ASSECOM inaugura biblioteca comunitária em parceria com CEFEP

biblioteca comunitária ubajara ceará

A Associação para o Entretenimento Comunitário – ASSECOM – realizou a reinauguração da Biblioteca Comunitária no dia 25 de julho. Dessa vez, o acervo de livros infantis ganhou um novo espaço no CEFEP Cursos, localizado no bairro Monte Castelo, em Ubajara. A parceria com o CEFEP é uma novidade que vai beneficiar a população, uma vez que o projeto Arca das Letras constantemente recebe novos livros direto da Biblioteca Central do Estado do Ceará. Incentivar o hábito da leitura desde a infância é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Afinal, isso ajuda as crianças a expandir o vocabulário e desenvolver a criatividade. A escritora Clara Leda protagonizou uma leitura coletiva do livro ‘Uma História Atrapalhada’, de Gianni Rodari. As crianças interagiram com a dinâmica. O grupo Morcegos em Ação, que apresentou arte e música, também foi contemplado com um acervo de livros em braile, que está exposto na biblioteca própria da Associação. O evento contou com a presença dos acadêmicos: Ronildo Nascimento, Clara Leda, Graciema Fernandes, Monique Gomes e Nicolas Aguiar.

II Concurso de Poesia para estudantes: confira o edital

II Concurso de Poesia 2026 Academia Ubajarense de Letras e Artes

A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) anunciou a realização do II Concurso de Poesia 2026, iniciativa voltada para estudantes de escolas públicas e particulares de Ubajara com idade entre 13 e 18 anos. O concurso tem como objetivo incentivar a produção literária entre os jovens, valorizar novos talentos e fortalecer a tradição poética do município. Com o tema “Raízes de Ubajara – O Senhor da Canoa e a Memória do Tempo”, a competição convida os participantes a explorarem, por meio da poesia, aspectos da história, da cultura e das memórias que fazem parte da identidade ubajarense. As inscrições são gratuitas e cada estudante poderá participar com apenas uma poesia inédita, escrita em língua portuguesa e em versos livres. Os trabalhos deverão ser enviados até o dia 7 de agosto de 2026 para o e-mail academiaubajarense@gmail.com com as informações do aluno, como: Nome, idade, endereço, telefone e escola. O certame será dividido em duas categorias: Ensino Fundamental, destinada aos alunos do 9º ano, e Ensino Médio, voltada para estudantes do 1º ao 3º ano. As poesias serão avaliadas por uma comissão formada por membros da Academia e convidados com reconhecida experiência literária. Entre os critérios de avaliação estão originalidade, criatividade, adequação ao tema, qualidade da escrita e recursos poéticos utilizados pelos autores. O regulamento também estabelece que não serão aceitos textos produzidos total ou parcialmente com o uso de inteligência artificial. LEIA O REGULAMENTO NA ÍNTEGRA A premiação acontecerá em sessão solene no dia 20 de agosto de 2026, na Câmara Municipal de Ubajara. Os primeiros colocados receberão troféus e diplomas de honra ao mérito. Também serão premiados os segundos e terceiros lugares, além de professores e escolas que se destacarem.  

AULA participa de encontro literário estadual e confirma Ubajara como sede do próximo evento

Diretoria da Academia presente ao evento literário

A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) participou, no dia 22 de maio de 2026, do VIII Encontro das Academias Literárias do Ceará, realizado na cidade de Camocim. O evento reuniu representantes de academias literárias de várias regiões do estado e promoveu momentos de integração, troca de experiências e valorização da cultura cearense. A participação do grupo aconteceu a convite do Dr. Fernando Melo, sobrinho do patrono Monsenhor Francisco Tarcísio Melo. Foi promovido pela Academia Cearense de Medicina e contou com a presença de médicos, escritores e representantes do meio literário, fortalecendo o diálogo entre cultura, educação e produção intelectual. Durante o evento, a Academia Ubajarense teve a oportunidade de apresentar sua trajetória, objetivos e ações desenvolvidas em Ubajara. A apresentação destacou a identidade cultural da instituição e o compromisso com a valorização da literatura, das artes e da memória regional. Um dos momentos mais importantes foi a candidatura de Ubajara para sediar o IX Encontro das Academias Literárias do Ceará, em 2027. A proposta disputou a escolha com representantes do litoral leste cearense e recebeu expressiva votação, resultado comemorado pelos membros da Academia. Para a diretoria da AULA, a escolha representa uma grande responsabilidade. A expectativa é receber visitantes de várias cidades cearenses e apresentar a riqueza histórica, cultural e natural de Ubajara, além da hospitalidade característica do povo ubajarense.

2026: Academia abre vaga para novos membros

Estão abertas as inscrições para novos membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes.Torne-se um imortal.

A cena cultural de Ubajara ganha um novo capítulo em 2026. A Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) anunciou a abertura das inscrições para o preenchimento de novas cadeiras. Escritores, artistas e intelectuais que desejam contribuir para o fomento da identidade local têm até o dia 15 de maio de 2026 para submeterem suas candidaturas. As vagas são limitadas. Quem pode concorrer? Os candidatos devem cumprir três requisitos fundamentais e simultâneos: Produção Intelectual: É necessário possuir obra original (publicada ou inédita) ou ter participação comprovada em publicações que apresentem valor literário, cultural, científico ou outros. Idoneidade: O candidato deve ter reputação ilibada na sociedade. Vínculo com a terra: É exigido manter residência habitual em Ubajara ou possuir um vínculo reconhecido e sólido com o município. Direitos e Deveres Tornar-se um “imortal” da AULA vai além do título; trata-se de um compromisso ativo com o desenvolvimento social e cultural da região. Direitos dos Associados Os membros efetivos e fundadores gozam de plena participação democrática na instituição. Isso inclui o direito de votar e ser votado para a Diretoria e para a escolha de novos membros, além de participar ativamente de assembleias, sessões solenes e reuniões. Um dos grandes atrativos é a possibilidade de utilizar os veículos de comunicação da Academia para publicar trabalhos de autoria própria. Compromissos do Membro A contrapartida exige dedicação. Os acadêmicos devem: Comparecer às sessões e reuniões da instituição; Zelar pelo cumprimento do Estatuto e do Regimento Interno; Participar ativamente das atividades literárias e artísticas da agenda anual; Representar a AULA em eventos externos quando designados. Cadeiras disponíveis Cadeira 25 – Patrono Francisco Cavalcante de Paula; Cadeira 26 – Patrono Fernando Tadeu de Araújo; Cadeira 27 – Patrona Lúcia Soares e Silva. Investimento e Sustentabilidade Para manter as atividades e o espaço físico da Academia, a instituição estabelece critérios financeiros de participação. No ato da posse, o novo membro deverá efetuar o pagamento de uma joia de ingresso no valor de R$ 300,00. Além disso, há uma contribuição mensal de R$ 30,00, destinada à manutenção dos projetos e do funcionamento administrativo da casa. Categorias Especiais O regimento também prevê a figura dos associados honorários e correspondentes. Eles podem participar das discussões e opinar nas reuniões, além de contarem com o suporte para publicações (conforme disponibilidade da diretoria), embora não possuam direito a voto nas decisões administrativas. Serviço: Novas vagas para membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA). Inscrições no site ubajarense.com.br Prazo final: 15 de maio de 2026. Destaque: Oportunidade para produtores de conteúdo literário e artístico com vínculo em Ubajara.

Academia promove debate no dia Internacional da Mulher

dia internacional da mulher na Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes O Hotel Fazenda Engenho Velho foi palco de um encontro promovido pela Academia Ubajarense de Letras e Artes no domingo, dia 8 de Março. Dessa vez, com a presença também de grandes personalidades de diversos segmentos da sociedade. O evento foi organizado por Nicollas Pereira, presidente; Ronildo Nascimento, secretário; Teresinha Moura, tesoureira. Após a declamação de poesias, a programação seguiu com a abordagem de um tema sério que partiu de uma conversa no grupo de WhatsApp da Academia. O Dia Internacional da Mulher é, essencialmente, uma data política. A alusão ao 8 de Março existe em memória das 146 mulheres que morreram queimadas, sufocadas ou ao pularem do nono andar de uma fábrica que pegou fogo. As portas estavam trancadas para evitar que as funcionárias saíssem antes do fim do expediente ou fizessem pausas. A partir desse episódio, cresceram as mobilizações por melhores condições de trabalho, segurança nas fábricas e direitos para as trabalhadoras. É impossível não relacionar o passado com o presente. Por mais que tenhamos conquistado muitos direitos, é difícil conviver com o medo de ser mulher. Todos os dias, mulheres são mortas, abusadas, ou violentadas. Uma pessoa é vítima de estupro a cada 6 minutos. Quatro são mortas diariamente. Detalhe importante: se você nunca praticou nenhum tipo de violência contra a mulher, que bom. Isso não é sobre você. Se o seu marido é exemplar, maravilha. Isso também não é sobre você. Estamos falando de um sistema machista e misógino que se transformou em máquina de matar meninas e mulheres. É impossível ser indiferente ao noticiário. Freira é estuprada dentro do convento; menina é violentada por quatro homens, mulher é arrastada no chão até ficar com as pernas amputadas e morrer logo depois; marido mata os filhos e tira a própria vida. De onde vêm tanto ódio às mulheres? Há uma crise na masculinidade? Questionei os homens. Sei que é desconfortável. Homens também morrem todos os dias – mas há uma enorme diferença aqui. Podemos discordar de muitas coisas, mas assassinato é totalmente diferente de feminicídio. Diferença entre assassinato e feminicídio Assassinato é o termo geral para a morte intencional de uma pessoa. Pode acontecer por vários motivos: disputa, vingança, crime organizado, brigas, assaltos, conflitos pessoais ou outras circunstâncias. Nesse caso, a vítima não é morta por causa do gênero, mas por razões variadas que poderiam envolver qualquer pessoa. Já o Feminicídio é um tipo específico de homicídio em que a mulher é morta por ser mulher. Ou seja, o crime está ligado a fatores como misoginia, controle, sentimento de posse, violência doméstica, ciúme, rejeição ou desprezo pela autonomia feminina. Muitas vezes é praticada por parceiros ou ex-parceiros. No Brasil, o feminicídio foi reconhecido juridicamente pela Lei do Feminicídio, que alterou o Código Penal Brasileiro para tratar esse crime como uma forma qualificada de homicídio, justamente para destacar que existe uma violência dirigida especificamente contra mulheres por razões de gênero. Essa distinção não significa que a morte de homens seja menos grave — toda vida perdida é uma tragédia. A diferença é que o conceito de feminicídio busca dar visibilidade a um padrão específico de violência que atinge mulheres justamente por causa de estruturas sociais de poder, desigualdade e desprezo pelo feminino. Entender essa diferença ajuda a discutir o problema com mais precisão, criar políticas de prevenção e reconhecer quando uma violência não é apenas um crime individual, mas parte de um fenômeno social mais amplo. Mulher no mercado de trabalho A entrada no mercado de trabalho aumenta o que economistas chamam de “poder de barganha” da mulher. Com renda própria, ela deixa de depender do agressor para comer ou sustentar os filhos, o que desestabiliza o controle que o agressor tenta exercer. De acordo com dados da Agência Brasil (2025) e do DataSenado, mulheres que não trabalham têm 3 vezes mais chances de sofrer violência doméstica. Casos de feminicídio costumam estar ligados a contextos onde a mulher apenas disse “não”, tentou se separar ou ganhar autonomia. Quem é responsável pela criança? A educação de uma criança é responsabilidade da família e da sociedade, não um fardo exclusivo da mulher. Por que a culpa recai sobre a mãe que trabalha e não sobre o pai que, muitas vezes, é ausente mesmo estando em casa ou não divide as tarefas de educar? Hoje, o ódio contra as mulheres não nasce na cozinha de casa, mas nas telas. Os jovens são bombardeados por influenciadores que pregam misoginia e a “retomada da dominância masculina”. Se um adolescente é misógino, geralmente está consumindo conteúdo que valida o machismo como forma de “autoafirmação”. O Estado, a escola e a internet têm papéis fundamentais na formação de valores de uma pessoa. Educação sexual não é ensinar sexo O encontro promovido pela Academia Ubajarense de Letras também abordou violência infantil. A criança vítima de estupro demora anos para descobrir que está sendo abusada. Por outro lado, a maioria dos pais se escandalizam ao ouvir o termo “educação sexual”. Quando crianças e adolescentes recebem informação adequada à idade, aprendem coisas básicas e fundamentais: que o corpo tem limites, que existem partes íntimas, que ninguém pode tocar nelas sem consentimento, e que qualquer situação estranha deve ser contada a um adulto de confiança. Esse tipo de educação não incentiva atividade sexual. Pelo contrário: ajuda a prevenir abusos. Falar de educação sexual é, antes de tudo, falar de proteção da infância. É dar às crianças palavras, informação e segurança para reconhecer situações perigosas e pedir ajuda.

Literatura como ferramenta de prevenção à violência

Dom Casmurro Capitu

Por Monique Gomes Durante décadas, perguntamos se Capitu traiu. Dissecamos seus olhos de ressaca. Julgamos seus silêncios. Transformamos uma suspeita masculina em quase sentença. Por trás da moral, há a construção lenta de uma acusação baseada em insegurança, imaginação e sentimento de posse. Bentinho não arrastou Capitu por mais de um quilômetro depois de atropelá-la, mas matou a reputação dela. Há algo perversamente atual em Dom Casmurro: o narrador é confiável apenas para si mesmo. Ele organiza os fatos para caberem na sua dor. Ele escolhe o que contar. Constrói a culpa da mulher que não tem voz. Hoje, os jornais estampam números que doem. Quatro feminicídios por dia. Mulheres assassinadas por companheiros, ex-companheiros, homens que dizem amar. Casos de violência vicária — quando o agressor atinge os filhos para ferir a mãe. Denúncias de abuso, pedofilia, silêncios forçados dentro de casa. Há uma verdadeira guerra de gêneros acontecendo agora – mas é só um lado que ataca. O termo ‘violência doméstica’ é curioso. O agressor é a casa ou o homem? Vamos corrigir: VIOLÊNCIA MASCULINA. Quem sobrevive não se cura. É uma ferida que se abre novamente sempre que acontece com outras mulheres. Quando lemos sobre vítimas de abuso dentro da própria casa, percebemos que o problema não é novo. Sempre houve um pacto de silêncio. Sempre houve alguém dizendo que era exagero. Em 1992, o cineasta Woody Allen foi acusado de abuso sexual pela filha adotiva, Dylan. Ninguém acreditava. O caso foi investigado, a criança concedeu nove entrevistas para relatar o ocorrido. Nove. Ela reviveu o abuso várias e várias vezes. Além de negar, Allen jogou a culpa em Mia Farrow, a mãe. Sua parceira na vida e no cinema há décadas. Ele a acusou de induzir a menina a mentir. Uma série documental foi produzida pela HBO Max em 2021, Allen Contra Farrow. Veja bem. Ele também abusou de outra filha adotiva mas, como ela se tornou adolescente, o vencedor de 4 Oscars construiu uma narrativa de que estava apaixonado e se casou com a garota para sustentar a farsa. Ocupe o lugar de Mia Farrow por alguns segundos. Ela descobre que o grande amor da vida dela é um pedófilo que se aproveita da inocência das próprias filhas. Mia perdeu o marido, ou a ilusão do marido ideal, ficou dilacerada pelas filhas e ainda teve que convencer as pessoas que o vilão era ele, não ela. Ocupe o lugar de Gisele Pelicot por alguns segundos. Imagine descobrir que o homem com quem você está casada há 50 anos não apenas traiu sua confiança — mas organizou, silenciosamente, sua violação? Não uma vez. Não por impulso.Mas de forma planejada: havia outros homens. Muitos. A violência contra a mulher não é apenas um desvio individual. É um fenômeno cultural. E o que isso tem a ver com LITERATURA? Quando identificamos um narrador manipulador, reconhecemos discursos que distorcem fatos. Quando debatemos consentimento em um romance, ensinamos limites na vida real. A literatura não impede a violência, mas forma pessoas mais conscientes.

Cuco, Kiwi e Bambu

bambu chinês

Por Melissa Vasconcelos Gomes O provérbio do bambu chinês é uma sabedoria e um desafio. No período de inverno, a árvore se curva, porque se permanecesse ereta em meio às tempestades, quebraria. É comparável ao barco que rema contra a maré: a bússola perde a rota, o barco afunda, e nós nos ferimos ou morremos. E se o cotidiano for uma tempestade? Se, todos os dias, tiver de enfrentar a doença, a desordem, a solidão, a falta de cuidado, de amor? Nem todos os pássaros nasceram em ninhos prontos. O filhote de Cuco nasce empurrado para fora do ninho, sem depender de apoio e proteção parental. O Kiwi, sem asas, já nasce se locomovendo sozinho. O Beija-flor recebe comida no bico, sendo protegido em um ninho de ouro, com o completo apoio dos pais. O Cuco não tem casa, o Kiwi não tem asas. O Beija-flor, tendo tudo, não possui a força e a independência dos outros dois. Para vencer certas guerras, o combatente deve escolher suas batalhas. Aqueles que não morrem em campo, sobrevivem em corpo e paralisam por dentro, se não se envergam. Curvar é diferente de deitar. Quem se curva, resiste. Quem se deita, desiste. O bambu atravessa cinco anos sem apresentar resultados aparentes, cresce internamente. Porém, quando desponta e enraíza profundamente, levanta-se forte e aprende a lidar com o peso do gelo e as temperaturas baixas. Todo inverno anuncia a chegada de um grande verão. Ao chegar, o bambu se ergue, verde em uma tonalidade vibrante. O Kiwi não voa, e o Cuco não tem proteção familiar. Não desistem diante da falta de apoio e afeto, tornam-se as espécies mais fortes. Para sermos resistentes, devemos aceitar a beleza de nossos vazios, dificuldades e imperfeições.

Resenha crítico-pessoal de Saneamento Básico, o filme

filme brasileiro

Por Lorena Góis Saneamento Básico, O filme é um dos filmes brasileiros, que sempre apareciam como sugestão em minha página inicial do Youtube. Para minha surpresa, ele realmente estava completo na plataforma. Quem nem sempre teve assinaturas nas plataformas digitais, sabe que é difícil assistir de fato o filme que procura no Youtube, eu mesma só consegui assistir o que queria quando assinei um streamer. Indo direto ao ponto, o filme. Tentei assistir uma vez antes dessa, mas me estranhei com o enredo, estranhei porque o elenco era de peso, mas a história era boba demais (só mais tarde fui entender que isso era proposital). Fernanda Torres e Wagner Moura, quem está lendo isso em 2026 sabe bem o que esses dois representam para o cinema brasileiro, no filme eles são Marina e Joaquim, um casal que foi até a prefeitura de Linha Cristal, uma cidade fictícia que pertenceria ao Estado de Rio Grande do Sul,  pedir a construção de um tratamento de esgoto em sua comunidade, uma fossa. Infelizmente, tiveram o pedido recusado, pois não havia verba para obras, mas havia uma oferta de investimento na produção de um filme de ficção para a prefeitura, vinda do governo federal, e caso um filme, estilo curta-metragem, fosse aprovado nesse concurso, a prefeitura ganharia o dinheiro, e talvez, investiria  na obra da fossa. Esse era o conflito, por isso o chamei de bobo.  Ainda sobre a história, o casal, Marina e Joaquim,  resolveram entrar em um acordo de produzir um filme que falasse sobre a própria obra de tratamento de esgoto, para que o recurso de 10 mil reais fosse adquirido. Nesse ponto, foi até onde assisti a primeira vez, me questionei sobre o interesse na trama, mas fiquei curiosa para entender como funcionaria essas questões burocráticas de verbas públicas para fazer filmes.  Outro dia, após Wagner Moura ser premiado com um Oscar e com o cinema brasileiro em evidência, decidi então que o filme não tinha como ser ruim, posicionei o celular e fui assistir. As cenas que seguiam traziam como coadjuvantes Camila Pitanga e Renato Garcia, interpretando Silene, irmã de Marina, e Fabrício, namorado de Silene. Por essa hora, já me convenci de que algo muito bom estava acontecendo em termos de produção cinematográfica. O filme saneamento básico, começava mostrar seu caráter metalinguístico, e sua qualidade em um filme que fala sobre filme.    Partindo de minha estranheza, causada pela grosseira e irreverente forma como o filme era construído, fui ligeiramente me interessando pelo teor cômico da situação, que em brasileiro se descreve como,  “o puro suco do Brasil”. No filme, o roteiro foi elaborado, e partia-se da história de uma moça que morava nas proximidades de um fosso, o acúmulo de sujidades transformou-se em um monstro, o vilão, que desperta e assassina Silene Seagal. O que acontece com a produção audiovisual é no mínimo caótica, não há planejamento refinado, somente um roteiro mal feito, com muitas ideias sem pensar em como serão aplicadas, uma câmera que tinha poucas fitas e não passaria por uma edição, só gravação sem cortes, e um elenco que não sabia atuar, feito completamente no improviso, o que resulta na entrega de  um vídeo que fale de meio ambiente e tenha 10 minutos, apenas.  Na trama, Zico, interpretado por Lázaro Ramos, salva o projeto, o personagem acaba sendo o diretor e editor, depois de ser contratado por Marina, que percebeu que sem cortes o vídeo estava ruim e contratou um editor. Zico melhora o roteiro e direciona os personagens em como fazer as cenas, capturar os ângulos e atuarem com mais emoção. Ele também é o responsável pela ideia que, para ele, faria a produção ganhar o prêmio, a cena final, uma completa causalidade, pois uma das fitas foi entregue para a edição com imagens de Silene às margens de um rio, rodeada de muitas árvores, posando para a câmera de biquíni. Tal fato se deu, pelo dono das fitas e da câmera, Fabricio,  ser namorado de Silene que vez outra gostavam de fazer capturas mais íntimas, já que eram um casal. As cenas foram entregues a Zico, por descuido, e se tornou o encerramento perfeito da história.  O editor decidiu que uma bela música e muitos efeitos de corte, mostrariam a beleza da natureza e por isso dariam uma ótima finalização ao filme que concorria a uma categoria de meio ambiente. A ideia, que seria controversa, foi aprovada pelos agentes do projeto e fez parte do produto que seria exibido a toda a cidade, mesmo sendo arriscada.  O curta-metragem intitulado O monstro da fossa,, acabou agradando a todos da cidade, incluindo os patrocinadores e o prefeito. No final, o filme ganha o prêmio e faz da cidade de Linha Cristal um ponto turístico, onde pessoas de todos lugares visitam a belíssima cidade onde “O monstro do fosso” foi produzido, inclusive visitam o fosso, que nunca foi consertado. Saneamento básico, O filme de 2007, é dirigido e roteirizado por Jorge Furtado, e também conta com a atuação de outros grandes nomes do cinema brasileiro, como Paulo José, Tonico Pereira, Lúcio Mauro e Raphaella Sirena.  De fato, uma comédia brasileira, que não surpreendentemente, fala sobre o que é fazer arte, e como é falar de questões reais usando a ficção, como é falar de cinema e de Brasil com uma linguagem cômica, desprendida da realidade, mas ainda tão fiel a ela. O investimento na cultura, a complexidade de gravar e produzir um filme, a banalização de problemáticas como a falta de saneamento básico e a indisposição Pública em intervir, o poder público que não tem interesse em investir no básico, mas o que lhe é de interesse, a habilidade brasileira de rir do que dói, a Arte como mostra a fuga do problema. Que experiência! Dessas singulares, que somente sendo uma espectadora brasileira, assistindo a um filme brasileiro, me traria.  

De imortal para imortal

Por Augusto Eufrásio “As palavras faladas voam, as escritas permanecem” verba volant, scripta manent. Relembrando nesta data o imortal Monsenhor Tarcísio, busquei rever em meus arquivos os vínculos entre dois dos imortais patronos da Academia Ubajarense de Letras: …quinta-feira 12 de dezembro de 2013, ao rogar pela bênção ao reverendo e receber aquele afetuoso “tapinha”. Identifiquei-me como Augusto, neto do ex-vereador “Chico Augusto” e como esquecer do seu conselho, “escreva sobre a história da sua família, pois há muito o que se contar”, após isso convidou-me para ir a sua residência para me presentear com um livro do imortal de nossa Academia: Raimundo Eufrásio (figura 01). No entanto, ao chegar em casa e folhear o então livro, ao ler a dedicatória do livro a maior homenagem naquele dia era para o próprio Monsenhor Tarcísio, que assim recebeu do escritor Raimundo Eufrásio: “Ofereço com muito prazer este modesto livrinho de minha autoria ao nobre e virtuoso Monsenhor Tarcísio de Melo, digno e operoso Vigário de Ubajara, minha amada terra natal, encravada nos cimos da Ibiapaba, onde o céu é mais perto e a alma humana é mais pura, pelos exemplos de grandeza Cristã do autêntico apóstolo de Cristo que tanto tem honrado à Igreja e a Deus para a felicidade de todos os Ibiapabanos e suas piedosas famílias.” Fortaleza, 16 de fevereiro de 1993.- Raimundo Eufrásio de Oliveira

Academia Ubajarense participa do desfile de 7 de Setembro

Por Monique Gomes Dias após a cerimônia de posse dos novos membros, realizada em 27 de agosto na Câmara de Vereadores, a Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) marcou presença no tradicional desfile cívico de 7 de Setembro, em Ubajara. O evento reuniu instituições, escolas e representantes da sociedade civil em uma manhã marcada por cores, emoção e sentimento de patriotismo. A participação da AULA reforçou o papel da cultura, da literatura e das artes como pilares fundamentais da identidade nacional e do desenvolvimento social. “Essa batida da marcha traz memórias felizes da adolescência”, disse Monique Gomes. O Dia da Independência do Brasil, celebrado em todo o país, é uma data que convida à reflexão sobre a soberania, a democracia e os valores que unem a população brasileira. Para os acadêmicos ubajarenses, estar presente no desfile foi também uma forma de reafirmar o compromisso da instituição com a preservação da memória cultural e com o fortalecimento dos laços comunitários.