Resenha crítico-pessoal de Saneamento Básico, o filme

filme brasileiro

Por Lorena Góis Saneamento Básico, O filme é um dos filmes brasileiros, que sempre apareciam como sugestão em minha página inicial do Youtube. Para minha surpresa, ele realmente estava completo na plataforma. Quem nem sempre teve assinaturas nas plataformas digitais, sabe que é difícil assistir de fato o filme que procura no Youtube, eu mesma só consegui assistir o que queria quando assinei um streamer. Indo direto ao ponto, o filme. Tentei assistir uma vez antes dessa, mas me estranhei com o enredo, estranhei porque o elenco era de peso, mas a história era boba demais (só mais tarde fui entender que isso era proposital). Fernanda Torres e Wagner Moura, quem está lendo isso em 2026 sabe bem o que esses dois representam para o cinema brasileiro, no filme eles são Marina e Joaquim, um casal que foi até a prefeitura de Linha Cristal, uma cidade fictícia que pertenceria ao Estado de Rio Grande do Sul,  pedir a construção de um tratamento de esgoto em sua comunidade, uma fossa. Infelizmente, tiveram o pedido recusado, pois não havia verba para obras, mas havia uma oferta de investimento na produção de um filme de ficção para a prefeitura, vinda do governo federal, e caso um filme, estilo curta-metragem, fosse aprovado nesse concurso, a prefeitura ganharia o dinheiro, e talvez, investiria  na obra da fossa. Esse era o conflito, por isso o chamei de bobo.  Ainda sobre a história, o casal, Marina e Joaquim,  resolveram entrar em um acordo de produzir um filme que falasse sobre a própria obra de tratamento de esgoto, para que o recurso de 10 mil reais fosse adquirido. Nesse ponto, foi até onde assisti a primeira vez, me questionei sobre o interesse na trama, mas fiquei curiosa para entender como funcionaria essas questões burocráticas de verbas públicas para fazer filmes.  Outro dia, após Wagner Moura ser premiado com um Oscar e com o cinema brasileiro em evidência, decidi então que o filme não tinha como ser ruim, posicionei o celular e fui assistir. As cenas que seguiam traziam como coadjuvantes Camila Pitanga e Renato Garcia, interpretando Silene, irmã de Marina, e Fabrício, namorado de Silene. Por essa hora, já me convenci de que algo muito bom estava acontecendo em termos de produção cinematográfica. O filme saneamento básico, começava mostrar seu caráter metalinguístico, e sua qualidade em um filme que fala sobre filme.    Partindo de minha estranheza, causada pela grosseira e irreverente forma como o filme era construído, fui ligeiramente me interessando pelo teor cômico da situação, que em brasileiro se descreve como,  “o puro suco do Brasil”. No filme, o roteiro foi elaborado, e partia-se da história de uma moça que morava nas proximidades de um fosso, o acúmulo de sujidades transformou-se em um monstro, o vilão, que desperta e assassina Silene Seagal. O que acontece com a produção audiovisual é no mínimo caótica, não há planejamento refinado, somente um roteiro mal feito, com muitas ideias sem pensar em como serão aplicadas, uma câmera que tinha poucas fitas e não passaria por uma edição, só gravação sem cortes, e um elenco que não sabia atuar, feito completamente no improviso, o que resulta na entrega de  um vídeo que fale de meio ambiente e tenha 10 minutos, apenas.  Na trama, Zico, interpretado por Lázaro Ramos, salva o projeto, o personagem acaba sendo o diretor e editor, depois de ser contratado por Marina, que percebeu que sem cortes o vídeo estava ruim e contratou um editor. Zico melhora o roteiro e direciona os personagens em como fazer as cenas, capturar os ângulos e atuarem com mais emoção. Ele também é o responsável pela ideia que, para ele, faria a produção ganhar o prêmio, a cena final, uma completa causalidade, pois uma das fitas foi entregue para a edição com imagens de Silene às margens de um rio, rodeada de muitas árvores, posando para a câmera de biquíni. Tal fato se deu, pelo dono das fitas e da câmera, Fabricio,  ser namorado de Silene que vez outra gostavam de fazer capturas mais íntimas, já que eram um casal. As cenas foram entregues a Zico, por descuido, e se tornou o encerramento perfeito da história.  O editor decidiu que uma bela música e muitos efeitos de corte, mostrariam a beleza da natureza e por isso dariam uma ótima finalização ao filme que concorria a uma categoria de meio ambiente. A ideia, que seria controversa, foi aprovada pelos agentes do projeto e fez parte do produto que seria exibido a toda a cidade, mesmo sendo arriscada.  O curta-metragem intitulado O monstro da fossa,, acabou agradando a todos da cidade, incluindo os patrocinadores e o prefeito. No final, o filme ganha o prêmio e faz da cidade de Linha Cristal um ponto turístico, onde pessoas de todos lugares visitam a belíssima cidade onde “O monstro do fosso” foi produzido, inclusive visitam o fosso, que nunca foi consertado. Saneamento básico, O filme de 2007, é dirigido e roteirizado por Jorge Furtado, e também conta com a atuação de outros grandes nomes do cinema brasileiro, como Paulo José, Tonico Pereira, Lúcio Mauro e Raphaella Sirena.  De fato, uma comédia brasileira, que não surpreendentemente, fala sobre o que é fazer arte, e como é falar de questões reais usando a ficção, como é falar de cinema e de Brasil com uma linguagem cômica, desprendida da realidade, mas ainda tão fiel a ela. O investimento na cultura, a complexidade de gravar e produzir um filme, a banalização de problemáticas como a falta de saneamento básico e a indisposição Pública em intervir, o poder público que não tem interesse em investir no básico, mas o que lhe é de interesse, a habilidade brasileira de rir do que dói, a Arte como mostra a fuga do problema. Que experiência! Dessas singulares, que somente sendo uma espectadora brasileira, assistindo a um filme brasileiro, me traria.  

De imortal para imortal

Por Augusto Eufrásio “As palavras faladas voam, as escritas permanecem” verba volant, scripta manent. Relembrando nesta data o imortal Monsenhor Tarcísio, busquei rever em meus arquivos os vínculos entre dois dos imortais patronos da Academia Ubajarense de Letras: …quinta-feira 12 de dezembro de 2013, ao rogar pela bênção ao reverendo e receber aquele afetuoso “tapinha”. Identifiquei-me como Augusto, neto do ex-vereador “Chico Augusto” e como esquecer do seu conselho, “escreva sobre a história da sua família, pois há muito o que se contar”, após isso convidou-me para ir a sua residência para me presentear com um livro do imortal de nossa Academia: Raimundo Eufrásio (figura 01). No entanto, ao chegar em casa e folhear o então livro, ao ler a dedicatória do livro a maior homenagem naquele dia era para o próprio Monsenhor Tarcísio, que assim recebeu do escritor Raimundo Eufrásio: “Ofereço com muito prazer este modesto livrinho de minha autoria ao nobre e virtuoso Monsenhor Tarcísio de Melo, digno e operoso Vigário de Ubajara, minha amada terra natal, encravada nos cimos da Ibiapaba, onde o céu é mais perto e a alma humana é mais pura, pelos exemplos de grandeza Cristã do autêntico apóstolo de Cristo que tanto tem honrado à Igreja e a Deus para a felicidade de todos os Ibiapabanos e suas piedosas famílias.” Fortaleza, 16 de fevereiro de 1993.- Raimundo Eufrásio de Oliveira

Academia Ubajarense participa do desfile de 7 de Setembro

Acadêmicos participam do desfile cívico 7 de Setembro

Por Monique Gomes Dias após a cerimônia de posse dos novos membros, realizada em 27 de agosto na Câmara de Vereadores, a Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) marcou presença no tradicional desfile cívico de 7 de Setembro, em Ubajara. O evento reuniu instituições, escolas e representantes da sociedade civil em uma manhã marcada por cores, emoção e sentimento de patriotismo. A participação da AULA reforçou o papel da cultura, da literatura e das artes como pilares fundamentais da identidade nacional e do desenvolvimento social. “Essa batida da marcha traz memórias felizes da adolescência”, disse Monique Gomes. O Dia da Independência do Brasil, celebrado em todo o país, é uma data que convida à reflexão sobre a soberania, a democracia e os valores que unem a população brasileira. Para os acadêmicos ubajarenses, estar presente no desfile foi também uma forma de reafirmar o compromisso da instituição com a preservação da memória cultural e com o fortalecimento dos laços comunitários.

Clube do Livro 2026

CLUBE DO LIVRO 2026 DA ACADEMIA UBAJARENSE DE LETRAS E ARTES

O novo Clube do Livro da Academia Ubajarense de Letras e Artes traz para você leituras organizadas em um cronograma leve, pensado para cerca de três páginas por dia.  Um convite perfeito para quem busca constância, incentivo à leitura e a troca com uma comunidade de leitores interessados em ampliar a visão de mundo por meio de grandes obras. Um livro por mês, um encontro por mês. Confira a lista dos livros de 2026. Leitura de Janeiro 2026 O Conto da Ilha Desconhecida, por José Saramago 44 páginas Um homem vai ao rei e lhe pede um barco para viajar até uma ilha desconhecida. O rei lhe pergunta como pode saber que essa ilha existe, já que é desconhecida. O homem argumenta que assim são todas as ilhas até que alguém desembarque nelas. Este pequeno conto de José Saramago pode ser lido como uma parábola do sonho realizado, isto é, como um canto de otimismo em que a vontade ou a obstinação fazem a fantasia ancorar em porto seguro. Antes, entretanto, ela é submetida a uma série de embates com o status quo, com o estado consolidado das coisas, como se dá resistência às adversidades viesse o mérito e do mérito nascesse o direito à concretização. Entre desejar um barco e tê-lo pronto para partir, o viajante vai de certo modo alterando a ideia que faz de uma ilha desconhecida e de como alcançá-la, e essa flexibilidade com certeza o torna mais apto a obter o que sonhou. Leitura de Fevereiro 2026 INTRODUÇÃO À TRILOGIA OBSCENA DE HILDA   A obscena senhora D, por Hilda Hist 80 páginas A obscena senhora D é uma novela sobre o luto com fartas doses de dramaturgia, filosofia e poesia. Aos sessenta anos, após a morte do marido, Hillé ― a senhora D ― percebe que está absolutamente sozinha. Em seu luto, a protagonista decide viver no vão da escada de casa e experimentar o mais profundo isolamento. Num intenso fluxo de consciência, ela se vê às voltas com lembranças do passado ao mesmo tempo que se pergunta sobre o verdadeiro sentido da vida. Leitura de Março 2026 A Hora da Estrela, por Clarice Lispector 88 pág Pouco antes de morrer, em 1977, Clarice Lispector decide se afastar da inflexão intimista que caracteriza sua escrita para desafiar a realidade. O resultado desse salto na extroversão é A hora da estrela, o livro mais surpreendente que escreveu. Se desde Perto do coração selvagem, seu romance de estreia, Clarice estava de corpo inteiro, todo o tempo, no centro de seus relatos, agora a cena é ocupada por personagens que em nada se parecem com ela. A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera. Leitura de Abril 2026 Carne de Mãe, por Mell Renault 92 Páginas Toda mulher nasceu para ser mãe? Em uma explosão de sinceridade, a personagem desenvolve uma linguagem coloquial que torna a narrativa fluida. Uma emocionante súplica pelo amor materno.Os bastidores de uma relação que sempre foi romantizada, em uma história forte e contemporânea. Os traumas que uma filha pode desenvolver devido a uma mãe tóxica, abusiva e desprovida de afeto materno. Leitura de Maio 2026 A morte e a morte de Quincas Berro Dágua, por Jorge Amado 95 páginas Escrita em 1959, essa pequena obra-prima de concisão narrativa e poética é tida por muitos como uma das mais extraordinárias novelas da nossa língua. Numa prosa inebriante, que tangencia o fantástico sem perder o olhar aguçado para as particularidades da sociedade baiana, Jorge Amado narra a história das várias mortes de Joaquim Soares da Cunha, vulgo Quincas Berro Dágua, cidadão exemplar que a certa altura da vida decide abandonar a família e a reputação ilibada para juntar-se à malandragem da cidade. Algum tempo depois, Quincas é encontrado sem vida em seu quarto imundo. Sua envergonhada família tenta restituir-lhe a compostura, vesti-lo e enterrá-lo com decência; mas, no velório, os amigos de copo e farra dão-lhe cachaça, despem-no dos trajes formais e fazem-no voltar a ser o bom e velho Quincas Berro Dágua. Levado ao Pelourinho, o finado Quincas joga capoeira, abraça meretrizes, canta, ri e segue a farra em direção à sua segunda e agora apoteótica morte. Leitura de Junho 2026 12321 – O Amor é um Palíndromo, por Marina Kon 92 páginas A autora Marina Kon explora o ciclo vicioso de agressões diversas, infidelidade, adestramento e triangulação praticadas por um homem que busca impor suas vontades. 12321 – O amor é um palíndromo é um romance de narrativa ordinária no mundo machista em que vivemos, mas Marina faz da trágica história uma literatura intensa, cruel e intrigante. Leitura de Julho 2026 Flor de Gume, por Monique Malcher  136 páginas Literatura como mergulhar as pernas nos rios do Pará e ouvir palavras que contam meninas presas em infâncias machucadas, mães e mulheres que crescem como plantas de verde profundo, apesar da realidade de violência, e avós que nutrem raízes, que aplicam ervas restauradoras no corpo ferido. Uma obra mística, que chama entidades e ancestralidades. Contos desenhados em cartas de tarô, estética literária que roda junto com as saias. Uma riqueza de referências. Experiência necessária para a literatura brasileira, que é presenteada com Flor de Gume, o intenso encontro com o Norte do país e o chamamento feito por Monique Malcher, que nos ajuda a furar a ignorância do mercado editorial e, com ela, direciona nossa atenção para além do sudeste.  Leitura de Agosto 2026 Olhos Dágua, por Conceição Evaristo 109 pág O livro Olhos D’água é uma daquelas obras que nos cortam na carne,

Oirta Gomes Miranda: Uma Vida de Fé, Dedicação e Visão à Frente de Seu Tempo

Oirta Gomes Miranda

Por Marcelo Miranda Oirta Gomes Miranda foi uma figura notável, cujo legado é marcado por sua fé inabalável, dedicação incansável à família, um profundo senso de justiça social e uma visão singular que a colocava à frente de seu tempo. Ela é lembrada não apenas como uma mulher exemplar e um pilar para sua comunidade, mas como uma inspiração constante, cuja vida tocou profundamente a de muitos. Como exemplo e testemunho de sua profunda religiosidade, participou ativamente da construção da Capela Mãe Rainha, que, além de ser um marco de fé, tornou-se um ponto turístico em Ubajara. Primeiros Anos e Formação: Nascida e criada em um lar de princípios cristãos sólidos, Oirta desde cedo demonstrou uma forte ligação com a fé. Seus pais e avós lhe transmitiram valores como honestidade, trabalho duro e um amor profundo por Deus e pelo próximo, que se manifestaria intensamente em seu senso de justiça e em suas ações ao longo da vida. Essa base foi fundamental para moldar seu caráter e direcionar suas escolhas. Laços Familiares e Suporte Inestimável: Casada com Manoel Miranda, Oirta construiu uma família abençoada, dedicando-se incansavelmente ao bem-estar e à educação de seus filhos. Além de seu núcleo familiar, Oirta estendia seu suporte a outros membros da família. Quando Marlene Gonçalves Miranda, esposa de seu cunhado Florival Miranda (já falecido), mudou-se do Rio de Janeiro para Ubajara com sua família, Oirta foi um porto seguro. Ela não hesitou em oferecer um emprego a Marlene no FUNRURAL – órgão governamental que garantia a aposentadoria de agricultores do interior do estado –, demonstrando sua generosidade e seu compromisso em ajudar quem precisava. Seu senso de justiça e sua perspectiva positiva eram evidentes em suas interações. Uma anedota familiar ilustra seu apreço pela natureza e sua fé: certa vez, Marlene, recém-chegada do Rio de Janeiro e de outra cultura, ao ver o céu carregado de nuvens, exclamou: “O céu está feio!” Tia Oirta, com sua perspicácia característica, corrigiu-a imediatamente: “Bate na boca, Marlene, o CÉU ESTÁ LINDO PRA CHOVER!” Um Coração para Causas Sociais e Visão de Futuro: Oirta sempre esteve profundamente ligada às causas sociais. Seu senso de justiça, herdado de seus pais e avós, era uma virtude proeminente. Ela não apenas acreditava em um mundo melhor, mas agia para construí-lo. Sua visão abrangia desde o apoio individual, como no caso de Marlene, até projetos mais amplos para o desenvolvimento de sua região. Em uma conversa reveladora, seu irmão Gomes de Moura contou que, ao visitá-la, a encontrou debruçada sobre uma vasta quantidade de papéis, escrevendo intensamente. Ao perguntar o que fazia, Oirta respondeu: “Estou elaborando um projeto para uma faculdade em Ubajara!” Este projeto, embora não tenha sido adiante na época, mostrava sua profunda preocupação com o acesso à educação em um tempo em que o estudo era de difícil acesso na Serra da Ibiapaba, solidificando sua imagem como uma mulher genuinamente à frente de seu tempo. Preservadora da Memória e Inspiradora de Gerações: Além de sua busca por um futuro educacional para a região, Tia Oirta também demonstrou um firme propósito na preservação da história e da memória familiar. Ela dedicou-se a reunir, pesquisar e classificar os escritos de seu bisavô, Manoel Ferreira de Miranda, cujo trabalho ela publicou sob o pseudônimo de “EMMES”. Essa homenagem resultou na publicação do “Diário de um Velho”, um trabalho inspirador que deu continuidade à pesquisa sobre a família, assegurando que o legado de seu bisavô e o seu próprio vivessem. Testemunhos e Reconhecimento: As virtudes de Oirta Gomes Miranda são amplamente reconhecidas. Seu irmão, Gomes de Moura, exclamou todas as suas qualidades em textos dedicados à sua vida. Para aprofundar-se e validar esses escritos, o leitor pode consultar os seguintes links: Conclusão: A vida de Oirta Gomes Miranda foi uma tapeçaria rica, tecida com fios de fé, amor familiar, justiça social e um espírito inovador. Sua memória perdura não só nas palavras de seu irmão e na gratidão de sua família, mas também no impacto duradouro que ela teve naqueles que a conheceram. Ela foi, sem dúvida, uma mulher que viveu com propósito e abençoou a vida de muitos.

Perfeição

Artigo de Melissa

Por Melissa Vasconcelos Não gosto de me transformar em nada que eu não seja. Não gosto de me transformar em coisa nenhuma, pois nunca me mantenho em mim mesma. Sempre nos transformamos em nada do que pensamos, e tudo o que pensamos sobre nós, tripudia-nos como Judas tripudiou Jesus Cristo. Somos os Judas das nossas vidas, criando máscaras e filtros de definição, quando, na verdade, não sabemos quem somos. Os conceitos que já julguei sobre mim e outros foram trabalhos vãos, mudando como a água que nas cachoeiras. Em cada gole, descobrimos nuances inesperadas e desconhecidas das nossas profundidades ou superficialidades, não sendo bicho, nem fera: sendo humano. Significa assim dizer que não somos completos de modo algum, e que ainda que criemos conceitos ou fórmulas, a qualquer hora, nos auto decepcionaremos: somos frágeis, falhos e falsos. Frágeis por não haver consistência em nossos princípios, de modo que todos estão sujeitos ao erro. Falhos, porque, ainda que a casa esteja bem forjada e preparada, os erros são o constante ofício daquele que se arrisca a viver. Falsos, porque exigimos dos outros a perfeição e a fidelidade de ser que nem em nós mesmos se há a confiança de cumpri-lo. Assim, somos todos estúpidos: julgando uns aos outros até os dias das mortes e apontando dedos nos narizes alheios, sem enxergar os poros inflamados do nosso próprio nariz. O nunca só existe a quem não vive, e o sempre é a mentira daqueles que negam a morte. O mundo apodrece na própria carne. A carne morre na própria pena.

Ubajara celebra o lançamento do livro “Crescendo Entre as Rosas”

A ubajarense Lucivanda Fernandes lançou o livro Crescendo entre as Rosas. Cobertura de Monique Gomes para a revista da Academia Ubajarense de Letras e Artes.

Por Monique Gomes Na última sexta-feira, 3 de outubro de 2025, o município de Ubajara, conhecido como um dos grandes berços culturais da Serra da Ibiapaba, foi palco de mais um marco literário: o lançamento do livro “Crescendo Entre as Rosas”, escrito pela empresária Lucivanda Fernandes. O evento reuniu familiares, amigos e admiradores da autora em uma tarde de celebração, emoção e inspiração. A cerimônia aconteceu no Espaço Aromas e Flores, empreendimento idealizado pela própria Lucivanda, localizado no bairro Monte Castelo. O local, que oferece experiências multissensoriais por meio de serviços de spa, massagem, perfumaria e cafeteria, foi o cenário perfeito para um encontro que uniu arte, empreendedorismo e sensibilidade. Lucivanda, que é CEO da Fazenda Santo Expedito e diretora da Rota Turística Mirantes da Ibiapaba, apresentou sua obra em formato intimista, cercada por mulheres que fazem parte de sua trajetória. O livro narra em primeira pessoa as vivências de uma mulher que transformou desafios em aprendizados e construiu um legado de fé, coragem e liderança no agronegócio, no turismo de experiência e na perfumaria artesanal. Em entrevista à Camile Mendes, a autora emocionou o público ao falar sobre o significado da obra: “Aqui tem relatos e histórias de quem cresceu estudando, teve muitas experiências, recomeços e espero que inspirem mulheres a recomeçar com o que já têm”, declarou Lucivanda. Com uma narrativa envolvente e inspiradora, “Crescendo Entre as Rosas” convida o leitor a refletir sobre o poder do propósito, a força dos recomeços e o florescer de cada mulher diante dos desafios da vida. “Foi uma noite marcada por emoção, cercada de mulheres incríveis que, em algum momento, cruzaram o meu caminho e deixaram sua marca. Muitas delas me inspiram até hoje… e é para elas e para todas as mulheres que escrevi estas páginas”, completou a autora. Ubajara, terra de grandes escritores e artistas, reafirma assim sua vocação cultural ao celebrar o talento e a sensibilidade de mais uma filha ilustre da cidade. Lucivanda Fernandes, com sua obra de estreia, faz um tributo à força feminina e ao espírito empreendedor da mulher ibiapabana.

Academia Ubajarense de Letras e Artes realiza cerimônia de posse

Acadêmicos tomam posse na Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes Na noite de 27 de agosto de 2025, a Academia Ubajarense de Letras e Artes (AULA) promoveu a cerimônia de posse de novos membros. O evento, realizado na Câmara de Vereadores de Ubajara, foi marcado pela presença de autoridades, homenagens e forte emoção entre os participantes e a plateia. A solenidade foi aberta pelo presidente da instituição, Nicollas Aguiar, e contou com a entrada dos postulantes, execução do Hino Nacional e leitura do histórico da Academia. Estiveram presentes personalidades como o Promotor de Justiça Dr. Marcos Vinicius, a Dra. Maiza Araújo, representando a magistratura, o senhor Humberto Ribeiro, a Dra. Priscila, representante da OAB, entre outras. Durante a cerimônia, cada acadêmico foi oficialmente empossado com a leitura da biografia de seus respectivos patronos, seguida da apresentação da própria trajetória e finalizada com a entrega do diploma. O momento foi marcado por discursos emocionados. Foram empossados: Em discurso comovente, Marcelo Miranda destacou: “Assumir a cadeira de número 3 da AULA é aceitar um legado. O patrono desta cadeira, Manoel Ferreira de Miranda, não foi apenas um homem de letras de Ubajara, foi também meu bisavô, a quem chamo de Pai Vô.” Após o juramento dos novos acadêmicos, a noite seguiu com o pré-lançamento do livro da acadêmica Ilma de Oliveira, a homenagem ao autor do Hino de Ubajara, José Maria Fernandes, e a execução do hino municipal com a participação de Marcelino Fernandes. A cerimônia foi marcada não apenas pela formalidade e solenidade, mas também pelo sentimento de pertencimento, orgulho e emoção que tomou conta da plateia e dos acadêmicos. Foi um verdadeiro marco cultural para Ubajara, fortalecendo ainda mais a missão da Academia em preservar e valorizar a literatura e as artes da região.

Quem foi João Benício de Sousa?

João Benício, personalidade que viveu em Ubajara, músico talentoso

Por Magna Rodrigues, filha de João Benício. João Benício de Sousa nasceu em Viçosa do Ceará em 2 de Setembro de 1933, cidade onde residiu até um pouco mais de 2 anos e somente aos 3 anos seus pais Antônio Valentim de Sousa e Hermínia de Almeida Braga resolveram morar em Ubajara – até seus últimos dias de vida, passando assim a maior parte de sua infância. Sua família se totalizou em oito irmãos, ele sendo o quarto a nascer. Chegou a estudar em escola particular, no Centro Educandário, com os professores Antônio Canilinha e o tão conhecido professor Assis. Fez o curso de admissão, como era chamado na época, curso que hoje conhecemos como ensino médio. A sua tendência musical foi surgindo com o tempo e logo procurou se aproximar de seu primeiro maestro e professor de música, o Tenente Naninho, onde com muita dificuldade financeira prestava serviço em troca do seu aprendizado. Mas como todo jovem curioso e ainda não satisfeito, resolveu ir embora para São Paulo com 19 anos, em 1948. Assim seguiu para a grande Capital por intermédio de um amigo que lá morava em uma pensão situada na Rua Tapajós, no Bairro Ponte Pequena, próxima a Estação da Luz, com poucos dias de sua chegada a essa pensão, também chegou um outro conterrâneo de nome Agenor Soares, se tornando seu companheiro de quarto e seu primeiro aluno, em seguida passaram a estudar no mesmo conservatório chamado de Conservatório de Música Vila Lobos onde sua mensalidade era patrocinada pela família Cavalcante, de Ubajara, na pessoa do Sr. Zé Cavalcante. João Benício chegou a formar sua própria orquestra, que se chamava Orquestra Benício. O grupo tocava em vários clubes, como: O MARCONDES, ITARIRI e VINTE E OITO. Chegou a se apresentar no Rio de Janeiro, fez diversos programas na TV RECORD, sendo assim bastante requisitado. Ele também formou um quinteto onde fazia os programas na Rádio Nacional somente aos domingos no horário das seis às oito da manhã com sucesso em audiência, tornado-se o mais conhecido e respeitado na área musical. Os ritmos mais executados da época era Rumba, Mambo, tcha-tcha-tcha, Tango,Bolero e Samba canção. Em 1955 arrumou seu primeiro emprego de carteira assinada em 7 de janeiro na Empresa VITRUM S.A. e saiu em 30 de maio de 1957. Em seguida, trabalhou na Indústria de Ampolas Esperança LTDA em 1 de junho de 1957 e saiu em 20 de Agosto de 1958, onde trabalhava de Auxiliar de Maquinista. Seguiu para a Companhia Paulista de Aniagens em 14 de maio de 1959 até 31 de julho de 1959. E assim passaram-se onze anos. Foi quando recebeu o seu tão sonhado Diploma de músico profissional, habilitado pela sua extraordinária capacidade de ler e escrever partituras. Mesmo sendo apto à tocar todo e qualquer tipo de instrumento musical, o Maestro João Benício tinha uma preferência particular e paixão pelos instrumentos de sopro saxofone e clarinete. E logo após a sua diplomação, no final do referido ano, regressou à cidade natal Ubajara, com 26 anos de idade. Agora finalmente titulado maestro, chega a casa de seus pais, onde a noticia logo se espalhou e causou grande rebuliço na cidade: onde todos queriam ver e ouvir João Benício tocar o som de seu instrumento que suava alto aos ouvidos de quem passava por perto. Nos meados de 1960 começa o namoro com Francisca Rodrigues de Sousa (Nenca) e exatamente 10 anos depois se casam e dessa união geram um casal de filhos Magnus Benicio e Magna Rodrigues. No ano de 1972 recebe um convite do Comandante da Polícia Militar do Piauí, Coronel Canuto, para fazer parte da Banda de Música e responsável em transcrever partituras para os demais instrumentos, com o cargo de Cabo assemelhado, levando a família para morar em Teresina. Somente com a morte de seu filho, e tendo recebido transferência para a cidade de Picos (não só para trabalhar como músico, mais também para exercer a profissão de policial), resolveu desertar e regressar novamente para Ubajara. Ao chegar, participou de várias bandas e orquestras: Benício e seu conjunto, Orquestra Santa Cecília (padroeira dos músicos), Orquestra Ritmos Internacionais e o cantor Wanderley. Bem como outras na cidade de Sobral, como: Orquestra do Dr. Amauri Barbosa e Banda, Os Panteras Bossa que pertencia ao presidente do Pálace Clube da cidade e dono de uma fábrica de chapéu, e em Fortaleza, trabalhou com Ivanildo e seu Conjunto. Ainda em Ubajara, ele passou pela Banda Ases do Planalto, na direção do Sr. Zequinha e quando saiu formou sua própria banda BQ Som em sociedade com o advogado Queiroz Pessoa, onde o mesmo, por motivos pessoais, resolve com passar do tempo, sair da sociedade e entregar sua parte ao maestro João Benício, que por sua vez muda novamente o nome da banda para Banda Tropical. Ao longo do tempo, a Prefeitura Municipal de Ubajara, na gestão do prefeito Salustiano Lima de Aguiar, convida o maestro para formar uma Banda Municipal com jovens, onde ele passou a ensinar aos interessados em uma sala perto da prefeitura e muitas vezes em sua própria residência.Sua maior preocupação era deixar esses jovens tocando e lendo partituras e somente quando almejou seu objetivo foi que se fixou como maestro assinando sua carteira em 01 de Dezembro de 1979 tendo a duração de 5 anos e 4 meses no dia 30 de Abril de 1985. Já na gestão do Prefeito Eudes Soares Cunha pede sua demissão pelo motivo de ter sido convidado para trabalhar em outra prefeitura, dessa vez na cidade de Coreaú como maestro regente e formando músicos, ficando por lá cerca de dois anos. Em 1988, em um festejo na cidade de Ubauna,tocando e maestrando a Banda Municipal de Coreaú, o mesmo começou a sentir fortes dores de cabeça durante o evento que o fez voltar a Ubajara e deixar de trabalhar devido sua enfermidade. Exatamente na data de 18 de Novembro do mesmo ano, em Fortaleza, foi detectado através de uma tomografia computadorizada a causa

Academia Ubajarense abre vagas para novos acadêmicos

Vagas abertas para a Academia Ubajarense de Letras e Artes

Por Monique Gomes A Academia Ubajarense de Letras e Artes convida a todos os interessados a concorrerem a uma vaga para ocupar uma das cadeiras da instituição. Se você é apaixonado pelas letras, artes e cultura, essa é a oportunidade para integrar um seleto grupo que tem como missão promover e disseminar o conhecimento e a criatividade na sociedade ubajarense. Leia os requisitos básicos para concorrer a uma vaga e clique na imagem abaixo para se inscrever até o dia 15 de julho de 2025. LER ESTATUTO REQUISITOS PARA CONCORRER A VAGA Para concorrer ao preenchimento de cadeira vaga na Academia de Letras e Artes de Ubajara – AULA o candidato deverá preencher, simultaneamente, os seguintes requisitos: I – ter obra original, publicada ou não, ou ter participado de publicações com trabalhos de significativo valor literário, cultural, científico ou religioso; II – ter reputação ilibada; III – manter residência habitual ou vínculo reconhecido com o município de Ubajara. DIREITOS E DEVERES DOS ASSOCIADOS Art. 9º do Regimento Interno da Academia Ubajarense de Letras e Artes – São DIREITOS do associado fundador e do associado efetivo: I – votar e ser votado, nas eleições da Diretoria; II – votar nas eleições para preenchimento de cadeira vaga nos quadros da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA; III – participar das assembleias gerais, das sessões solenes e das reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais poderá se manifestar, formular propostas e tomar parte nas discussões e decisões; IV – publicar, em veículos de comunicação da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA, trabalhos de sua Autoria, de cunho literário, artístico, gramatical, científico, religioso ou cultural; V – exigir da Diretoria e dos demais membros da Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA obediência ao Estatuto e ao Regimento Interno. Parágrafo 1° – Os associados honorários e os associados correspondentes têm direito de participar das assembleias gerais, sessões solenes, reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais poderão externar suas opiniões, mas sem direito de tomar parte nas votações e decisões. Parágrafo 2° – os benefícios de que trata o inciso IV deste artigo são extensivos aos associados correspondentes, observada a disponibilidade de recursos, segundo critérios definidos pela diretoria. Art. 10 – Extinguem-se os direitos do associado: I – pela renúncia expressa à sua condição de associados; II – pelo falecimento; III – pela sua exclusão do quadro de associados, nos casos previstos neste Estatuto. Art. 11 – São DEVERES dos associados fundadores e efetivos: I – comparecer às assembleias gerais, sessões solenes, reuniões ordinárias e extraordinárias; II – cumprir e fazer cumprir o Estatuto, o Regimento Interno e demais resoluções aprovadas pela Assembleia Geral e pela Diretoria; III – participar ativamente das atividades literárias, culturais e artísticas programadas e realizadas pela Academia Ubajarense de Letras e Artes – AULA; IV – desempenhar cargo na Diretoria, quando eleito para exercê-lo; V – representar a Academia em eventos culturais e literários, quando designado pelo Presidente ou pela Diretoria; VI – pagar, quando do ingresso na Academia, joia correspondente ao valor de um mês da contribuição social que houver sido estabelecida pela Assembleia Geral; VII – pagar, mensalmente, a contribuição estipulada anualmente pela Assembleia Geral (Observação: a taxa mensal é de 30,00 (trinta reais).