Francisco Mendes da Rocha: um homem, uma família, uma história

Francisco Mendes da Rocha, filho de Raimundo Mendes da Rocha e Maria Iria da Conceição, nasceu em 25/05/1925 no Sítio Amazonas, em Ubajara. Ainda criança, foi se criar no Sítio Murici — também conhecido popularmente como "Top" —, onde viveu boa parte de sua infância ao lado da família. Desde muito novo dedicou-se ao trabalho rural, ajudando o pai até os 24 anos de idade e contribuindo também para a criação dos irmãos.Naquele sítio, Francisco foi companheiro do pai nas obrigações da casa e da lavoura. Assumiu, desde menino, responsabilidades próprias de um adulto — um garoto de zona rural que já carregava nos ombros o cuidado com os irmãos mais novos. Esse compromisso precoce chamava a atenção de todos ao seu redor e revelava, ainda na infância, o homem dedicado que ele seria: o mesmo zelo que dedicou aos irmãos, mais tarde dedicaria também à formação e à educação dos próprios filhos. Casou-se com Alfríza Tomaz de Oliveira, com quem constituiu uma família de 11 filhos: José Tomás da Rocha, Raimundo Tomaz da Rocha, Cosme Jucelino Tomaz da Rocha, Damião Jucelio Tomás da Rocha, Margarida Tomaz da Rocha, Mairla Mendes Tomaz, Manuel Mendes Tomaz, Ricardo Tomaz da Rocha, Marleide Tomas da Rocha, Humberto Tomaz da Rocha e Alexandre Tomaz da Rocha. Após o casamento, foi morar no Sítio Boa Vista, propriedade que era sua, onde constituiu e criou sua família. Foi um homem dedicado à criação dos filhos e ao trabalho árduo na agricultura, transmitindo a eles o mesmo empenho que marcou sua própria trajetória. Tornou-se precursor de inovações no cultivo da cana-de-açúcar, preservando e aprimorando a variedade conhecida como cana-roxa, muito apreciada pelos agricultores da época, pois a cana tradicional não apresentava o mesmo rendimento e teor de açúcar que a roxa. Tinha também grande habilidade no trato com os animais: amansava bois para puxar o engenho e transportar a cana, mantendo sempre viva a atividade canavieira de sua propriedade. Em sua casa de engenho eram produzidos diversos derivados da cana-de-açúcar — rapadura, batida e cachaça. Produzia ainda o famoso tijolo de mamão, comercializado por muito tempo nas feiras locais, e experimentou também o tijolo de jaca, aproveitando a fartura da fruta na serra. A propriedade contava ainda com uma casa de farinha, equipada com os instrumentos necessários à produção da época. Fazia de tudo um pouco na agricultura. Foi um dos primeiros da região a plantar tomate, além de se destacar no cultivo de mamão e outras frutas. Na pecuária, criava vacas leiteiras, garantindo o sustento da família e contribuindo para o abastecimento da comunidade. Francisco Mendes da Rocha — o Chico Mendes — representou todo aquele povo trabalhador e agricultor ubajarense que, geração após geração, encontrou nesta terra fértil seu sustento e sua alegria. Sua história foi a de todo trabalhador que enfrentava a lavoura cedo, inovava quando faltava o caminho pronto e se dedicava, acima de tudo, a dar aos filhos a chance de oportunidades. Tinha como meta de vida a dedicação à cultura da cana-de-açúcar, à qual se manteve fiel até o fim de seus dias, numa época em que a atividade canavieira, aos poucos, foi se afastando da região, dando lugar à migração para outras culturas. Ao inaugurarmos este Engenho, homenageamos não só sua memória, mas essa abnegação e esse amor pela cana-de-açúcar — e, com eles, todo o povo de Ubajara que, com o mesmo suor e a mesma fé, lutaram para criar seus filhos e manter viva a força desta cultura canavieira. Depois de uma vida inteira dedicada à terra, ao trabalho e à família, Francisco Mendes da Rocha partiu para a morada do Pai em 01/04/2002, deixando atrás de si um legado de esforço, inovação e amor que permanece vivo em cada filho, em cada neto e em toda esta serra que ele tanto cultivou. Autores: Mairla Mendes e Alexandre Tomaz Organização da Biografia: Rosemberg Tomás

Por Mairla Mendes, Alexandre Tomaz e Rosemberg Tomás Francisco Mendes da Rocha, filho de Raimundo Mendes da Rocha e Maria Iria da Conceição, nasceu em 25/05/1925 no Sítio Amazonas, em Ubajara. Ainda criança, morou no Sítio Murici — também conhecido popularmente como “Top” —, onde viveu boa parte da infância ao lado da família. Desde muito novo dedicou-se ao trabalho rural, ajudando o pai até os 24 anos de idade e contribuindo também para a criação dos irmãos. Naquele sítio, Francisco foi companheiro do pai nas obrigações da casa e da lavoura. Assumiu, desde menino, responsabilidades própriasde um adulto — um garoto de zona rural que já carregava nos ombros o cuidado com os irmãos mais novos. Esse compromisso precoce chamava a atenção de todos ao seu redor e revelava, ainda na infância, o homem dedicado que seria: o mesmo zelo que dedicou aos irmãos, mais tarde dedicaria também à formação e à educação dos próprios filhos. Casou-se com Alfriza Tomaz de Oliveira, com quem constituiu uma família de 11 filhos: José Tomás da Rocha, Raimundo Tomaz da Rocha, Cosme Jucelino Tomaz da Rocha, Damião Jucelio Tomás da Rocha, Margarida Tomaz da Rocha, Mairla Mendes Tomaz, Manuel Mendes Tomaz, Ricardo Tomaz da Rocha, Marleide Tomas da Rocha, Humberto Tomaz da Rocha e Alexandre Tomaz da Rocha. Após o casamento, foi morar no sítio Boa Vista, propriedade que era sua, onde constituiu e criou sua família. Foi um homem dedicado à criação dos filhos e ao trabalho árduo na agricultura, transmitindo a eles o mesmo empenho que marcou sua própria trajetória. Tornou-se precursor de inovações no cultivo da cana-de-açúcar, preservando e aprimorando a variedade conhecida como cana-roxa, muito apreciada pelos agricultores da época, pois a cana tradicional não apresentava o mesmo rendimento e teor de açúcar que a roxa. Tinha também grande habilidade no trato com os animais: amansava bois para puxar o engenho e transportar a cana, mantendo sempre viva a atividade canavieira de sua propriedade. Em sua casa de engenho eram produzidos diversos derivados da cana-de-açúcar — rapadura, batida e cachaça. Produzia ainda o famoso tijolo de mamão, comercializado por muito tempo nas feiras locais, e experimentou também o tijolo de jaca, aproveitando a fartura da fruta na serra. A propriedade contava ainda com uma casa de farinha, equipada com os instrumentos necessários à produção da época. Fazia de tudo um pouco na agricultura. Foi um dos primeiros da região a plantar tomate, além de se destacar no cultivo de mamão e outras frutas. Na pecuária, criava vacas leiteiras, garantindo o sustento da família e contribuindo para o abastecimento da comunidade. Francisco Mendes da Rocha — o Chico Mendes — representou todo aquele povo trabalhador e agricultor ubajarense que, geração após geração, encontrou nesta terra fértil seu sustento e sua alegria. Sua história foi a de todo trabalhador que enfrentava a lavoura cedo, inovava quando faltava o caminho pronto e se dedicava, acima de tudo, a dar aos filhos a chance de oportunidades. Tinha como meta de vida a dedicação à cultura da cana-de-açúcar, à qual se manteve fiel até o fim de seus dias, numa época em que a atividade canavieira, aos poucos, foi se afastando da região, dando lugar à migração para outras culturas. Ao inaugurarmos o Engenho Francisco Mendes da Rocha,homenageamos não só sua memória, mas essa abnegação e o amor pela cana-de-açúcar — e, com eles, todo o povo de Ubajara que, com o mesmo suor e a mesma fé, lutou para criar seus filhos e manter viva a força desta cultura canavieira. Depois de uma vida inteira dedicada à terra, ao trabalho e à família, Francisco Mendes da Rocha partiu para a morada do Pai em 01/04/2002, deixando atrás de si um legado de esforço, inovação e amor que permanece vivo em cada filho, em cada neto e em toda esta serra que ele  tanto cultivou. Autores: Mairla Mendes e Alexandre TomazOrganização da Biografia: Rosemberg Tomás

ACEMES celebra a literatura e anuncia novos encontros

ACEMES Celebra a Literatura e Anuncia Novos Encontros

Por Clara Lêda A noite do dia 17 de setembro do ano em curso foi de comemoração. A Academia Cearense de Médicos Escritores reuniu-se no Ideal Clube, no espaço nomeado José Teles, in memoriam, primeiro presidente da arcádia, fundada em 13 de maio de 2015. Acadêmicos e convidados foram recebidos com música, espumantes, vinhos e outras gentilezas. A abertura da solenidade, a cargo do cerimonial de Vicente Alencar, também escritor, radialista e idealizador da Terça-Feira em prosa e verso, deu-se através da leitura da apresentação da Coletânea ACEMES, de Luiz Moura, atual presidente. O mesmo citou diversos assuntos tratados ao longo do ano, entre os quais o VIII Encontro de Academias Literárias do Ceará, em parceria com a arcádia anfitriã de Camocim, no paradisíaco litoral leste e acrescentou: que venha o IX Encontro em 2027 na eleita e sugestiva sede da AULA, Academia Ubajarense de Letras e Artes, na aconchegante Serra Grande. Vicente Alencar, na ocasião, dedicou um importante momento ao se reportar a acadêmica Clara Lêda, na condição de representante da AULA. A colega Jacira Andrade, ocupante da Cadeira patroneada por Monsenhor Tarcísio, acompanhada de sua sobrinha Kimbelli Andrade, abrilhantaram o momento. A mesa das acadêmicas ubajarenses foi visitada por autoridades, amigos e colegas com registros fotográficos de cada momento. 

Três anos de imortalidade: legado, memória e gratidão

Ronildo, Marcelo e convidadas da cerimônia de posse 2026

Por Marcelo Miranda Hoje, trago em minha fala não apenas minha gratidão por esta honra, mas também a memória de duas figuras que marcaram indelevelmente a história de nossa cidade e que, de formas muito pessoais, inspiram minha trajetória nesta Academia: Monsenhor Francisco Tarcísio de Melo e meu bisavô, o jornalista e escritor Manoel Ferreira de Miranda, patrono da minha cadeira. Monsenhor Tarcísio: Uma Presença que Moldou Minha Vida Nascido em Ibiapina em 22 de dezembro de 1926 e ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1951, Monsenhor Francisco Tarcísio de Melo assumiu a Paróquia de São José de Ubajara em 1º de maio de 1960, onde permaneceu como vigário por cinquenta e quatro anos, até seu falecimento em 11 de abril de 2015. Mas para mim, Monsenhor Tarcísio não é apenas uma figura histórica. É uma presença que moldou minha própria vida. Foi ele quem me preparou e celebrou minha Primeira Comunhão. Lembro-me até hoje da cerimônia, da voz serena do Padre, das palavras que ele nos dirigiu com aquele carinho de quem via em cada criança não apenas um fiel, mas um futuro construtor de Ubajara. Estudei no Colégio Nossa Senhora de Fátima, o “colégio das irmãs”, instituição que ele ajudou a criar e fortalecer, trazendo as Filhas de São Vicente de Paulo para educar nossas gerações. Aquelas paredes, aqueles corredores, aquelas salas de aula foram o palco onde aprendi não apenas a ler e escrever, mas a ser cidadão, a valorizar minha terra, a respeitar meus semelhantes. A Revolução Educacional que Me Tocou A atuação de Monsenhor Tarcísio em Ubajara transcendeu em muito o púlpito. Ele foi, acima de tudo, um visionário da educação que transformou radicalmente o destino de gerações de ubajarenses — incluindo a minha. Em 1966, fundou a Escola Normal do Sagrado Coração, instituição que formou as primeiras professoras primárias da própria cidade. Antes disso, era comum que jovens de Ubajara precisassem migrar para Fortaleza em busca de formação acadêmica — uma realidade que excluía aqueles que não podiam arcar financeiramente com a mudança.  Como registrou a pesquisadora Francisca Tatianni Carneiro Cruz em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal do Ceará, a fundação da Escola Normal foi “de grande relevância para a educação primária ubajarense, já que propiciou a formação dos futuros professores” e “representou mudança significativa para os jovens menos abastados financeiramente que não podiam sair da cidade para prosseguir os estudos”.  Mas sua obra educacional não se limitou à Escola Normal. Monsenhor Tarcísio foi igualmente fundamental na criação do Colégio Nossa Senhora de Fátima, o mesmo colégio onde estudei, instituição que durante décadas ofereceu educação de qualidade às crianças e jovens ubajarenses. O Articulator Comunitário Monsenhor Tarcísio foi um articulador incansável junto aos poderes públicos para a implantação de instituições de ensino em Ubajara. Foi fundamental na doação de terreno para a construção da Escola Estadual Governador Waldemar Alcântara, instituição que hoje carrega o nome de um dos governadores mais importantes do Ceará.  Incentivou a construção de diversas capelas em Ubajara e comunidades rurais, fortalecendo a presença da Igreja Católica não apenas como espaço de fé, mas como centro de convivência e organização comunitária.  A “Biblioteca Humana” de Ubajara Quem conviveu com Monsenhor Tarcísio o descrevia como uma verdadeira “biblioteca humana”, repleta de mitos, contos, histórias e narrativas sobre Ubajara. Ele não apenas transformou a cidade fisicamente com escolas e capelas, mas também preservou e transmitiu a memória coletiva de nosso povo. Era uma figura de respeito e admiração transversal, que dialogava com autoridades municipais, educadores, religiosos e o povo simples da roça com a mesma humildade e sabedoria.  O Legado que Permanece em Mim Faleceu em 11 de abril de 2015 em Fortaleza e foi sepultado no cemitério São José de Ubajara, conforme seu desejo. Mas seu legado permanece vivo — em mim, em cada aluno que passou pelo Colégio das Irmãs, em cada professor formado pela Escola Normal, em cada ubajarense que teve sua vida tocada por ele: Uma escola municipal leva seu nome: EEIEF Monsenhor Francisco Tarcísio Melo Há um feriado municipal em sua homenagem em Ubajara Foi um dos primeiros defensores e idealizadores da criação desta Academia Ubajarense de Letras e Artes Sua memória inspira educadores, escritores e artistas que, como ele, acreditam no poder transformador da cultura e da educação Manoel Ferreira de Miranda (EMMES): O Jornalista das Letras Do outro lado desta história, está meu bisavô, Manoel Ferreira de Miranda, conhecido pelo pseudônimo literário EMMES. Nascido em Granja-CE em 2 de agosto de 1886, mudou-se para Ubajara ainda jovem e aqui desenvolveu sua carreira jornalística e literária. Foi fundador de jornais como “A Ibiapaba” (em parceria com Craveiro Filho), “Gazeta da Serra” (1924-1929) e colaborou com o jornal “O Serrano” em 1909. Em 1929, mudou-se para Fortaleza, onde fundou o vespertino “À Tarde”, atuando como redator. Sua obra literária inclui poesias, sonetos, contos e crônicas, com obras publicadas como “Milagre do Coração” e “Cousas que Acontecem”. Faleceu no Rio de Janeiro em 22 de julho de 1955. “Diário de um Velho”: A Crônica que Une Gerações Em meu livro FRAGMENTOS, há uma crônica intitulada “Diário de um Velho”, na qual meu “Pai Vô”, como chamamos na família, conta a história dele. Esta crônica é mais do que um registro literário: é um elo entre gerações, um testemunho de que as letras em Ubajara têm raízes profundas e que a memória de nossos antepassados deve ser cultivada como fonte de inspiração para as novas gerações de escritores e artistas. Três Anos de Imortalidade: Um Compromisso Pessoal Ao completar três anos dessa Academia, renovo meu compromisso de honrar não apenas o patrono da minha cadeira, mas todos os que, como Monsenhor Tarcísio — que me deu a Primeira Comunhão e me educou no Colégio das Irmãs — e Manoel Ferreira de Miranda — meu bisavô, cuja voz ecoa em minhas crônicas —, dedicaram suas vidas à educação, à cultura e às letras de Ubajara. Que a poesia, as letras e as artes continuem a florescer em

A casa do Engenho Velho

casa do engenho velho

Por Marilene Eufrásio É um casarão de sítio, recheado de histórias do passado. Um lugar de muitos trabalhadores com muito o que se fazer e, para mim, uma criança curiosa, era um lugar cheio de encantos e ótimo para brincadeiras e estripulias. Hoje, já adulta, o casarão já não é tão grande mas continua misterioso.Tomou a forma da casa de encontros e cheio de novidades. Lá se descortinou esse mundo da literatura, o encontro com os artistas a escorrer como um rio por entre os corredores e cômodos. Comecei a desvendar com respeito e paciência cada quarto, cada canto e corredor desta casa do engenho velho agora frequentada por tanta “gente do saber”, gente alegre, a começar pela empatia e acolhimento dos donos Joaquim e Terezinha. Todos convivem na mais perfeita harmonia e todos os dias há motivo de festa.No cômodo da fé, aprendemos com o amor de Santa Terezinha do menino Jesus, no cômodo do fogão de lenha nos deliciamos com as guloseimas e com o cheirinho precioso do café sendo torrado na hora. No cômodo de dormir não tem quem não consiga cochilar em suas belas redes de varandas. Já no salão e rol de entrada as cadeiras de balanço cantam para a gente relaxar.E o cômodo maior? O verde tem de tudo nele e o que se planta se colhe, se consome e se multiplica. É uma bênção estar na Casa do Engenho Velho com tantas coisas boas para viver e uma alegria enriquecedora de compartilhar momentos de amizade de com vocês.

Sobrinho de Padre Tarcísio emociona Academia Ubajarense em encontro sobre Literatura e Medicina

Literatura e Medicina são temas da reunião da Academia Ubajarense de Letras e Artes com participação de Dr. Fernando Melo

Por Monique Gomes A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) realizou, no último dia 1º de agosto, mais uma reunião marcada por reencontros e reflexões sobre o papel da arte na vida das pessoas. O encontro aconteceu no Hotel Fazenda Engenho Velho e teve como convidados especiais o médico oncologista e escritor Dr. Fernando Melo e Dra. Inês Melo. Membro da Academia Cearense de Medicina e da Academia Brasileira de Médicos Escritores (ACMES), Dr. Fernando conduziu uma palestra sobre a estreita relação entre a medicina e a literatura. Logo no início de sua fala, fez uma declaração que chamou a atenção dos presentes: segundo ele, dedicar-se exclusivamente à medicina seria “enlouquecedor”, e foi na literatura que encontrou um espaço de equilíbrio, sensibilidade e sobrevivência emocional. Durante a palestra, o convidado apresentou exemplos de médicos que também marcaram a história da literatura brasileira, como: João Guimarães Rosa, Moacyr Scliar e outros. Para ele, ciência e arte caminham lado a lado, pois ambas exigem sensibilidade para compreender o ser humano em toda a sua complexidade. A presença de Dr. Fernando Melo teve ainda um significado especial para a Academia Ubajarense. Ele é sobrinho de Monsenhor Francisco Tarcísio Melo, patrono da instituição e um dos grandes incentivadores da criação da Academia em Ubajara. Partiu do próprio padre a ideia de fundar uma academia literária no município. Por isso, receber um membro da família em um momento tão simbólico trouxe ainda mais emoção. Fundada em 12 de maio de 1978, a Academia Cearense de Medicina, da qual Dr. Fernando faz parte, é uma associação ético-científica e cultural, sem fins lucrativos, sediada em Fortaleza. Além da atuação médica, a instituição incentiva a produção intelectual e literária dos integrantes, reforçando a integração entre ciência e cultura. A palestra despertou identificação entre diversos participantes. A acadêmica Melissa Vasconcelos compartilhou que seu pai chegou a estudar Medicina, mas não conseguiu concluir o curso. Ela própria se tornou advogada e escritora, e afirmou ter se reconhecido na trajetória apresentada pelo palestrante, que conciliou a carreira médica com a produção literária. Outra intervenção marcante foi a da acadêmica Graciema Fernandes. Enfermeira durante muitos anos e reconhecida como uma das grandes poetisas de Ubajara, ela relembrou passagens da infância e acontecimentos vividos antes da implantação do Polonordeste, programa criado na década de 1970 para promover o desenvolvimento rural integrado da região Nordeste e fortalecer a permanência das famílias no campo. A satisfação também tomou conta de Joaquim Aristides. Ele comemorou o crescimento da Academia e recordou que o próprio Hotel Fazenda Engenho Velho foi berço da instituição. Afinal, foi debaixo daquele mesmo telhado que um grupo de amigos realizou o sonho de criar uma academia dedicada às letras e artes em Ubajara conforme padre Tarcísio sonhava. A reunião contou ainda com a presença dos futuros imortais que tomarão posse ainda neste mês: Marilene Eufrásio, Teresinha Cavalcante e Gustavo Beviláqua, que participou de forma remota. Sensibilizada, Teresinha Cavalcante revelou que ocupará justamente a cadeira pertencente ao seu pai, o saudoso Coronel Cavalcante. Escritora com cinco livros publicados, ela afirmou que assumir esse legado representa uma das maiores honras de sua vida. O encontro também foi oportuno para discussão de pautas importantes, como: Concurso de Poesia 2026, cerimônia de posse dos novos membros e a ideia da coletânea trazida por Clara Leda – reforçada por Dr. Fernando Melo.

ASSECOM inaugura biblioteca comunitária em parceria com CEFEP

biblioteca comunitária ubajara ceará

A Associação para o Entretenimento Comunitário – ASSECOM – realizou a reinauguração da Biblioteca Comunitária no dia 25 de julho. Dessa vez, o acervo de livros infantis ganhou um novo espaço no CEFEP Cursos, localizado no bairro Monte Castelo, em Ubajara. A parceria com o CEFEP é uma novidade que vai beneficiar a população, uma vez que o projeto Arca das Letras constantemente recebe novos livros direto da Biblioteca Central do Estado do Ceará. Incentivar o hábito da leitura desde a infância é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Afinal, isso ajuda as crianças a expandir o vocabulário e desenvolver a criatividade. A escritora Clara Leda protagonizou uma leitura coletiva do livro ‘Uma História Atrapalhada’, de Gianni Rodari. As crianças interagiram com a dinâmica. O grupo Morcegos em Ação, que apresentou arte e música, também foi contemplado com um acervo de livros em braile, que está exposto na biblioteca própria da Associação. O evento contou com a presença dos acadêmicos: Ronildo Nascimento, Clara Leda, Graciema Fernandes, Monique Gomes e Nicolas Aguiar.

II Concurso de Poesia para estudantes: confira o edital

II Concurso de Poesia 2026 Academia Ubajarense de Letras e Artes

A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) anunciou a realização do II Concurso de Poesia 2026, iniciativa voltada para estudantes de escolas públicas e particulares de Ubajara com idade entre 13 e 18 anos. O concurso tem como objetivo incentivar a produção literária entre os jovens, valorizar novos talentos e fortalecer a tradição poética do município. Com o tema “Raízes de Ubajara – O Senhor da Canoa e a Memória do Tempo”, a competição convida os participantes a explorarem, por meio da poesia, aspectos da história, da cultura e das memórias que fazem parte da identidade ubajarense. As inscrições são gratuitas e cada estudante poderá participar com apenas uma poesia inédita, escrita em língua portuguesa e em versos livres. Os trabalhos deverão ser enviados até o dia 7 de agosto de 2026 para o e-mail academiaubajarense@gmail.com com as informações do aluno, como: Nome, idade, endereço, telefone e escola. O certame será dividido em duas categorias: Ensino Fundamental, destinada aos alunos do 9º ano, e Ensino Médio, voltada para estudantes do 1º ao 3º ano. As poesias serão avaliadas por uma comissão formada por membros da Academia e convidados com reconhecida experiência literária. Entre os critérios de avaliação estão originalidade, criatividade, adequação ao tema, qualidade da escrita e recursos poéticos utilizados pelos autores. O regulamento também estabelece que não serão aceitos textos produzidos total ou parcialmente com o uso de inteligência artificial. LEIA O REGULAMENTO NA ÍNTEGRA A premiação acontecerá em sessão solene no dia 20 de agosto de 2026, na Câmara Municipal de Ubajara. Os primeiros colocados receberão troféus e diplomas de honra ao mérito. Também serão premiados os segundos e terceiros lugares, além de professores e escolas que se destacarem.  

AULA participa de encontro literário estadual e confirma Ubajara como sede do próximo evento

Diretoria da Academia presente ao evento literário

A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) participou, no dia 22 de maio de 2026, do VIII Encontro das Academias Literárias do Ceará, realizado na cidade de Camocim. O evento reuniu representantes de academias literárias de várias regiões do estado e promoveu momentos de integração, troca de experiências e valorização da cultura cearense. A participação do grupo aconteceu a convite do Dr. Fernando Melo, sobrinho do patrono Monsenhor Francisco Tarcísio Melo. Foi promovido pela Academia Cearense de Medicina e contou com a presença de médicos, escritores e representantes do meio literário, fortalecendo o diálogo entre cultura, educação e produção intelectual. Durante o evento, a Academia Ubajarense teve a oportunidade de apresentar sua trajetória, objetivos e ações desenvolvidas em Ubajara. A apresentação destacou a identidade cultural da instituição e o compromisso com a valorização da literatura, das artes e da memória regional. Um dos momentos mais importantes foi a candidatura de Ubajara para sediar o IX Encontro das Academias Literárias do Ceará, em 2027. A proposta disputou a escolha com representantes do litoral leste cearense e recebeu expressiva votação, resultado comemorado pelos membros da Academia. Para a diretoria da AULA, a escolha representa uma grande responsabilidade. A expectativa é receber visitantes de várias cidades cearenses e apresentar a riqueza histórica, cultural e natural de Ubajara, além da hospitalidade característica do povo ubajarense.

2026: Academia abre vaga para novos membros

Estão abertas as inscrições para novos membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes.Torne-se um imortal.

A cena cultural de Ubajara ganha um novo capítulo em 2026. A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) anunciou a abertura das inscrições para o preenchimento de novas cadeiras. Escritores, artistas e intelectuais que desejam contribuir para o fomento da identidade local têm até o dia 15 de maio de 2026 para submeterem suas candidaturas. As vagas são limitadas. Quem pode concorrer? Os candidatos devem cumprir três requisitos fundamentais e simultâneos: Produção Intelectual: É necessário possuir obra original (publicada ou inédita) ou ter participação comprovada em publicações que apresentem valor literário, cultural, científico ou outros. Idoneidade: O candidato deve ter reputação ilibada na sociedade. Vínculo com a terra: É exigido manter residência habitual em Ubajara ou possuir um vínculo reconhecido e sólido com o município. Direitos e Deveres Tornar-se um “imortal” da AULA vai além do título; trata-se de um compromisso ativo com o desenvolvimento social e cultural da região. Direitos dos Associados Os membros efetivos e fundadores gozam de plena participação democrática na instituição. Isso inclui o direito de votar e ser votado para a Diretoria e para a escolha de novos membros, além de participar ativamente de assembleias, sessões solenes e reuniões. Um dos grandes atrativos é a possibilidade de utilizar os veículos de comunicação da Academia para publicar trabalhos de autoria própria. Compromissos do Membro A contrapartida exige dedicação. Os acadêmicos devem: Comparecer às sessões e reuniões da instituição; Zelar pelo cumprimento do Estatuto e do Regimento Interno; Participar ativamente das atividades literárias e artísticas da agenda anual; Representar a AULA em eventos externos quando designados. Cadeiras disponíveis Cadeira 25 – Patrono Francisco Cavalcante de Paula; Cadeira 26 – Patrono Fernando Tadeu de Araújo; Cadeira 27 – Patrona Lúcia Soares e Silva. Investimento e Sustentabilidade Para manter as atividades e o espaço físico da Academia, a instituição estabelece critérios financeiros de participação. No ato da posse, o novo membro deverá efetuar o pagamento de uma joia de ingresso no valor de R$ 300,00. Além disso, há uma contribuição mensal de R$ 30,00, destinada à manutenção dos projetos e do funcionamento administrativo da casa. Categorias Especiais O regimento também prevê a figura dos associados honorários e correspondentes. Eles podem participar das discussões e opinar nas reuniões, além de contarem com o suporte para publicações (conforme disponibilidade da diretoria), embora não possuam direito a voto nas decisões administrativas. Serviço: Novas vagas para membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA). Inscrições no site ubajarense.com.br Prazo final: 15 de maio de 2026. Destaque: Oportunidade para produtores de conteúdo literário e artístico com vínculo em Ubajara.

Academia promove debate no dia Internacional da Mulher

dia internacional da mulher na Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes O Hotel Fazenda Engenho Velho foi palco de um encontro promovido pela Academia Ubajarense de Letras e Artes no domingo, dia 8 de Março. Dessa vez, com a presença também de grandes personalidades de diversos segmentos da sociedade. O evento foi organizado por Nicollas Pereira, presidente; Ronildo Nascimento, secretário; Teresinha Moura, tesoureira. Após a declamação de poesias, a programação seguiu com a abordagem de um tema sério que partiu de uma conversa no grupo de WhatsApp da Academia. O Dia Internacional da Mulher é, essencialmente, uma data política. A alusão ao 8 de Março existe em memória das 146 mulheres que morreram queimadas, sufocadas ou ao pularem do nono andar de uma fábrica que pegou fogo. As portas estavam trancadas para evitar que as funcionárias saíssem antes do fim do expediente ou fizessem pausas. A partir desse episódio, cresceram as mobilizações por melhores condições de trabalho, segurança nas fábricas e direitos para as trabalhadoras. É impossível não relacionar o passado com o presente. Por mais que tenhamos conquistado muitos direitos, é difícil conviver com o medo de ser mulher. Todos os dias, mulheres são mortas, abusadas, ou violentadas. Uma pessoa é vítima de estupro a cada 6 minutos. Quatro são mortas diariamente. Detalhe importante: se você nunca praticou nenhum tipo de violência contra a mulher, que bom. Isso não é sobre você. Se o seu marido é exemplar, maravilha. Isso também não é sobre você. Estamos falando de um sistema machista e misógino que se transformou em máquina de matar meninas e mulheres. É impossível ser indiferente ao noticiário. Freira é estuprada dentro do convento; menina é violentada por quatro homens, mulher é arrastada no chão até ficar com as pernas amputadas e morrer logo depois; marido mata os filhos e tira a própria vida. De onde vêm tanto ódio às mulheres? Há uma crise na masculinidade? Questionei os homens. Sei que é desconfortável. Homens também morrem todos os dias – mas há uma enorme diferença aqui. Podemos discordar de muitas coisas, mas assassinato é totalmente diferente de feminicídio. Diferença entre assassinato e feminicídio Assassinato é o termo geral para a morte intencional de uma pessoa. Pode acontecer por vários motivos: disputa, vingança, crime organizado, brigas, assaltos, conflitos pessoais ou outras circunstâncias. Nesse caso, a vítima não é morta por causa do gênero, mas por razões variadas que poderiam envolver qualquer pessoa. Já o Feminicídio é um tipo específico de homicídio em que a mulher é morta por ser mulher. Ou seja, o crime está ligado a fatores como misoginia, controle, sentimento de posse, violência doméstica, ciúme, rejeição ou desprezo pela autonomia feminina. Muitas vezes é praticada por parceiros ou ex-parceiros. No Brasil, o feminicídio foi reconhecido juridicamente pela Lei do Feminicídio, que alterou o Código Penal Brasileiro para tratar esse crime como uma forma qualificada de homicídio, justamente para destacar que existe uma violência dirigida especificamente contra mulheres por razões de gênero. Essa distinção não significa que a morte de homens seja menos grave — toda vida perdida é uma tragédia. A diferença é que o conceito de feminicídio busca dar visibilidade a um padrão específico de violência que atinge mulheres justamente por causa de estruturas sociais de poder, desigualdade e desprezo pelo feminino. Entender essa diferença ajuda a discutir o problema com mais precisão, criar políticas de prevenção e reconhecer quando uma violência não é apenas um crime individual, mas parte de um fenômeno social mais amplo. Mulher no mercado de trabalho A entrada no mercado de trabalho aumenta o que economistas chamam de “poder de barganha” da mulher. Com renda própria, ela deixa de depender do agressor para comer ou sustentar os filhos, o que desestabiliza o controle que o agressor tenta exercer. De acordo com dados da Agência Brasil (2025) e do DataSenado, mulheres que não trabalham têm 3 vezes mais chances de sofrer violência doméstica. Casos de feminicídio costumam estar ligados a contextos onde a mulher apenas disse “não”, tentou se separar ou ganhar autonomia. Quem é responsável pela criança? A educação de uma criança é responsabilidade da família e da sociedade, não um fardo exclusivo da mulher. Por que a culpa recai sobre a mãe que trabalha e não sobre o pai que, muitas vezes, é ausente mesmo estando em casa ou não divide as tarefas de educar? Hoje, o ódio contra as mulheres não nasce na cozinha de casa, mas nas telas. Os jovens são bombardeados por influenciadores que pregam misoginia e a “retomada da dominância masculina”. Se um adolescente é misógino, geralmente está consumindo conteúdo que valida o machismo como forma de “autoafirmação”. O Estado, a escola e a internet têm papéis fundamentais na formação de valores de uma pessoa. Educação sexual não é ensinar sexo O encontro promovido pela Academia Ubajarense de Letras também abordou violência infantil. A criança vítima de estupro demora anos para descobrir que está sendo abusada. Por outro lado, a maioria dos pais se escandalizam ao ouvir o termo “educação sexual”. Quando crianças e adolescentes recebem informação adequada à idade, aprendem coisas básicas e fundamentais: que o corpo tem limites, que existem partes íntimas, que ninguém pode tocar nelas sem consentimento, e que qualquer situação estranha deve ser contada a um adulto de confiança. Esse tipo de educação não incentiva atividade sexual. Pelo contrário: ajuda a prevenir abusos. Falar de educação sexual é, antes de tudo, falar de proteção da infância. É dar às crianças palavras, informação e segurança para reconhecer situações perigosas e pedir ajuda.