus eventos tradicionais regionais como FEPAI – Feira de Produtos Artesanais e Industriais da Ibiapaba; a Exposição Agropecuária da Ibiapaba; Grandes Carnavais; Tradicional Reveillon, Festejo Junino; Paixão de Cristo; e a Semana do Município, além dos eventos esportivos e ligados à natureza, agora quer investir nos eventos de Congressos e Workshops. História do Sítio Matriz Sítio Matriz, sediado em Ubajara-CE, perfazendo uma área de 93he, sendo 55he de mata nativa, resquícios de Mata Atlântica, pertencente a família Aristides – homens e mulheres que estiveram a frente do seu tempo, sob a matrícula Nº 1617 de 21.05.17 do Cartório de Imóveis de Ubajara-CE – Nº na Receita Federal 5.126.861-2 e Nº no INCRA 147.060.003.395-6. O casal Joaquim Aristides dos Santos e Maria Soares Santos tiveram 10 filhos, sendo 05 homens e 05 mulheres, conseguiu formar 02 deles, um em medicina e o outro em Engenharia Civil, os demais homens assumiram a gestão dos negócios da família – agropecuária, e as mulheres, como era peculiar à época, direcionaram-se para as atividades domésticas, apenas uma delas adentrou para a vida religiosa – Ir. Carlota atuando em Recife, mais precisamente no Hospital Português, onde coordenou o centro cirúrgico, daquele hospital, por vários anos. Destaca-se especialmente o filho Valdemar Aristides dos Santos – que geriu os sítios situados na Serra, mais precisamente em Ubajara-CE e Francisco Aristides dos Santos – que geriu as fazendas situadas em Cariré e Tamboril, localizadas no semiárido cearense. Família regida por princípios éticos sólidos, pautada por uma amizade fraternal sem igual, mantiveram os bens em condomínio e todos se apoiavam na gestão, e todos participavam da lucratividade. Registrou-se a participação especial do engenheiro/construtor Dr. Ariolino Aristides dos Santos e Dr. Pedro Osvaldo Aristides dos Santos – médico, como também de Raimundo Aristides dos Santos – o homem de frente dos serviços – o operacional. Um fato curioso desta prole de 10 filhos foi que apenas 03 casaram-se – Valdemar Aristides com a sobrinha Antônia Mourão Santos – Suraia, Dr. Ariolino Aristides dos Santos, com Suraia Caram, uma mineira com descendência árabe e Maria Santos Mourão com um agropecuarista político de Nova Russas Gonçalo de Aquino Mourão, os demais viveram na solteirice. Fato curioso é o que não faltam nesta família, três deles – Seu Chico, Anízia e Abigail viveram mais de um século. Registra-se na 3ª geração a participação especial de Mouranízia Santos Mourão (Cariré) – a nossa tia Mourinha, que se dedicou especial aos ternos cuidados aos tios, e a gestão das fazendas do sertão, inovando no comércio, com a ajuda do seu sobrinho Joaquim Aristides Neto com as Lojas Caiçaras, em Cariré e Pacujá e em Ubajara com a Movelaria Popular. Nos áureos tempos da década de 50, mais precisamente no apogeu das culturas da cana-de-açúcar e café havia no Sítio Matriz uma locomotiva ao vapor, que gerava energia para alimentar todo um complexo, constituído de engenho de rapadura, serraria e máquina de pilagem de café. No engenho, fabricava-se rapadura, a qual era comercializada para o sertão, através de comboieiros e caminhões via Crateús. Já na serraria, preparavam-se madeiras destinadas à construção, tanto as de produção própria, como também terceiros, de quase toda a Ibiapaba traziam suas matérias-primas – a madeira, para ser beneficiada no Sítio Matriz, inclusive o madeiramento dos Patronatos de Viçosa do Ceará e Ubajara foi oriundo de lá. Com a máquina de pilagem de café, não foi diferente, tanto beneficiava o café de sua própria produção, como também beneficiava o café de outrem. Desta forma o Sítio Matriz foi destaque em toda a região Ibiapabana. Conforme o Livro de anotações da Prefeitura Municipal de Ubajara, denominado – Exploração